Quinta-feira, 11 de Agosto de 2022

PCP denuncia falta de material nos hospitais

Apesar da situação não ser exclusiva ao Centro Hospitalar transmontano, tem dificultado as condições de trabalho dos profissionais de saúde. Batas, papel, lençóis, soro, medicamentos e até cobertores na lista das faltas constantes

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Maria Meireles

 

 A Direção da Organização Regional de Vila Real (DORVIR) do Partido Comunista Português (PCP) denunciou, no dia 23, em conferência de imprensa, que além da falta de profissionais, o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro tem registado várias falhas constantes de material.

“Falta papel para as marquesas, os lençóis, espéculos para os termómetros auriculares, copos de plástico para o chá das crianças, soro e medicamentos”, testemunhou Manuel Cunha referindo mesmo que “vai-se inclusive ao ponto de se pedir aos doentes que tragam cobertores”.

Segundo o comunista, a situação, denunciada por utentes, mas também pelos médicos, “é assustadora” e é fruto dos cortes no financiamento dos hospitais, que “começam a ter consequências concretas no seu funcionamento”.

Reconhecendo que a saúde tem sido alvo de denúncias constantes por parte do PCP, Manuel Cunha adverte, no entanto, que isso se deve a um cenário que está em “agudização”. “Não fosse o espírito notável de solidariedade de todo o pessoal que trabalha nos hospitais, médicos, maqueiros, assistentes, técnicos, etc., e estaríamos perante uma catástrofe”, enalteceu o mesmo responsável político.

O PCP acredita que “os hospitais estão a divagar com orçamentos quase semanais, atribuídos a conta-gotas”, um modelo de financiamento que obriga a que as contas sejam feitas “ao euro”, tipo “contas de merceeiro”, o que leva ao seu estrangulamento.

“É urgente o reforço de meios, nomeadamente pela contratação a tempo inteiro dos profissionais necessários. Só no que ao CHTMAD diz respeito, faltam dez médicos de Medicina Interna e dez médicos anestesistas, enfermeiros e assistentes operacionais”, contabilizou Manuel Cunha considerando inaceitável soluções precárias, “como a contratação de serviços de empresas para garantir a resposta necessária a todos os utentes e a defesa do Serviço Nacional de Saúde, contra a política criminosa que este Governo tem protagonizado”.

Perante o anúncio de que foram já lançados os concursos públicos para a contratação de 18 médicos para o Centro Hospitalar, o comunista sublinha que dos concursos até a contratação efetiva dos profissionais “passa muito tempo”, isso quando “se cumpre”. “Chegou-se a um ponto que os hospitais adiam as contratações para poupar mais um mês nos salários”, acusou.

Recordando ainda a falta de camas nos serviços de medicina interna, o PCP garante que com o rol de denúncias não pretende “lançar o pânico” mas sim “defender o direito das populações em aceder aos cuidados de saúde e dos profissionais de trabalhar com condições”.

 

Manifestação no Mercado Municipal “contra a exploração e o endividamento”

 

Durante a conferência de imprensa, António Serafim, da DORVIR, mas também coordenador da União de Sindicatos de Vila Real, apelou à participação da população numa concentração que vai realizar-se no dia sete de março, junto ao Mercado Municipal.

A iniciativa engloba-se na “grande manifestação” agendada pela CGTP Intersindical Nacional, que vai decorrer em todas as capitais de distrito e que pretende chamar a atenção para o “aumento da exploração, das desigualdades, da pobreza e da exclusão social”.

Através da atual “política de direita” foram feitos “cortes significativos nas despesas com a educação, saúde e prestações sociais”, sublinhou António Serafim, recordando, entre outros números, a redução, entre 2011 e 2015, de 1.364 milhões de euros (menos 15,5 por cento) na educação, de 371 milhões de euros (menos 4,5 por cento) na saúde, de 228 milhões (menos 43,9 porcento) no Rendimentos Social de Inserção e de 73 milhões de euros (menos 26,9 por cento) no Complemento Solidário ao Idoso.

“O número de desempregados aumentou e 68 por cento destes não têm direito a qualquer apoio”, sublinhou o mesmo responsável apelando para que as pessoas se unam à luta no próximo dia sete.

De recordar ainda que para o dia 13 está marcada uma greve dos trabalhadores da Administração Pública.

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