Na zona de Murça e segundo a Cooperativa de Olivicultores local, a tendência aponta para uma estabilização nos 280 mil litros, um valor idêntico a 2007. Em relação à qualidade a expectativa é muito. Espera-se azeite de boa qualidade, tendo em conta as condições climatéricas registadas e a quase ausência de ataques da mosca da azeitona, uma das maiores pragas do olival português.
Uma fonte da Direcção Regional de Agricultura de Trás-os-Montes, DRATM, fez ao Nosso Jornal uma antevisão da colheita de azeitona na região transmontana e duriense. “Este ano vamos ter mais azeite e de boa qualidade. A produção pode variar num acréscimo entre os 5 e os 10 por cento. Esta tendência nota-se mais nos concelhos de Mirandela, Vila Flor, Alfândega de Fé, Carrazeda de Ansiães, Moncorvo, Macedo de Cavaleiros e em todo o vale da Vilariça. Porém, registaram-se alguns constrangimentos no olival situado em zonas mais baixas, devido às geadas, nomeadamente no concelho de Freixo de Espada à Cinta. Mas, será, sem dúvida, um bom ano de azeite para Trás-os-Montes. Tivemos boas condições climatéricas que permitiram uma boa produção”.
Este ano, os azeites da zona da Terra Quente serão caracterizados por terem pouca acidez. Existem cerca de 70 hectares de olival “protegido” em Trás-os-Montes, a área tem vindo a ser renovada com algumas plantações, havendo casos de olivicultores que aumentaram a sua área de cultivo.
O azeite da Casa Clemente Meneres, “Romeu” foi distinguido como sendo um dos melhores do Mundo. “Hajam boas práticas de colheita, produção e manutenção do olival e mais azeites transmontanos podem alcançar o mesmo desiderato”, disse fonte próxima da DRATM.
A 2 de Dezembro a Cooperativa dos Olivicultores de Murça começa a receber a colheita dos seus associados. Alfredo Meireles, Presidente da Direcção, fez um primeiro balanço oleícola, deste ano, na área de influência da agremiação. “A produção será idêntica à do ano anterior. Rondará um milhão e setecentos mil quilos, que se traduzirá aproximadamente em 280 mil litros de azeite. Em anos muito bons esta cooperativa chega a produzir 400.000 litros de azeite”. Em relação a qualidade do azeite, o responsável espera bons resultados. “A azeitona está muito boa. No ano passado houve requeima e a mosca em Outubro também atacou, e as condições climatéricas não foram favoráveis para um bom ano oleícola. Neste momento, a azeitona está numa fase de maturação óptima para a colheita. Embora a produção não seja muita, espera–se boa qualidade”, frisou. Alfredo Meireles, falou mesmo numa diminuição entre os 20 a 22 por cento no concelho, mas garantiu que a “qualidade está garantida”.
“O final da colheita está previsto para 16 de Janeiro”. O dirigente referiu-se ainda ao estado de maturação da azeitona e a postura dos olivicultores. “Não foi necessário calendarizar as entregas. Os associados vão entregando de acordo com a maturação. Por exemplo, os primeiros produtores a entregar a azeitona são da zona de Sobreira, que é um local de maturação mais rápida. A ‘Verdial’ que é uma variedade de difícil maturação já está pronta para ser apanhada. Mas, apesar de tudo, foi difícil sensibilizar os produtores para procederem à colheita mais cedo do que estavam habituados. Normalmente, apanhavam a azeitona quando ela já estava caída das árvores, prática esta que evitava grandes varejamentos que prejudicam as árvores. Agora, com os sistemas vibratórios as árvores sofrem menos e a produção do ano seguinte não fica comprometida, ao mesmo tempo que a utilização destes sistemas possibilita a estabilização das produções”.
A Cooperativa de Olivicultores de Murça tem à volta de 1000 associados, embora 70 por cento só produzem para auto consumo, sendo que a maioria dos associados tem entre 65 e 70 anos. No domingo vai realizar-se uma Assembleia-geral, onde Alfredo Meireles solicita a comparência de todos os associados para debaterem questões do seu interesse.
Neste território existe uma área de produção de azeite com a denominação de origem protegida “Azeite de Trás-os-Montes”, que ocupa 71 por cento da área do olival desta região.
Além do azeite, esta cooperativa está envolvida num projecto para a produção de um combustível ecológico, aproveitando o bagaço derivado da extracção do azeite. Aqui, produz-se paletes para todo o tipo de caldeiras de aquecimento, ficando mais barato do que outros combustíveis como a lenha, o gasóleo ou o gás.
Registe-se que a remodelação do sector olivícola, que se verificou em Portugal nos últimos anos, levou ao encerramento, só na região transmontana, de várias dezenas lagares de azeite. De salientar, que em 1994 estavam em laboração, em Trás-os-Montes e Alto Douro, 243 lagares, tendo alguns encerrado por incumprimento do regulamento Comunitário, relativo ao licenciamento e às novas exigências ambientais. Em Trás-os-Montes e Alto Douro estima-se que existam perto de uma centena de lagares.



