Segunda-feira, 15 de Agosto de 2022

Produtores transmontanos preocupados com vespa que pode dizimar castanha

Em Portugal o primeiro foco da praga foi detetado na região de Barcelos. Na região de Trás-os-Montes foi confirmada a presença da vespa em Carrazedo de Montenegro, concelho de Valpaços, havendo suspeitas de que possa ter chegado também à Bragança

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Os produtores de castanha em Trás-os-Montes estão preocupados com a vespa do castanheiro, praga que foi detetada recentemente na região e que, se não for combatida, pode eliminar 70 por cento da produção nos próximos anos.

“O receio da quebra de produção é fundamentado. Se nós não fizermos nada, em três a quatro anos temos uma redução da produção em Trás-os-Montes que pode atingir os 70 por cento”, afirmou, em Vila Real, no dia 27, o presidente da Associação Nacional da Castanha, RefCast, José Gomes Laranjo.

A região transmontana representa 80 por cento da produção de castanha em Portugal, representando um rendimento anual de cerca de 50 a 60 milhões de euros.

Depois de, em maio do ano passado, ter sido detetado o primeiro foco da vespa do castanheiro em Portugal, na região de Barcelos, foram agora notificados dois casos desta praga em Trás-os-Montes, um deles confirmado em Carrazedo de Montenegro, concelho de Valpaços, e outro por confirmar em Bragança.

Dinis Pereira, de São João da Corveira, Valpaços, é um dos produtores que está preocupado com mais esta praga que está a afetar os soutos. “Principalmente na nossa região, em que a economia assenta 80 ou 90% sobre a produção de castanha e estamos a ver que está tudo em risco de, dentro de dois ou três anos, não termos produção de castanha”, afirmou à margem de uma reunião dos associados da RefCast.

O produtor, que colhe cerca de 40 toneladas de castanha por ano, considerou que houve “um descuido muito grande” por parte de todos, desde produtores a entidades oficiais. “A ânsia de meia dúzia de pessoas de ganhar dinheiro fácil acabou por introduzir uma praga que já se esperava, mas que se esperava que não que fosse a tão curto prazo”, frisou.

José Gomes Laranjo explicou que os focos desta praga foram detetados em novas plantações, feitas este inverno e com castanheiros híbridos importados.“Castanheiros que não tinham os passaportes fitossanitários e que, infelizmente, na maioria deles, estava infetada, foram plantados um pouco por toda a região de Trás-os-Montes”.

Agora, segundo o também investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, é importante que os produtores estejam atentos às novas plantações, detetem os focos de infeção e atuem de imediato eliminando os galhos infestados.

Existe “uma janela de oportunidade de um mês para atuar e se fizermos uma ação drástica durante este mês conseguiremos ainda minimizar o impacto”, uma vez que durante esse período será possível ver os castanheiros infestados antes da vespa sair para ir contaminar as árvores adultas que estão a dar fruto.

A vespa aloja os seus ovos nos gomos dos castanheiros. Só quando estes formam novos ramos é que se percebem as deformações e inchaços nas folhas. Depois de infetados, os ramos não conseguem dar mais fruto.

José Gomes Laranjo referiu que estão a ser feitos ensaios a nível da luta biológica contra esta praga, que consiste na introdução nas áreas afetadas de parasitóides, insetos que são capazes de exterminar esta vespa.

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