Mais uma vez, a prevenção e a primeira intervenção são pontos essenciais no combate nacional ao flagelo dos incêndios florestais. Em Vila Real, a aposta não foge à regra e, depois de aprovado o Plano Operacional Municipal para 2008, está prestes a começar uma campanha de sensibilização à sociedade civil. Do dispositivo, é de realçar a criação de mais uma equipa de sapadores florestais e o empenho de cerca de meia centena de homens.
“Nos próximos 15 dias, vamos iniciar a campanha de sensibilização, com a distribuição de folhetos, pelas Juntas de Freguesia e pela população, em geral”, explicou Domingos Madeira Pinto, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Vila Real, confirmando que foi já aprovado o Plano Operacional Municipal (POM) para 2008 da Comissão Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios de Vila Real (CMDFCI).
Segundo o mesmo responsável que também preside à Comissão Municipal, a informação distribuída relembra, a toda a população, as questões de segurança, no que diz respeito aos incêndios florestais, como a necessidade de manter limpa “uma faixa de 50 metros à volta das habitações, estaleiros e armazéns, oficinas e outras edificações, nos espaços rurais”, e de “100 metros à volta dos aglomerados populacionais, parques, polígonos industriais e aterros sanitários, inseridos ou confinantes com áreas florestais”.
Os folhetos a distribuir frisam, ainda, que “entre 1 de Julho e 30 de Setembro, sempre que as condições climatéricas sejam críticas, é proibido fazer fogueiras e queimas” e que, mesmo nos restante períodos, “é necessário pedir licenciamento, na Câmara Municipal, para o fazer, sendo que estão previstas coimas que vão dos 140 aos 600 mil euros, para os prevaricadores. Entre outras informações, os documentos focam algumas medidas de carácter preventivo, no que diz respeito à utilização do fogo, durante a época de maior risco.
No âmbito da prevenção, Domingos Madeira Pinto explicou, ao Nosso Jornal, que a CMDFCI também tem vindo a desenvolver um conjunto de sessões de esclarecimento, pelas freguesias rurais dos concelhos, com o intuito de incentivar a criação das Zonas de Intervenção Florestal (ZIF) que, na prática, representam o agrupamento de proprietários para uma melhor gestão, aproveitamento e defesa da floresta.
“Estamos à espera de resposta, por parte dos produtores”, explicou o responsável pela Comissão Municipal, adiantando que, apesar de ainda não haver nenhuma, no concelho vila-realense, já existe uma ZIF, em fase de constituição, na freguesia de Vale de Nogueiras.
A CMDFCI integra a Guarda Nacional Republicana, a Polícia de Segurança Pública, as Corporações de Bombeiros do Município, a Direcção Geral de Recursos Florestais, os responsáveis das Associações de Produtores Florestais, o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade e o Regimento de Infantaria número 13.
Do Plano Operacional Municipal para 2008, a Comissão destaca, como outra novidade deste ano, a constituição da “nova equipa de Sapadores Florestais, em Vale de Nogueiras, da responsabilidade da Associação Florestal e Ambiental Natura Viva”.
Assim, no que diz respeito a unidades operacionais, o plano vila-realense conta, ainda, com duas equipas de cada uma das Corporações de Bombeiros do Município (cinco elementos cada), duas equipas da DGRF (cinco elementos cada), uma equipa de Sapadores do Exército (seis elementos) e uma equipa dos Sapadores da Campeã (seis elementos).
Apesar de não haver ainda confirmações exactas, relativamente à área ardida, no concelho de Vila Real, é de recordar que, em 2007, a época de incêndios foi marcada por um prolongamento inesperado das temperaturas mais quentes, o que levou a que, já fora da época considerada de maior risco, tenha havido um elevado número de ignições.
Maria Meireles



