Quinta-feira, 21 de Outubro de 2021

Projecto vai promover criação de cabras como medida de prevenção

Na maioria dos incêndios que afectam a região do Vale do Douro, “é fácil observar que, junto às florestas e aos bosques, também se incendeiam áreas agrícolas que outrora estiveram, mas já não estão, cultivadas”. Recuperar esses terrenos como forma de prevenção, revitalizando ao mesmo tempo a criação de gado caprino e dinamizando o desenvolvimento local, são os objectivos de um projecto que vai fazer renascer o sector da agro-pecuário na região transfronteiriça entre Portugal e Espanha

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Durante o primeiro semestre deste ano, o Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Duero-Douro vai arrancar com o projecto “Self-Prevention”, um modelo auto-organizativo para a prevenção de incêndios florestais que passa pela introdução de cerca de 150 mil cabras na região transfronteiriça do Vale do Douro e um investimento superior a 48,5 milhões de euros.

Este projecto tem como base “a reintrodução no território de gado caprino, como medida efectiva para a luta contra os incêndios”, explica fonte da AECT Duero-Douro, referindo que o objectivo é que “as cabras efectuem a limpeza dos campos, muitos deles abandonados, como medida sustentável capaz de eliminar grande parte da matéria vegetal, que cobre hoje o que antes eram terrenos dedicados à agricultura ou aos pastos”.

A mesma fonte explica que para a concretização do programa, “se implantará um modelo inovador de gestão do território baseado na criação de um sistema de governação local transfronteiriço e integrador de políticas municipais, que assegurarão a gestão meio-ambiental em matéria de prevenção de incêndios florestais”. Ou seja, será constituída uma empresa agro-alimentar, “uma Sociedade Gestora de Participações Sociais S.A. com 51 por cento de participação pública e 49 por cento privada”, que terá as populações locais como sócias, cedendo estas, ao projecto, terras para pasto ou dinheiro. “Isto traz um duplo benefício para os participantes, que, para além de contribuírem para a redução dos incêndios, obterão os benefícios como associados da empresa, em função da sua cedência de capital à mesma”.

Quando estiver a funcionar em pleno, a nova empresa será responsável pela criação de 558 novos postos de trabalho e pela promoção da “profissionalização e rentabilização da actividade pecuária através da contratação de pastores, queijeiros, comerciais, motoristas, marketing, etc.”. Mais, calcula-se a produção de mais de 23 mil e 520 litros de leite e perto de 189 mil cabritos, estimando-se assim receitas anuais na ordem dos 30,4 milhões de eruos.

Através do projecto serão introduzidos no território transfronteiriço 60 rebanhos e criadas 12 queijarias, uma central de comercialização, 15 lojas, dois matadouros, uma plataforma logística de transporte e distribuição, um serviço de exploração de biomassa e “serviços indirectos de aproveitamento turístico em torno da cabra”.

Do lado português, as primeiras localidades a mostrarem interesse em acolher equipamentos e disponibilizar terrenos para o pastoreio do gado caprino foram Bruçó (Mogadouro) e Aldeia Velha (Sabugal) e Vimioso.

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