Sábado, 16 de Outubro de 2021

Os quatro pilares da sabedoria

Eis que temos que reiniciar a corrida. Tempos houveram em que partimos uns metros à frente da linha de partida. Outros, na linha de partida. Infelizmente, desta vez, vamos arrancar muitos metros atrás. E vamos arrancar já muito cansados, envelhecidos, fartos de andar sempre a correr, de cortar metas com a promessa de que, daquela vez, seria a última. Mas, logo após, pediam-nos mais um esforço, e mais um a seguir, logo outro adiante. Nascemos a correr atrás de um futuro risonho, passamos a vida a correr atrás dele, vimos companheiros a ficarem para trás, outros a falecerem sem nunca vislumbrarem a meta, e nós sempre a correr. E de cada vez que parávamos, cansados, logo aparecia uma voz a dizer-nos: “Vamos lá! Mais um esforço! Agora é que é!” E lá íamos, sapatilhas rotas de galgar tanto asfalto, na miragem de que a voz que nos mandava correr, dessa vez, falasse verdade.

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Até que há dias, soubemos que as nossas corridas tinham sido em vão. O futuro não quer nada connosco, estamos falidos, vivendo de esmolas que temos que mendigar diariamente. As nossas fábricas não passam de mausoléus, lembrança de tempos em que produzíamos o que gastávamos e ainda sobrava para vender no estrangeiro a quem não o tinha. Era o tempo dos industriais portugueses, de cá. Depois, vieram as grandes empresas estrangeiras, aliciadas por benefícios fiscais e baixos salários, e infestaram o país. Da mesma forma que cá chegaram, assim saíram, logo que outros lhes ofereceram as mesmas regalias, mas a preço menor. É a crise – dizem. Crise de quem assenta a sua economia em

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