Em 2007, as estradas de Vila Real fizeram 13 mortos, uma quebra de 50 por cento em relação, por exemplo, a 2004, e de quase 75 por cento, quando se recordam os números trágicos de 1998, altura em que os acidentes de viação roubaram a vida a 48 pessoas. Uma redução que colocou Vila Real em quinto lugar nos distritos da União Europeia, no que diz respeito à sinistralidade rodoviária. Também a nível nacional, os últimos anos foram marcados por “progressos assinaláveis que nos trazem algum conforto, mas que nem por isso nos permitem descansar”. Agora, o “ambicioso” objectivo passa por colocar Portugal entre os dez melhores países da União Europeia.
Em 2007, morreram, nas estradas portuguesas, 854 pessoas, uma redução de mais de 50 por cento relativamente ao ano 2000, mas que o Governo está empenhado em que seja ainda mais significativa, desenvolvendo, para isso, a Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária (ENSR) 2007–2015, um plano apresentado, em Vila Real, no dia seis.
“O desafio nacional é colocar Portugal entre os dez países da União Europeia com as taxas mais baixas”, explicou Luís Farinha, Vice-Presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), sublinhando que “este é um desafio lançado a todos os cidadãos”.
João Queirós, do Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), entidade parceira na elaboração do ENSR, contabilizou que, nos últimos anos, cerca de 40 mil pessoas morreram, em consequência de acidentes de viação que resultaram ainda em mais de 190 mil feridos graves e mais de um milhão e 113 mil ligeiros.
“É como se uma cidade da dimensão de Viana do Castelo desaparecesse”, explicou o investigador, referindo que os números indicam que “pelo menos, um em cada dez portugueses já sofreu as consequências de um acidente de viação”.
“Estas são razões mais que suficientes para combater este drama”, considerou o mesmo responsável, sublinhando, no entanto, que, entre 1999 e 2006, Portugal foi o país campeão na redução da sinistralidade, registando uma taxa de 54 por cento, enquanto a média europeia se situa nos 20 por cento.
Vila Real foi um dos distritos portugueses que mais sucesso teve, quando se fala na redução do número de acidente e das vítimas mortais, tendo em conta que, no ano passado, perderam a vida 13 pessoas, nas estradas vila-realenses, ou seja, menos 35 que em 1998.
“Estes são números que nos orgulham, mas que também nos trazem uma responsabilidade acrescida”, explicou António Martinho, Governador Civil de Vila Real, sublinhado que a redução da sinistralidade se prende, sobretudo, com um conjunto de acções desenvolvidas ao nível da melhoria das infra-estruturas, aumento da fiscalização e da sensibilização dos condutores.
“Em relação ao IP4, parece que descobrimos o ovo de Colombo”, referiu o mesmo responsável político, congratulando-se com os dados registados nos últimos anos que apontam para uma significativa redução do número de acidentes, numa das vias outrora considerada como uma das mais mortais.
“Entre 2000 e 2007 houve uma redução de 79 por cento, no número de mortos”, sublinhou António Martinho, frisando, no entanto, que o Governo Civil vai continuar a desenvolver todos os esforços, para contribuir para a concretização da meta nacional de reduzir para metade o número de vítimas nas estradas portuguesas.
Ainda numa primeira fase, a estratégia nacional está a ser apresentada, em todos os distritos do país, com o objectivo de reunir a colaboração de todas as entidades, instituições e cidadãos em geral, para o desenvolvimento de várias medidas e acções. Para já, foram delineados dez grandes objectivos e prevista a criação de 15 grupos de trabalho que vão intervir em áreas como a melhoria e gestão das infra-estruturas, a formação e sensibilização da população, a revisão de aspectos como o processo de licenciamento de condução e do código da estrada, a melhoria do parque automóvel e o incremento da fiscalização, entre muitas outras áreas.
Na apresentação da ENSR, em Vila Real, foram deixados, desde já, alguns alertas ou necessidades, como a garantia da aplicação da justiça na punição dos prevaricadores, o apoio pós-traumático das vitimas, a intervenção nas estradas municipais e nacionais e, mesmo, a ajuda financeira para agentes no terreno, como os bombeiros e as próprias autarquias.
Ambicionando “uma redução de cerca de 32 por cento, no que diz respeito à mortalidade rodoviária” significa que, até 2015, poderemos poupar cerca de 2.700 vidas”, sublinhou João Queirós.
Maria Meireles



