Desde Janeiro, até ao dia 15 de Outubro, altura em que se deu por terminada a fase de maior risco de incêndios florestais, o distrito de Vila Real registou uma redução, em relação a 2006, de 42 por cento, no que diz respeito ao número de incêndios, e de 78 por cento, quando se fala de área ardida. No entanto, Outubro tem-se mostrado um pouco mais problemático, com mais 100 incêndios contabilizados, até à última Segunda-feira.
Segundo dados da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), no distrito de Vila Real, entre os dias 5 e 22 de Outubro, contabilizaram-se 109 incêndios, números que contrariam a tendência de redução do número de ignições que se registou este ano. Uma situação explicada pelo Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS), com o regresso da utilização do fogo nas actividades agrícolas e de pastorícia, depois de um período de proibição, estabelecido no decorrer da fase considerada de maior risco de incêndios florestais.
“A grande maioria dos incêndios, registados em Outubro, surgiram como consequência da utilização do fogo, na actividade agrícola e de renovação de pastagem”, explicou Carlos Silva, Comandante Operacional Distrital de Vila Real, sublinhando que essas actividades foram adiadas, durante o período considerado de maior risco, e regressaram, agora, em força, aos campos vila-realenses.
O mesmo responsável garantiu que os incêndios não tomaram proporções maiores, ao nível da área ardida, devido à eficácia da primeira intervenção e à humanidade dos combustíveis, deixando, ainda, um apelo, para que as pessoas “tenham uma atenção redobrada, na execução desse tipo de tarefas, para que não ocorram mais incêndios”.
Só no último fim-de-semana (de Sexta-feira a Domingo) os bombeiros vila-realenses foram chamados a combater 27 incêndios, sendo ainda de realçar que, no dia 22, Segunda-feira, foram 16 as ignições registadas.
Os dados foram divulgados durante uma conferência de imprensa em que o Governo Civil e o CDOS de Vila Real fizeram o balanço dos incêndios florestais, nos dez primeiros meses do ano, período de tempo em que se registaram 1.269 fogos e 3.988 hectares de área ardida.
“Terminado o ano de 2007 (no que concerne à época de incêndios florestais), verificamos que cumprimos os objectivos a que nos havíamos proposto. Quer o número de incêndios, quer as áreas ardidas diminuíram, consideravelmente, em relação a 2006” sublinhou António Martinho, Governador Civil de Vila Real, realçando, ainda, que “quando comparados com as médias dos últimos anos, verifica-se, igualmente, uma clara diminuição de ignições, em média, no distrito (58 por cento), havendo concelhos com mais de 80 por cento de redução de ignições e 93 por cento, em média, na área ardida”.
O responsável político considerou estes resultados “positivos, sendo consequência do forte empenho de mais de 1200 homens e mulheres do nosso distrito, enquadrados nas mais diversas entidades, nas quais se destacam os Bombeiros Voluntários, os Militares da GNR, nomeadamente, dos seus Serviços de Protecção da Natureza (SEPNA) e do Grupo de Intervenção de Protecção e Socorro (GIPS), os Agentes da PSP, as Equipas de Sapadores Florestais das diferentes organizações de produtores florestais, o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (Parque Nacional da Peneda-Gerês e Parque Natural do Alvão), os Militares do Exército, através do RI 13 e do RI 19 (este ano com um significativo aumento dos efectivos disponibilizados), assim como do envolvimento, muito significativo, dos Municípios, através dos seus Gabinetes Técnicos Florestais, das candidaturas efectuadas ao abrigo do Programa do Voluntariado Jovem para as Florestas, do Instituto Português da Juventude, e dos Programas Ocupacionais do IEFP”.
“Podemos, assim, referir que os factores decisivos para estes resultados foram uma mudança de comportamentos das nossas populações, em resultado das diferentes campanhas de sensibilização que se têm produzido, anualmente, a forte acção de vigilância e fiscalização, desenvolvidas pelas autoridades policiais, um ataque inicial forte e agressivo, os factores meteorológicos que se revelaram extremamente desfavoráveis à eclosão e propagação dos incêndios florestais e a maior interactividade entre os agentes envolvidos nas operações”, considerou António Martinho, salientando que “os resultados de 2007 devem servir de incentivo para se continuar a investir na organização e na prossecução dos objectivos do Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios”.
Maria Meireles





