Pia, era a inocência

Pia, era a inocência dos que estavam na aurora da vida. Até que a Casa medonha os arrastou para o inferno do ocaso. Que poderiam esperar crianças sem mácula, que lhes solidificasse o carácter, alimentasse a essência do bem, embalasse os sonhos? A carícia da mão de um pai no rosto frágil? O embalo do peito de uma mãe raiando de amor?

O aconchego de um lar onde o calor brotasse das fogueiras invisíveis da alma? E se isso não fosse possível porque o mundo dos progenitores nem sempre se compadece com a responsabilidade da criação? Então, restava-lhes o amparo frio do Estado que tomasse conta dos seus filhos deitados ao abandono. Frio seria sempre, mas longe da gélida crueldade do crime hediondo, do abuso demente, da violação brutal, do saciar de instintos monstruosos. E a pele macia da mãe, os lábios quentes da mãe, foram tomados pelas rugas senis dos depravados, pelos pêlos retorcidos dos ogres, pela força de braços robustos apertando a carne tenra dos mártires, pelas mãos calejadas de pecado abafando gritos de dor

Artigo exclusivo PREMIUM

Tenha acesso ilimitado a todos os conteúdos do site e à edição semanal em formato digital.

Se já é PREMIUM, Aceda à sua conta em

ARTIGOS do mesmo autor

NOTÍCIAS QUE PODEM SER DO SEU INTERESSE

ARTIGOS DE OPINIÃO + LIDOS

Notícias Mais lidas