Terça-feira, 19 de Outubro de 2021

População corta acesso às obras do Túnel do Marão em protesto

Nem as temperaturas negativas demoveram um grupo de populares que cortaram o acesso às obras do Túnel do Marão, na Campeã, durante mais de três horas. Em causa está uma série de reivindicações relativas à alegada falta de condições provocadas pelos trabalhos de construção daquele que vai ser o maior túnel rodoviário da Península Ibérica. Outra problemática sublinhada são os efeitos nefastos nas nascentes da zona das explosões excessivas.

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Cerca de quatro dezenas de residentes da freguesia da Campeã, em Vila Real, juntaram-se, no dia 25, como forma de protesto, junto ao acesso das obras do Túnel do Marão, impedindo a normal circulação dos veículos envolvidos nos trabalhos de construção daquele troço da auto-estrada.

Os populares queixam-se de “uma série de problemas” que fazem parte da realidade diária da freguesia desde o início das obras. “O excesso de velocidade dos condutores, o excesso de carga dos camiões, que acabam por encher de lama e pó a estrada, e a falta de passeios que garantam a segurança dos peões”, são algumas das questões enumeradas por Lino Carvalho, presidente da Junta de Freguesia.

Segundo o edil, há muito que “as reivindicações têm vindo a ser reclamadas”, e tem havido mesmo compromissos assumidos por parte das empresas responsáveis, embora muito deles ainda não passaram disso, de promessas.

“Há sensivelmente três semanas atrás, numa reunião na Junta onde estiveram presentes três engenheiros da Infratúnel e representantes da empresa que tira o material do túnel e faz o seu transporte e depósito no vazadouro, acordaram uma série de soluções para resolver alguns dos problemas, nomeadamente a implementação da lavagem dos rodados nos camiões, para que o pó e lama fossem menos na estrada nacional, e o contacto com a Estradas de Portugal para obter permissão para a criação dos passeios”, recordou o representante da população, revelando que, apesar de algumas questões terem melhorado, nomeadamente o excesso de velocidade e carga, outras ainda não passaram de intenções.

Mais, Lino Carvalho recorda que as empresas garantiram que a situação iria ser resolvida até ao dia 24. Mais tarde, renovaram o prazo para o dia “29 ou 30”, uma indefinição que levou então à manifestação da população que, de uma forma espontânea, decidiu cortar a estrada mantendo vários carros a impedir o acesso à obra entre as 19h30 e as 23h00.

O autarca frisou também uma outra problemática, a deterioração, na sequência de fortes rebentamentos, da “nascente do lugar do Fontão, que é utilizada para o regadio na freguesia”.

No que diz respeito a essa problemática, Albino Rebelo, presidente da Associação de Defesa do Ambiente do concelho de Vila Real, e do Conselho Directivo dos Baldios de Vila Nova, explicou, ao Nosso Jornal, que são várias as nascentes que podem “desaparecer” graças às obras do túnel. “As nascentes estão a ser muito prejudicadas devido aos rebentamentos excessivos. Estão a utilizar 400 ou 500 quilos de explosivos de uma vez”, criticou.

O dirigente recorda uma reunião em que os responsáveis pela empresa que está a construir o Túnel deixaram a garantia de que “iriam fazer rebentamentos de 150 a 200 quilos”, uma situação que, segundo Albino Rebelo, se alterou para “adiantar as obras”.

Até à hora de fecho desta edição não foi possível entrar em contacto com a empresa responsável pela obra.

Com um investimento previsto de construção de 350 milhões de euros e a mobilização 88 pequenas e médias empresas e mais de 1120 pessoas, o troço do Túnel do Marão vai somar 30 quilómetros de extensão, sendo que o túnel propriamente dito contará com 5,6 quilómetros.

O troço, que ligará os concelhos de Amarante e Vila Real, beneficiando directamente cerca de 120 mil habitantes, será depois complementado com a construção da chamada Auto-estrada Transmontana, que, com 186 quilómetros de via, e também já em obra, ligará a capital vila-realense a Bragança, num investimento de 500 milhões de euros, constituindo assim a totalidade da A4.

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