Sábado, 25 de Abril de 2026
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O primeiro grande debate do distrito

Pela primeira vez, os quatro candidatos pelo círculo eleitoral de Vila Real das forças políticas com representação parlamentar sentaram-se à mesma mesa para falar, olhos nos olhos, sobre os problemas, as potencialidades e o futuro do distrito e da região. O resultado? Mais de duas horas de debate que estão, a partir de hoje, disponíveis online

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A disciplina de voto, a falta de médicos, a desertificação do interior, a Casa do Douro (CD), o ensino superior, o encerramento de serviços públicos, a sustentabilidade do sistema de Segurança Social e muitos outros temas que preocupam o distrito, a região e o país entraram na discussão que o Jornal A Voz de Trás-os-Montes promoveu, no dia 17, entre os cabeças de lista pelo círculo eleitoral de Vila Real do Partido Socialista (PS), do Bloco de Esquerda (BE), da Coligação Portugal à Frente (PàF) e da Coligação Democrática Unitária (CDU).

O debate, que foi pensado para decorrer durante 90 minutos, reuniu na mesma mesa os candidatos das forças políticas que na anterior legislatura tiveram assento na Assembleia da República, levando assim ao encontro entre Júlia Violante (CDU), Luís Ramos (PàF), Ascenso Simões (PS) e Carlos Gomes (BE).

Moderado por João Vilela, diretor-geral do Jornal A Voz de Trás-os-Montes (VTM), o debate representou a primeira vez que os quatro candidatos se encontraram para discutir as suas visões sobre os problemas e soluções para o território que, no próximo dia 4 de outubro, à semelhança do resto do país, vai deslocar-se às urnas para escolher os seus representantes entre 14 listas que irão aparecer no boletim de voto vila-realense.

Transmitido em direto pela UTAD TV, graças a uma parceria com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, o debate, que acabou por somar cerca de duas horas e meia de discussão, poderá ser revisto online a partir de hoje.

Para garantir a igualdade de tratamento relativamente às restantes candidaturas, tendo em conta que um debate com os 14 cabeças de lista seria impraticável, a VTM irá dar um espaço aos 10 partidos candidatos por Vila Real, que não têm representação parlamentar para apresentarem as suas ideias. Um trabalho especial que será publicado na próxima edição do jornal.

 

Disciplina de voto ou defesa da região?

 

A primeira questão lançada sobre a mesa de debate veio de um leitor da VTM, que quis saber se “em caso de votação parlamentar, os senhores deputados eleitos pelo Círculo de Vila Real respeitarão a disciplina de voto ou votarão na defesa da região”

Logo no arranque, o debate aqueceu com Ascenso Simões a apontar o dedo a Luís Ramos, o único na mesa a reconhecer, “de uma forma muito clara e inequívoca”, a sua intenção de “obedecer à disciplina partidária”.

“Tirando situações extremas que podem constituir para o meu distrito situações gravíssimas, entendo que tenho que obedecer à disciplina partidária, porque é um dos elementos que marcam exatamente o nosso sistema político eleitoral”, explicou.

O candidato sublinhou, que sempre procurou debater os interesses do seu distrito no seu grupo parlamentar, no seu partido, até ao limite das suas forças, e reforçou a ideia de que no momento de votar procurou “manter essa disciplina” e voltará a fazê-lo na próxima legislatura, no exercício do seu mandato.

Os outros três candidatos deixaram a certeza de que vão defender a região em detrimento da disciplina de voto.

 

Resolver a questão da saúde “é simples”

 

Quem o diz é o candidato socialista que no debate deixou claro que a receita para a fixação de médicos na região é “dar autonomia às Unidades de Saúde Familiar (USF) e à Administração do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD). “Não se trata de aumentar a despesa, trata-se de, na sua capacidade orçamental, atribuir ao conselho de administração de um hospital, que é uma empresa, a decisão de contratar mais médicos. Porque é que tem que haver uma decisão e uma autorização nacional para contratar quando esse médico está previsto no plano de atividades e no orçamento dessa mesma unidade?”, questionou Ascenso Simões.

Já Júlia Violante defendeu que a fixação dos profissionais de saúde prende-se também com a necessidade de garantir as condições nos seus locais de trabalho e a qualidade de vida na região.

“Não vejo qualquer inconveniente em que, de forma comedida, se incentive a colocação de médicos nestas regiões mais desfavorecidas”, referiu o candidato do Bloco de Esquerda, sublinhando também a necessidade de “valorizar a oferta de saúde na região” para que se consiga “desafogar os grandes hospitais regionais, que como sabemos estão sempre atolados de pessoas” e, consequentemente, se garantam, “condições para prestar serviços de qualidade”.

Depois de ouvir os seus “colegas” de mesa, o social-democrata Luís Ramos salientou que “não é por indisponibilidade financeira ou por falta de condições para a contratação que faltam médicos no Sistema Nacional de Saúde”. “O país tem um problema já há muitos anos que ainda não se resolveu, faltam médicos em todas as áreas e, sobretudo, em algumas especialidades”, explicou.

“Quando me falam no estado da saúde fico realmente muito surpreendido porque no distrito de Vila Real, mais de 95 por cento dos utentes tem médico de família”, defendeu o ainda deputado, lamentando que algumas situações verificadas pela saída de profissionais “estejam a ser utilizadas às vezes com intuitos que não são muito claros e transparentes”.

 

“É preciso construir castelos”

 

Utilizando uma analogia ao tempo da monarquia, em que os reis construíam castelos para definir e defender o território, Carlos Gomes defendeu que o interior do país precisa “agora de outros castelos, o castelo da educação, da saúde, da justiça, da segurança”. “O Estado tem essa missão fundamental, depois disso virão então os empresários para investir”, explicou o candidato bloquista aquando da sua intervenção sobre o caminho para combater a desertificação do território.

Apontando o dedo aos sucessivos governos que foram aos poucos abandonando o interior do país, Júlia Violante acredita que não será possível combater a desertificação enquanto não houver políticas de natalidade. “Não há vontade política para melhorar o que quer que seja”, atirou a comunista.

Já para Luís Ramos o caminho, que tem sido trilhado pelo atual governo, passa por “criar condições, mecanismos e instrumentos diferenciadores, para apoiar o investimento nestes territórios, nomeadamente através dos fundos comunitários”, tendo lembrando o envelope financeiro previsto para o Norte Interior, exclusivo para as empresas, de 28,5 milhões de euros. Outros, entre muitos passos dados, garante o social-democrata, são as importantes reformas que têm sido levadas a cabo, como a “muito polémica” reforma no setor das águas, classificada como “um sinal claro da necessidade de harmonizar e garantir um conjunto de igualdade de oportunidades” para quem trabalha e vive no distrito.

Tal como os restantes candidatos, Ascenso Simões também concordou que “não há condições para fixar pessoas se não houver emprego, o que “se resolve, também resolvendo um problema que este governo criou, que é a diferenciação positiva relativamente à fiscalidade”. “Hoje, não temos nenhuma vantagem em fixar empresas no interior, uma vez que as políticas recentes não foram significativas em relação à diminuição do nosso défice público, mas foram profundamente limitadoras do novo investimento nas áreas interiores do país. É preciso reverter essa situação”, alertou o candidato.

 


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