Sábado, 16 de Outubro de 2021

Projecto “Suvidur” promove as boas práticas nas vinhas de encosta

Produzir orientações para a qualidade vitícola e gestão sustentável da viticultura da encosta, com a elaboração de uma zonagem, e editar um manual de boas práticas em viticultura de declive, são as grandes metas do projecto transfronteiriço “Suvidur”, em execução na Região Demarcada do Douro, já há dois anos.

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O presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, IVDP, Vilhena Pereira, fez o balanço do projecto e a explicação técnica ficou a cargo do professor da UTAD, Vicente de Sousa, numa sessão que decorreu anteontem, próximo de Vale Mendiz.

Mediante as características dos solos, o projecto irá possibilitar ao agricultor adequar o tipo de intervenção no terreno e escolher as castas mais adequadas. Tudo isto em nome de um equilíbrio que passa pela minimização dos impactos no meio ambiente, tendo em atenção a sustentabilidade económica da viticultura. “Basicamente, esta iniciativa passa pela delimitação de zonas homogéneas para o cultivo da vinha do ponto de vista dos solos, do clima, do relevo, etc. Depois, é feito o estudo do comportamento das castas nessas zonas homogéneas. Mais tarde haverá um trabalho complementar para ver como é que as diferentes variedades de vinho se comportam em cada um desses territórios homogéneos”, contou, ao Nosso Jornal, Vicente de Sousa, responsável pelo projecto.

O “Suvidur” seguiu várias fases de trabalho. Primeiro, foi executada a zonagem, onde se procedeu à análise do território através da fotografia aérea, com a delimitação de zonas que são homogéneas, cruzando também a carta geológica e a parte do clima. Dentro das zonas delimitadas fizeram-se análises e perfis dos solos, com a abertura de uma cova até à “rocha mãe” ou, no caso de não aparecer, até dois metros de profundidade, sendo depois recolhidas amostras, que serão analisadas no perfil. O projecto visará ainda a recolha de informação acerca do comportamento bioclimático das principais castas, com a elaboração de um manual de boas práticas na viticultura de encosta.

“O interesse do IVDP em liderar este projecto, passa por obter instrumentos que permitam plantar melhores vinhas, colher melhores uvas e fazer vinhos de melhor qualidade”, sublinhou Vilhena Pereira.

O responsável salientou ainda que o manual de boas práticas terá a ver com a sustentabilidade dos vinhedos em territórios em encosta. “A vinha nas encostas do Douro levanta problemas muito específicos quando há desmoronamentos e arrastamentos. Daí resulta o nosso objectivo dar maior sustentabilidade geomorfológica a todo o vinhedo da região e torná-la mais segura do ponto de vista de quem a trabalha, quem a visita e de quem a percorre”, concluiu. O produtor vai ter acesso a todo o manual de boas práticas, provavelmente através do IVDP.

Nesta fase de caracterização do território foi usada uma metodologia desenvolvida pela Universidade Politécnica de Madrid, que já fez este trabalho em milhares de hectares, quer em Espanha, quer na América Latina. Para o efeito, aproveitou o financiamento de um Programa Transfronteiriço (POCTEP), que obriga a que haja acções similares nos dois lados da fronteira. O território abrangido na parte portuguesa é a Região Demarcada do Douro, e na espanhola é a região das Arribes.

Para além do IVDP, em Portugal, estão envolvidas várias entidades, como a Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Em Espanha, a entidade promotora do projecto é o Instituto Tecnológico Agrário de Castela e Leão.

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