Tal como acontecerá na sua escola homónima de Vila Real, também em setembro vão arrancar as aulas na Escola Camilo Castelo Branco de Luanda, um colégio privado que funcionará num edifício construído de raiz, com um investimento de 12 milhões de dólares, e que nasceu para dar resposta às necessidades de muitas famílias que procuram para os seus filhos o ensino português de qualidade naquela cidade angolana.
Depois de seis anos enquanto presidente da Escola Portuguesa de Luanda, Miguel Sousa, natural de Vila Real, em conjunto com um grupo de pessoas também ligadas à Cooperativa Portuguesa de Ensino em Angola, decidiu avançar para a concretização de um projeto que complementasse a oferta de ensino com correspondência ao sistema português a “preços aceitáveis”.
“Vivia no dia-a-dia uma procura enorme dos pais, que precisavam da tranquilidade de poderem ir trabalhar sabendo que podiam confiar na educação dos filhos. E a escola que existe em Angola, a preços aceitáveis, é a Escola Portuguesa. Dentro do ensino português, as outras têm preços muito elevados”, explicou o mesmo responsável, testemunhando que a dificuldade em garantir a educação dos filhos levou famílias a optarem pelo regresso, separando mesmo alguns agregados.
Com a experiência à frente da Escola Portuguesa de Luanda, vários responsáveis decidiram então avançar com um projeto que oferecesse uma boa relação qualidade/preço e nasceu a ideia de criar um novo colégio, pensado de raiz e com todos serviços extra curriculares, mantendo, ainda assim, mensalidades muito abaixo das praticadas em outros estabelecimentos de ensino portugueses existentes naquela cidade angolana.
A ligação a Vila Real aparece quando Miguel Sousa decide homenagear a escola da sua cidade natal dando o mesmo nome ao novo colégio.
“O nome sonante de que se falou logo foi o de Luís de Camões, a figura máxima de Portugal. Falou-se também no nome de Fernando Pessoa e até de José Saramago. Mas sempre tive a ideia de Camilo Castelo Branco, e levei a minha ideia avante”, referiu o vila-realense ao recordar o processo de escolha do nome.
Quanto à ligação à escola, Miguel Sousa, natural de Mateus, explicou à VTM que o liceu vila-realense marcou muito a sua infância e juventude, mesmo sem nunca ter lá estudado… “Quando vinha de férias, era um infiltrado. Eu jogava basquetebol e passava sempre por aluno do Liceu quando havia jogos com outras escolas. Isso marcou-me muito. Ficou o nome, a convivência, as pessoas que jogavam comigo”, frisou.
“Nota 10” para a solidariedade
Um importante aspeto que já exista na Escola Portuguesa de Luanda, e que vai ser reforçado no novo colégio, é o desenvolvimento do espírito solidário na comunidade escolar, com a realização de várias ações de recolha de bens para associações locais de apoio aos mais carenciados, e não só.
“Assumi o compromisso com o presidente da República de Angola de fazer a formação de professores do primeiro ciclo para Angola”, adiantou o vila-realense, revelando que o colégio vai dar dez bolsas de estudo a futuros professores primários do ensino nacional. “Propinas, livros, material escolar. Exceto alojamento e a alimentação fora da escola, tudo é pago por nós”, sublinhou Miguel Sousa, referindo que depois de formados os docentes vão formar outros professores, ou seja, o colégio estará a contribuir para a “garantia de que o português vai continuar a ser falado e escrito” no país.
Outras iniciativas solidárias que já são levadas a cabo na Escola Portuguesa de Luanda vão ser replicadas também na Camilo Castelo Branco, como, por exemplo, a angariação de fundos e bens para instituições que apoiam crianças. “No mês passado entregamos à SOS Lubango 40 mil dólares em dinheiro. A permanência de uma criança nessa instituição, a roupa, livros, alimentação, tem um custo de mil dólares por ano, por isso ajudamos 40 crianças”, revelou.
Campanhas de recolha de bens alimentares, livros, roupas, medicamentos e visitas ao hospital pediátrico, são outras das iniciativas que envolvem toda a comunidade da Escola Portuguesa de Luanda ao longo do ano, que não vão faltar no espírito do ‘liceu’ de Luanda.
Colégio vai apostar no ensino técnico-profissional
Depois de um investimento de 12 milhões de dólares na construção do edifício e no seu apetrechamento, no próximo ano letivo o colégio vai receber alunos desde o pré-escolar até ao 9º ano de escolaridade, alargando nos próximos três anos, sucessivamente, a sua oferta ao 10º, 11º e 12º anos.
“A ideia foi criar uma escola que não há em Luanda, uma escola técnico profissional, um projeto muito bonito”, explicou Miguel Sousa, contabilizando que no futuro a Camilo Castelo Branco angolana, que terá novas fases de ampliação, poderá chegar a somar perto de cinco mil alunos.
Tal como acontece em Portugal, também em Angola, “toda a gente quer ter formação superior”, no entanto muitos “esquecem-se que há pais que não têm capacidade de dar um curso aos filhos, fazendo mesmo “um esforço muito grande para os manter na escola”. “Abrindo a porta aos técnico-profissionais, dentro do regulamento do ensino em Portugal, permite-nos que os miúdos acabem o 12º ano estejam prontos para ir para o mercado de trabalho embora possam considerar também a possibilidade de tirar um curso superior, podem por exemplo trabalhar e estudar”, sublinhou Miguel Sousa.
O colégio vai ainda inovar ao nível dos serviços que vai prestar aos estudantes, proporcionando, por exemplo, ensino de inglês a partir dos quatro anos, e, no futuro, até de mandarim como opção.
Campos de futebol com relva sintética, courts de ténis, laboratórios e outras infraestruturas de apoio vão estar ao serviço de alunos e professores, sendo ainda de sublinhar que, ao contrário do que acontece no ensino público em Portugal, em que as salas podem chegar a ter 35 crianças, na Escola Camilo Castelo Branco de Luanda as turmas terão, no máximo, 25 estudantes.
No total serão contratados cerca de 110 docentes, a grande maioria portugueses, que terão direito a habitação, ou, caso prefiram, ao valor correspondente em dinheiro.





