“Continuamos parados e a penar”, concluiu o socialista Rui Santos depois da tão esperada reunião com o secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro, que, no dia 14, dirigindo-se aos membros da Comissão de Economia da Assembleia da República, deu a entender que o impasse entre o Governo e a concessionária construtora do Túnel do Marão está longe de ser resolvido.
Segundo o deputado do Partido Socialista eleito pelo distrito de Vila Real, que integra a comissão parlamentar, a reunião foi “uma grande desilusão” já que, mais uma vez, apenas foi dito que as “negociações estão em curso e são difíceis”.
“Estamos a falar de uma obra que já custou aos cofres do Estado 190 milhões de euros, uma obra que continua a degradar-se”, explicou Rui Santos, mostrando-se ainda preocupado com a situação dos mais de 1300 trabalhadores que continuam no desemprego e com toda a dinâmica económica em torno da obra, que continua “à espera”.
Honório Novo, deputado eleito pelo Partido Comunista Português (PCP), sublinhou da intervenção de Sérgio Monteiro na reunião a possibilidade do Governo rescindir o contrato com o atual consórcio. “A obra continua parada. Pior, o Governo não tem data para avançar e foi-nos confirmado que estará a ser ponderada a rescisão do contrato, ou seja, não sabe se será o atual consórcio e reiniciar a obra”, explicou.
Para o mesmo deputado, que também recordou os postos de trabalho perdidos e as empresas subcontratadas pelo consórcio que estão em falência, é “inaceitável” que o Governo não encontre resposta para uma paralisação que já dura há nove meses.
Já o deputado social-democrata Luís Ramos voltou a advertir que o Governo quer resolver o assunto “sem pôr em causa o interesse público”. “Se o objetivo fosse encerrar as negociações o mais rápido possível poderia penalizar-se o Estado, e não é isso que o Governo quer”, garantiu.
Na reunião, o secretário de Estado explicou que o diferendo entre as duas partes prende-se com questões de financiamento e com a indemnização de 100 milhões de euros requerida pelo consórcio na sequência das duas anteriores suspensões da obra.
Esta é a terceira interrupção no processo de construção do Túnel do Marão (troço da A4 que liga Amarante à Vila Real), sendo que das primeiras duas vezes, que no total representaram um atraso de mais de seis meses na obra, as paragens foram motivadas por providências cautelares levantadas pela empresa Água do Marão.
Desta última vez, a construção estagnou em junho do ano passado, depois da concessionária, liderada pela Somague, assumir problemas de ordem financeira como justificação.




