Jorge Laranjinha, um dos membros do manifesto e dirigente da Associação de Criadores da Churra Galega Bragançana salientou à Lusa que a agricultura “está a ficar sufocada”, porque os produtores “estão a pagar cada vez mais para produzir a mesma coisa” devido ao aumento do preço dos combustíveis e, por sua vez, dos adubos, fertilizantes, o que vai provocar “o abandono das explorações e do território”.
Por isso, as organizações pedem ao Governo para “atacar nos aumentos que estão a acontecer nos combustíveis” e “tabelar o máximo de aumento”, mas também “intervir na questão dos fertilizantes, das matérias-primas associadas à maquinaria e aos equipamentos”.
Outra das reivindicações é o ajustamento dos apoios à montanha e sequeiro, com medidas agroambientais e fundos comunitários adaptados às necessidades da região.
Para Jorge Laranjinha, o Governo tem de “criar novas formas de financiar a permanência dos agricultores nas regiões”, com “apoios diretos e indiretos à produção”, que permitam investir no setor, ainda mais agora com o aumento dos custos de produção.
“Tem de haver outra forma de olhar para agricultura. A agricultura é a base da economia nacional, se não olharmos dessa forma, então estamos a governar mal, estamos a fazer mal as coisas. (…) Tem de haver aqui uma mudança política geral, não é só setorial, tem de haver uma mudança radical nos governos, neste e nos futuros, têm de olhar para a agricultura com outros olhos (…) e atribuir o valor que agricultura, a floresta e a pecuária têm na economia portuguesa”, apontou Jorge Laranjinha.
As organizações agrícolas de Trás-os-Montes e Alto Douro mostraram-se solidárias com as reivindicações apresentadas pela CAP, solicitando a aprovação do pacote de emergência proposto pela confederação, que consiste num “pacote de 140 milhões de euros em medidas de apoio aos agricultores”.
Em 28 de setembro, a CAP exigiu ao Governo que avance com um pacote de 140 milhões de euros de medidas de apoio aos agricultores, alertando que se não houver medidas para recuperar a competitividade do setor a convocação de protestos “será inevitável”.
A decisão foi tomada por unanimidade na reunião extraordinária do Conselho de Presidentes da CAP, que decorreu em Lisboa.
A CAP referiu que, “com os 60 milhões de apoios já anunciados, que são um valor manifestamente exíguo face às medidas de apoio concedidas por outros governos, e nomeadamente pelo Governo espanhol que ascendem a 1.100 milhões de euros, o valor total de 200 milhões (60 milhões já concedidos + 140 milhões a conceder) é o mínimo indispensável para mitigar o brutal fosso de competitividade que existe atualmente”.
Adiantou ainda que cerca de 100 dirigentes associativos agroflorestais de várias regiões do país vão concentrar-se, na segunda-feira, junto ao parlamento para entregar ao presidente da Assembleia da República e aos grupos parlamentares do PSD, Chega, PS, IL e CDS a mesma carta de exigência que será entregue ao primeiro-ministro.




