Sábado, 6 de Junho de 2026
InícioPeso da RéguaObras do Lar e Centro Ocupacional devem começar este ano

Obras do Lar e Centro Ocupacional devem começar este ano

Após um longo processo, tudo indica que este ano irá ser construída a nova sede da Associação da Região do Douro para Apoio a Deficientes, ARDAD, que contempla um Centro de Actividades Ocupacionais e um Lar Residencial para deficientes. O custo destes equipamentos ronda um milhão e quatrocentos mil euros, e serão dotados de uma capacidade de acolhimento para 42 utentes.

Até agora, este é um dos mais importantes investimentos num equipamento social da área da deficiência na região, que será financiado pelo Programa Operacional de Potencial Humano, POPH. Esta é uma ambição que já dura há mais de dez anos, mas só agora está em vias de concretização.

Este projecto, de grande alcance social, aponta para a remodelação e ampliação de um edifício centenário, situado próximo da rua de Vila Franca, na zona do Peso. Depois de concluídas as obras, será o local onde a ARDAD irá proporcionar uma resposta social de maior qualidade às muitas solicitações que tem na área da deficiência, onde tem desenvolvido um meritório trabalho, desde 1990.

José António Tojeiro esteve na presidência da ARDAD durante dois mandatos, e na origem desta tão importante obra, tendo abordado esta temática ao Nossa Jornal. “Finalmente vamos ter a nossa própria sede. Depois da Câmara de Peso da Régua nos ter oferecido o espaço do antigo liceu, estamos em vias de reunir as ajudas necessárias para arrancar com as obras e consubstancializar um projecto que já tem mais de dez anos. Devido à morosidade na implementação do projecto, tivemos de o reestruturar e modificar ao nível das especificidades”.

A ARDAD é uma associação que trabalha com jovens deficientes, com o objectivo de os preparar para a vida e virem a ser úteis à comunidade. Esta associação tem cerca de 100 utentes, originários de toda a região de Trás-os-Montes e Alto Douro, e conta com casas de apoio, dado que a maior parte dos utentes são de fora da cidade. “Temos alunos que chegam de comboio e de autocarro, depois são transportados pelas viaturas da instituição para a escola. O aluno mais distante vem de Bragança, um exemplo que demonstra a influência em termos de actividade e abrangência desta instituição”.

José Tojeiro reforçou o papel das famílias de apoio. “Muita gente tem a ideia que a nossa acção se confina à Régua, mas isso não é verdade. Não temos internos, mas sim famílias de apoio, onde nós colocamos os utentes mais distantes. As famílias são apoiadas pela Segurança Social, que acolhem os nossos jovens, de segunda a sexta-feira. Ao todo, temos cerca de 12 famílias de acolhimento”.

Para o futuro, a ARDAD pretende alterar algumas componentes na área da Formação, quando as novas instalações estiverem operacionais. “A tendência é acabar com a formação profissional, já que Portugal vai deixar de ter ajudas comunitárias para esta área. A nova estrutura vai manter a formação, mas serão as famílias a pagar essa formação, porque o futuro assim o vai exigir, numa situação semelhante ao que acontece noutros países”.

O novo equipamento irá ter também Apoio Domiciliário e um Lar de Dia. “No futuro, estes jovens vão precisar de ajuda, por isso iremos ter um serviço de apoio externo. Serão disponibilizados cuidados para os deficientes mais profundos, que não podem estar em casa com os pais. Iremos ter também um Lar de Dia onde eles vão poder passar os seu tempo e aprender”.

Este associado da ARDAD deixou também uma reflexão importante quanto aos objectivos futuros da instituição. “Devemos apoiar os utentes, nunca os devemos abandonar. Na lei da vida, por norma, os pais morrem antes dos filhos, e depois quem irá tomar conta deles, nesta área da deficiência?”, questionou.

Quanto ao início da obra, existem boas expectativas. “Este ano tem de arrancar mesmo para cumprirmos os prazos para a apresentação do projecto, legalizações e licenças municipais. Não podemos perder mais tempo”.

O valor do investimento, já contratualizado, que representa uma resposta na área da Deficiência no âmbito do POPH, já não é suficiente atendendo à dimensão e actualização dos custos da obra. No entanto, apesar dos constrangimentos, a Instituição não está a estudar soluções financeiras para arrancar com o empreendimento, e promete que a obra irá iniciar-se. O presidente da ARDAD, Mário Montes, confirmou isso mesmo ao Nosso Jornal. “Queremos constituir na região uma espécie de âncora em termos de respostas sociais, que neste momento são inexistentes. A nossa intenção é levar o projecto até ao fim. Além da vocação profissional, há muita gente na área da deficiência que não tem enquadramento neste segmento. A resposta através do Lar Residencial e do Centro de Actividades Ocupacionais era fundamental para termos uma cobertura mais alargada ao nível da deficiência. O problema é conseguir suporte financeiro para o projecto. Inicialmente, tínhamos um investimento na ordem de um milhão de euros e um financiamento de 75 por cento, agora o orçamento da obra já ronda um milhão e quatrocentos mil euros, e o financiamento continua a ser de um milhão”. Apesar disso, o presidente garantiu que o “projecto é para avançar ainda este ano”.

De referir que, no horizonte, existe uma outra ambição e que tem a ver com a utilização das instalações do internato do antigo seminário para as transformar num atelier oficinal e num equipamento de acolhimento aos deficientes profundos.


APOIE O NOSSO TRABALHO.
APOIE O JORNALISMO DE PROXIMIDADE.

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo regional e de proximidade. O acesso à maioria das notícias da VTM (ainda) é livre, mas não é gratuito, o jornalismo custa dinheiro e exige investimento. Esta contribuição é uma forma de apoiar de forma direta A Voz de Trás-os-Montes e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente e de proximidade, mas não só. É continuar a informar apesar de todas as contingências, nunca paramos um único dia.

Contribua com um donativo!

VÍDEO

Mais lidas

PRÉMIO

ÚLTIMAS NOTÍCIAS