As passagens de nível sem guarda são vulgares, no troço da Linha do Douro, entre Barqueiros e Rede. São os próprios donos dos terrenos onde a linha passa que abrem ou fecham as cancelas.
O abalroamento de uma viatura, por um comboio, na Linha do Douro, ocorrida por volta das 21 horas de Domingo, numa passagem de nível sem guarda, no lugar da Quinta do Bernardo, Barqueiros, poderia ter consequências trágicas.
“Vi a morte à minha frente” – afirmou Paulo Rodrigues, de 40 anos de idade, deixando transparecer o seu estado de espírito, após o seu carro ter parado em cima da via-férrea, vendo, a poucos metros de si, o comboio avançar, na sua direcção. A morte passou ao lado dele e também de dois filhos, de 7 e 9 anos, os quais estavam no interior da viatura e que conseguiram fugir, rapidamente, após o pedido aflitivo do seu pai.
“Não sei porque razão o carro foi abaixo”, sublinhou.
A composição que tinha saído da estação de Peso da Régua seguia na direcção do Porto e acabaria por bater, estrondosamente, na viatura, arrastando-a cerca de cinquenta metros, projectando–a contra um muro da linha e destruindo-a, completamente.
“O comboio surgiu numa curva, a poucos metros, e não deu tempo para nada”– contou Paulo Rodrigues.
Antes de passar a linha, o filho mais velho, de 15 anos, estava a abrir as cancelas.
“Era noite, viu as luzes do comboio e deu o alarme” – sublinhou.
Uma testemunha ocular contou que “o maquinista nem sequer teve coragem de sair da máquina. Tremia por todo o lado”.
Paulo Rodrigues, na noite do acidente, ficou em estado de choque e também não teve coragem para aparecer, quando os Bombeiros Voluntários de Mesão Frio apareceram, no local.
A GNR de Mesão Frio tomou conta da ocorrência e a circulação, entre Barqueiros e a Régua, esteve suspensa, cerca de meia hora.
O local onde se deu o embate fica num troço da linha do Douro situado entre as estações de Barqueiros e Rede, ambas pertencentes ao concelho de Mesão Frio. A via-férrea divide os vinhedos de algumas quintas, daí que, neste troço, de cerca mil metros, existam quatro passagens de nível sem guarda. Ou melhor, algumas com velhas cancelas, outras apenas com uma corrente. Sem guardas de nível, são os proprietários que têm de abrir e fechar as rudimentares protecções de segurança, sendo que algumas passagens ficam em cima de curvas e não têm, sequer, sinalização de aproximação de comboio, em movimento.
De referir, ainda, que Paulo Rodrigues é caseiro de uma quinta pertencente ao pai do piloto português Tiago Monteiro.
Jmcardoso



