Professores do 1º Ciclo: deixem-nos trabalhar!

A década de noventa talvez tenha sido a época de ouro do 1º Ciclo do Ensino Básico em Portugal, que o digam os homens e as mulheres que estão hoje a atravessar o quarteirão etário! Estava-se na consolidação das então Delegações Escolares, que haviam perdido toda a sua arrogância e despotismo do passado e possuíam agora um tipo de poder quase exclusivamente administrativo.

Os chamados Conselhos Escolares, formados por um mínimo de três lugares docentes, gozavam então duma autonomia, duma liberdade e duma competência tais, que permitiam aos docentes, livremente, embrenharem-se na ciência didáctica e pedagógica, na animação cultural e comunitária e sobretudo na troca de saberes, tornando-os práticos e reflexivos. E foi a época dos projectos e mais projectos e dos escudos pedinchados às Juntas de Freguesia, às Câmaras Municipais e mesmo aos Governos Civis. E angariava-se também o dinheiro a cantar os Réis pelas aldeias fora, a fazer rifas e sorteios e o certo é que, no final do ano, até se faziam Passeios Escolares à praia, ao Jardim Zoológico, a Lisboa, ou mesmo à Espanha!

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