Segundo Berta Santos, da direcção regional da CNA, numa reunião realizada no dia 27 pôde-se constatar “uma amostra” das repercussões do vendaval na produção em estufa da região, com alguns agricultores a apontarem perdas de 100 por cento nas suas produções e infra-estruturas.
“Não há qualquer mecanismo em termos de seguros para este tipo de produção”, explicou a mesma responsável, frisando que se os produtores, muitos deles jovens agricultores, não têm seguros sobre as suas estufas, não por descuido, mas porque não existem seguradoras que os contratualizem.
Sem se poder justificar com a obrigatoriedade da existência de seguros, como acontece quando as condições climatéricas adversas atingem outras produções ao ar livre, “resta ao Ministério da Agricultura apoiar” os agricultores atingidos por esta “calamidade”, defendeu a mesma responsável.
Sandra Ribeiro, que em sociedade com a cunhada lançou-se no desafio da produção em estufa de produtos hortícolas, recordou o “desânimo total” que sentiu ao ver a sua estufa completamente destruída, num prejuízo, ao nível das infra-estruturas, de cerca de 60 mil euros, sem contar com a produção que também ficou completamente arruinada.
Com 29 anos, a jovem agricultora produz, em Fonteita, concelho de Andrães, couves, repolhos, alfaces, cebola, alho e feijão que comercializa no concelho, num projecto que ainda não tem sete meses.
Jorge Alves, jovem agricultor, de 27 anos, também viu a sua estufa ser dizimada pelo vento, prevendo um avultado prejuízo ao nível das infra-estruturas mas também a destruição de 70 por cento da produção. “Agora, vou ter que começar tudo de novo”, lamentou o produtor de Carlão, no concelho de Alijó, que, há cerca de um ano e meio, investiu 120 mil euros numa estufa de flores cravíneas que vendia em Portugal e exportava, chegando a empregar, na altura do verão, 10 pessoas.
Berta Santos recorda que o problema vem juntar-se a um conjunto de outras questões que afectam a agricultura na região transmontana, problemáticas que, no seu conjunto, representa uma situação “aflitiva” para os agricultores.




