Quinta-feira, 11 de Agosto de 2022

Para o ano há mais…

Os números ainda podem ser provisórios, mas a certeza é de que se “fez história em Vila Real, no Douro e na região Norte”. Cerca de 200 mil pessoas resistiram estoicamente às altas temperaturas e sentiram in loco a emoção das altas velocidades, e mais de 60 milhões, espalhadas por todo o mundo, viram o Circuito pela televisão. Em 2016 há mais… e quem sabe numa pista “ainda mais espetacular”

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“Já vai escrever sobre as corridas? Escreva só coisas boas, porque para o ano queremos mais!”. Foi desta forma que, junto à porta da redação do jornal, quando já pouco faltava para as 22h00 de domingo e todos os motores estavam já silenciados, tivemos a última reação sobre o Circuito Internacional de Vila Real Realvitur Angola Tintas Europa, um evento que durante três dias mostrou a milhões de pessoas por todo o mundo a verdadeira paixão pelo automobilismo.

Até à hora de fecho desta edição, ainda não eram conhecidos os dados definitivos em termos de espetadores, à volta do circuito e através das emissões televisivas da Eurosport e TVI24, nem tão pouco o retorno económico e financeiro que o evento teve na região, no entanto, Rui Santos, presidente da Câmara Municipal de Vila Real, foi perentório a classificar o 45º Circuito Internacional como a maior “operação de marketing territorial conseguida à volta de um evento” na região.

Apesar de explicar que os estudos sobre o impacto das corridas ainda estão a ser ultimados e que deverão ser conhecidos nos próximos dias, o autarca sublinha que a ideia “unânime” é de um “balanço extremamente positivo”. “Tivemos público, provavelmente mais de 200 mil pessoas (dado avançado pela organização do WTCC e pela Eurosport), paixão, acidentes (felizmente pouco graves). O Circuito Internacional provou, como sempre o dissemos, que é uma das melhores pistas da Europa e do Mundo”, sublinhou.

Somando um total de sete campeonatos, e mais de 200 pilotos a disputar as várias provas, foi no entanto o Campeonato Mundial de Carros de Turismo (World Touring Car Championship – WTCC), transmitida em direto pela Eurosport para 55 países que trouxe a dimensão “galática” ao circuito vila-realense, uma prova que, como voltou a frisar Rui Santos, “está garantida por mais dois anos”. “Já estavam garantidas as próximas duas edições. Mas, obviamente, as manifestações de apreço, quer de François Ribeiro, diretor geral do WTCC, quer dos mais de 250 jornalistas que cobriram o evento, deixam-nos satisfeitos e dão-nos força para continuar neste caminho, fazendo avançar ainda mais o circuito”, sublinhou.

Apesar de na sexta-feira e no sábado a moldura humana à volta da pista pareceu ter desiludido alguns, que chegaram mesmo a lançar um apelo ao público, quem circulou a pé à volta do circuito viveu de perto o espírito e a paixão vila-realense pelas corridas, com os rostos “colados” às grades, as bancadas improvisadas com andaimes, os quintais onde se faziam churrascos e as varandas “carregadas” de gente.

Mas a festa não se fez só na pista, os pilotos internacionais saíram à rua, apresentaram-se à cidade, contactaram com os fãs, fizeram duas sessões de autógrafos e deixaram-se apaixonar pelo espírito vivido em Vila Real.

Tiago Monteiro, o único piloto português a competir na prova mundial agradeceu várias vezes, publicamente, a forma como foi recebido e todo o apoio. O fim de semana “não foi o melhor em termos de resultados, mas não me vou esquecer tão cedo!”, frisou já depois de ter deixado a capital de distrito vila-realense.

 

“As corridas estão pagas”

 

Com uma receita idêntica à despesa, na ordem dos 1,5 milhões de euros, “as corridas estão pagas”, garantiu à VTM Rui Santos, defendendo no entanto que o importante agora é quantificar o retorno económico e financeiro do evento, que, à partida, acredita ter sido “brutalmente positivo”.

Em 2013, com a realização do WTCC no Circuito da Boavista, calculou-se que o impacto para a região norte tinha sido de 87 milhões de euros. “Vila Real superou a Boavista, portanto tenho a espectativa que o retorno para a região tenha superado, ou pelo menos igualado, o valor que na altura foi referenciado em relação ao circuito da Boavista”, defendeu o autarca.

“Claramente, posso dizer que nem nos meus melhores sonhos imaginava há dois ou três anos que era possível fazer em Vila Real um evento desta dimensão e com este sucesso”, sublinhou.

O autarca revelou ainda que há repercussões do evento que não são quantificadas, como por exemplo o facto de, desde que foram anunciadas as corridas, terem dado entrada na Câmara “dois ou três projetos no âmbito da hotelaria”, projetos que não se sabe ainda se irão ou não concretizar-se mas que só pelo facto de estarem a ser pensados já revela o impacto positivo do evento no desenvolvimento do concelho.

António Cunha, fundador das Tintas Europa, empresa patrocinadora das corridas, também fez um balanço muito positivo da 45ª edição do Circuito, classificando-a como “uma ideia brilhante, muito interessante para a região de Trás-os-Montes e também para o país”. “Realmente parece-me que está a ter um êxito formidável e por isso foi bem empregue este apoio financeiro que demos, que realmente prestigia o país e as nossas marcas”, explicou.

Sobre o futuro do patrocínio, o empresário não fecha as portas. “Naturalmente espero que a organização consiga arranjar um patrocinador bastante mais forte, no entanto, se isso não acontecer nós estaremos ao lado desta iniciativa, porque não a podemos deixar morrer”.

 

Mensagens vieram de todo o mundo

 

No balanço da realização das corridas, além de agradecer às centenas de pessoas que participaram na organização do evento, às instituições parceiras e ao público que “resistiu, incentivou e aplaudiu” até o último carro percorrer a pista, Rui Santos mostrou-se especialmente sensibilizado com as mensagens vindas do estrangeiro. “Recebi dezenas de mensagens de emigrantes espalhados pelo mundo, alguns a agradecer, sensibilizados pela forma como viram a projeção da sua terra natal, outros ainda a deixar a garantia que no próximo ano estarão cá. Houve pessoas que estudaram ou viveram em Vila Real que demonstraram saudades da nossa cidade, da região. Isso foi o que mais mexeu comigo, o que mais me emocionou”, concluiu o mesmo responsável político.

 

No próximo ano haverá melhorias

 

Apesar o balanço “extremamente positivo”, a organização reconhece a necessidade de algumas melhorias a fazer.

“Os parques de estacionamento funcionaram, a sinalética pode ser melhorada mas de forma global funcionou”, exemplificou o presidente de Câmara, referindo o problema de algumas bancadas estarem demasiado expostas ao sol. “No próximo ano essa será uma situação a corrigir porque com o calor tornou-se difícil a permanência de pessoas”, reconheceu.

Maria Meireles

Pedro Sarmento Costa

 

Macau vs Vila Real

 

Classificado como um dos circuitos automobilísticos “mais complexos do mundo”, o Circuito Urbano da Guia, em Macau, foi no último fim de semana muito comparado, em termos de espetacularidade, com a pista vila-realense. “Vila Real é um circuito muito difícil, muito exigente, posso dizer que este é… o Macau da Europa”, considerou mesmo François Ribeiro, diretor geral do WTCC, campeonato que até ao ano passado também passava pelo centro daquela cidade da República Popular da China.

Mas será que em Macau a paixão pelo desporto automóvel é vivida com o mesmo entusiasmo? A VTM encontrou à volta do circuito vila-realense quem sabe responder a essa pergunta…

“As condições são completamente diferentes. O Circuito é completamente vedado e as pessoas não conseguem estar próximo da pista a não ser que comprem bilhetes para as bancadas”, explicou Ricardo Almeida, um português natural do Porto que estudou e viveu 17 anos em Vila Real mas que há cinco vive em Macau.

Apesar de garantir que naquela cidade as pessoas também “são doidas por corridas” e que também se sente um forte apoio aos pilotos portugueses que participam nas provas lá disputadas, Ricardo Almeida reconhece que “o bichinho” que existe em Vila Real é diferente.

De férias em Portugal, e depois de se ter despedido há cinco anos da cidade transmontana, o espectador explicou que não quis perder a oportunidade de ver de novo as corridas e de rever os amigos. “Foi bonito ver o entusiasmo das pessoas” nas bancadas e ao longo de todo o circuito, testemunhou revelando que no Circuito de Macau o mais próximo que se consegue chegar da pista sem se comprar bilhetes deverá ser “a cem metros” de distância.

No entanto, quem não tem oportunidade de assistir as corridas dentro do recinto, nem por isso vive a emoção das velocidades com menos intensidade, isso porque em Macau os eventos automobilísticos organizados no circuito citadino são transmitidos em direto em vários ecrãs gigantes que são instalados em vários pontos da cidade.

Em relação à organização do evento, Ricardo Almeida deixou uma crítica à “falta de sombra nas bancadas”

Criado em 1954, o Circuito Urbano da Guia tem 6,1 quilómetros e um total de 19 curvas. Este ano o calendário do WTCC apresentou uma prova a realizar no Qatar que veio substituir Macau como etapa final do Campeonato.

MM

 

Centenas de voluntários garantiram o sucesso das corridas

 

Com a grande afluência de visitantes esperados no Campeonato do Mundo de Carros de Turismo (WTCC), a organização do circuito recrutou centenas de voluntários que constituíram uma mais-valia para o bom funcionamento do grande espetáculo. Para além da divulgação de informações, apoio técnico e distribuição de água e alimentos, os recrutas também tiveram a oportunidade de aceder a áreas mais restritas e de conhecer os seus ídolos do mundo automóvel.

Como não podia faltar, a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) também marcou posição naquele que foi o evento do ano, com uma equipa de voluntários que divulgou o seu nome pela área envolvente.

Marisa Ribeirinho, estudante e voluntária da UTAD, explicou que a sua função consistia basicamente em ser uma espécie de Relações Públicas. “Representamos a nossa universidade de forma a fazer publicidade aos cursos, informamos acerca de como é lá estudar, onde se situa, qual a nossa oferta, como é o ambiente… É uma divulgação feita quer em inglês, português ou espanhol”, disse Marisa Ribeirinho enquanto fazia uma distribuição de brindes, entre os quais bonés, fitas e panfletos, pelos que por lá passavam.

A aluna, que sempre foi fã das corridas, referiu que é um orgulho “vestir a camisola da UTAD dentro e fora da instituição”. Ainda assim, a parte que lhe deu mais gozo, foi ter a oportunidade de conhecer alguns dos seus pilotos favoritos. “Temos a oportunidade de tirar fotos com altos nomes do circuito automóvel. Conseguimos falar com eles e pedir autógrafos, são todos extremamente simpáticos e brincam um bocadinho connosco”, contou.

Satisfeita com o facto de levar o nome da universidade mais longe, Marisa Ribeirinho afirmou que é importante fazer esta divulgação ao máximo e como tal, aproveitar um evento de repercussão mundial para passar a palavra. “Distribuímos folhetos com a listagem dos cursos e outros com informação sobre a nossa aplicação, que incentivamos a descarregarem. Também já tivemos alguns estrangeiros a fazerem perguntas muito específicas sobre os cursos e a manifestarem interesse acerca do nosso ensino, portanto já vai além-fronteiras”, concluiu.

CM

 

Presidente sentiu atrás do volante o apoio da população

 

Rui Santos, presidente da Câmara Municipal de Vila Real, disputou o Trofeo Arbath e apesar de reconhecer o seu amadorismo até nem ficou entre os piores, conseguindo o 9º lugar em 15 pilotos em prova.

“Foi uma experiência fantástica. Conquistei um sonho de criança no ano passado, ao ter corrido pela primeira vez neste extraordinário circuito. Este ano voltaram a convidar-me para fazer este troféu e não resisti”, explicou o autarca.

Depois de percorrer o circuito três vezes e disputar duas provas, Rui Santos testemunhou à VTM o apoio que recebeu por parte da assistência ao longo de todo o percurso. “Tive a oportunidade de fazer uma volta já depois da bandeira vermelha ter sido apresentada. Abri os vidros e pude ouvir com satisfação as pessoas a incentivarem-me, a aplaudirem, aquilo que não se ouve quando se está com os vidros fechados e concentrado a conduzir”, recordou.

A experiência “complicada” que envolve altos “níveis de adrenalina” é exigente fisicamente mas também psicologicamente, uma vez que é necessário “saber dosear o entusiasmo” sobretudo “quando não se tem experiência como piloto”.

Ainda assim, tal como no ano passado, Rui Santos decidiu aceitar o desafio de correr, com o objetivo de “ajudar a projetar o circuito e demonstrar a paixão que os vila-realenses têm pela velocidade”, fazendo ao mesmo tendo todos os possíveis para “não prejudicar os pilotos” que lutavam por um lugar no pódio.

Sobre o regresso à pista no próximo ano, o autarca não deixa garantias e reconhece que, para quem não está fisicamente preparado “é difícil”.

MM

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