Terminou, no dia 27, a suspensão por um período de 90 dias ditada pela empresa responsável pela construção do Túnel do Marão, no entanto uma fonte oficial do Governo já garantiu que o início da obra ainda vai esperar mais dois meses.
“Estamos à procura da melhor solução que salvaguarde os interesses do Estado português. Nesse âmbito foi acordado a extensão do prazo de suspensão em mais 60 dias, findo os quais temos a expectativa de dar a conhecer a solução encontrada”, sublinha a mesma fonte governamental.
Paradas pela terceira vez desde o seu início, as obras do Túnel do Marão estão suspensas desde o dia 27 Junho, altura em que a empresa terá alegado “problemas de natureza financeira”.
Entretanto, Luís Ramos, deputado social-democrata na Assembleia da República, eleito pelo círculo de Vila Real, disse recentemente ao Nosso Jornal que “o Governo tem estado a envidar todos os esforços para que o problema seja resolvido o mais rapidamente possível”, uma solução que passará obrigatoriamente pela revisão do contrato de concessão.
Luís Ramos deixou ainda a certeza de que serão defendidos “os dinheiros e os interesses públicos, sem pôr a obra em causa”, e que o “secretário de Estado das Obras Públicas já fez saber à empresa os inconvenientes de um atraso demasiado prolongado da obra e os problemas que causa não só a região, mas ao país”.
Entretanto, outras forças vivas da região já têm levantado a voz relativamente às repercussões que a interrupção pode trazer à região, nomeadamente as Comunidades Intermunicipais (CIM) do Douro e Trás-os-Montes, que já manifestaram publicamente “a sua grande preocupação”, não só com a anunciada “manutenção da suspensão” mas também sobre “o bom desenvolvimento do projecto”.
“A suspensão das obras pode criar sérios problemas na concretização do projecto da Auto-estrada Transmontana, que liga Bragança – Vila Real – Porto, bem como prejuízos em toda a Região de Trás-os-Montes e Alto Douro”, advertem os responsáveis pelas duas comunidades intermunicipais em comunicado.
No mesmo documento, divulgado no dia 27, Artur Cascarejo, que preside a CIM Douro, e Jorge Nunes, presidente da CIM Trás-os-Montes, sublinharam que “a Auto-estrada Transmontana e o Túnel do Marão, são equipamentos rodoviários aguardados com muita expectativa pela região, e tidos como essenciais ao desenvolvimento socioeconómico da mesma”. “Aproximam pessoas e territórios, para além de serem um importante equipamento ao nível da segurança rodoviária, pelo que a sua rápida concretização é essencial”, defendem ainda os mesmos responsáveis.
Até a hora de fecho desta edição do Nosso Jornal, as obras do Túnel do Marão continuavam paradas, afectando, segundo o Sindicato de Trabalhadores da Construção de Portugal, cerca de 1400 trabalhadores, muitos dos quais foram “abandonados”, sem salários ou subsídios de desemprego.
De recordar que, esta é a terceira interrupção no processo de construção do Túnel do Marão, sendo que das primeiras duas vezes a situação teve a ver com providências cautelares levantadas por um privado e provocou um atraso de mais de seis meses na obra.
De lado deverá ficar assim a previsão de que o Túnel do Marão, parte de um troço de 30 quilómetros de auto-estrada da A4, fique concluído em Fevereiro de 2012, como foi avançado pela empresa concessionária no início deste ano, aquando de uma visita de José Sócrates, então primeiro-ministro de Portugal, às obras.
A A4, que vai ligar Amarante a Bragança numa extensão total de 160 quilómetros, é constituída por duas concessões rodoviárias, o Túnel do Marão e a Auto-estrada Transmontana. Na segunda metade da via já considerada pelo anterior Governo como “a auto-estrada da justiça”, a pouco e pouco vão sendo inaugurados vários lanços, mantendo-se a previsão da sua conclusão, na totalidade, em Setembro de 2012, sendo de sublinhar que, até ao próximo mês de Novembro, deverão estar já concluídos os nós de Lamas de Orelhão e de Mirandela Norte (cerca de 13 quilómetros de auto-estrada).



