Quarta-feira, 17 de Agosto de 2022

Quaresma, Sobriedade, Solidariedade e Mudança

A indiferença vai de mãos dadas com o bem-estar, a auto-suficiência, avareza, luxúria e a violência, inveja e competitividade. É pouca a coragem de fazer bem. Poucos querem saber do irmão, da conversão e renúncia. Se tudo é permitido, se não há sobriedade e reina a impunidade, se não há limites, que vale a Quaresma? Brinca-se, com tudo, sem lágrimas, nem piedade, sendo a pessoa coisa venal e descartável. Reina a indiferença, o desprezo do quanto pior melhor cínico que diz: "comamos e bebamos que amanhã morreremos". Pode a Quaresma mudar o mundo? Há esperança para o ser humano, que fez da libertinagem o seu código de conduta? Soa, provocador, o dito de Jesus:

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Será que o Filho do Homem quando voltar ainda vai encontrar a fé sobre a terra?

Quanto mais podre está a sociedade, mais preciso é diagnosticar e curar os males. Há que insistir na esperança da Quaresma ser o tempo favorável da mudança, a acertar agulhas e arrepiar caminho, rumo à sociedade justa e solidária das pessoas renovadas, com valores e atitudes diferentes das que reinam, no mundo. Não há Quaresma, sem Páscoa, nem Páscoa sem Quaresma. Ambas fazem parte da vida e mistério de Cristo e do caminho do discípulo, seguidor e testemunha do Ressuscitado. A Páscoa assinala a mudança, a passagem e retorno de Jesus ao Pai. A Quaresma, o período dos Quarenta Dias, aponta e leva à Ressurreição e é a marca da vida moderada, sóbria, fraterna e solidária, aberta à compaixão das lágrimas. É tempo de oração, renúncia e partilha, preparação da festa de Jesus, morto e ressuscitado. O que se passou, com Ele, vai passar-se connosco, graças ao amor e eficácia da Sua Vitória Pascal. A Páscoa exorta a viver o mistério da morte e ressurreição, o retorno do Filho ao Pai, donde veio, para nos dar a vida. Não há Páscoa ou Quaresma, sem conversão, mudança, solidariedade, renúncia e morigeração. Evitemos o mal, façamos o bem e seremos felizes. "A glória de Deus é o homem vivo e o desejo do homem é ver a Deus", diz S. lreneu.

O Ressuscitado venceu o pecado e a morte para dar a vida divina, gloriosa e autêntica, a qual não se obtém, sem abertura a Deus e aos outros, sem o amor que faz feliz quem aposta, na solidariedade, na verdade e no bem, contra a 'globalização da indiferença' e a escravização dos outros. O remédio contra a apatia é fazer bem, evitar o ódio e o desinteresse. O culto das criaturas torna-nos escravos do efêmero, leva ao desespero, tristeza, auto-endeusamento e auto-suficiência, no 'eclipse de Deus'. A Quaresma leva à Páscoa da nova criação e da vida gloriosa, na ascese, conversão, dom de si, imitando Jesus que veio para dar a vida e renunciar ao poder. Leva à imitação de Cristo, à renúncia e à partilha. Deus encarnou, para termos "os sentimentos que existiam em Cristo Jesus" (Fil. 2,5), dando a vida, saindo de nós, pois, "há mais alegria em dar que em receber"(Act. 20,35). Há que anunciar Cristo, com alegria e convicção, sem medo, nem vergonha, amando os pobres, pois Deus quer ser servido, neles.

A renúncia é a penitência que nos impomos e a ressurreição esperada é precedida da paixão e morte de Jesus, que viveu a condição humana, morreu uma só vez, para, na carne assumida, viver, para sempre, com o Pai, na unidade do Espírito Santo. A dádiva do despojamento e sacrifício prepara a alegria duradoura de amar e ser amados, por Aquele que amou primeiro e nos surpreendeu, com a dádiva da vida, assumida, no seio de Maria Santíssima, e que Ele, voluntariamente, ofereceu, por nós, no altar da cruz.

A vida moderna é de progresso técnico e da comunicação, rápida e maravilhosa. O que sucede, aqui, é, logo, conhecido, no mundo. A informação torna o mundo diversificado e plural, aldeia global, bombardeada, por várias propostas e modos de viver e de ver, que não ajudam a amizade e a reconciliação. As pessoas vivem fechadas, no egoísmo e narcisismo, vítimas do progresso. Volta-se o feitiço contra o feiticeiro. Cresce a apatia, a indiferença e insensibilidade ao bem comum. Não há solidariedade. A informação faz a aldeia global, mas não ajuda, automaticamente, a amizade e a comunhão humana.

O cristão ama, partilha e dá, com solicitude, para mitigar a miséria e pratica a Renúncia Voluntária, que se impõe, privando-se do que quiser, canalizando um donativo, para o fim indicado pelo bispo diocesano. Os pobres e necessitados são cada vez mais. Os fiéis e pessoas de boa vontade são convidados a fazer reverter o seu donativo da Renúncia Quaresmal, para os Pobres assistidos pelas Conferências de S. Vicente de Paulo, como já o fizeram o ano passado, incrementando assim o Fundo Solidário Diocesano em prol dos pobres e necessitados, que são muitos e é neles que Deus quer ser servido. E não esqueceremos as Crianças Pobres da Guiné-Bissau, que a Fundação Fé e Cooperação ajuda, fiel ao empenho, que assumiu, desde há Vinte e Cinco Anos, fiel ao mandato que lhe foi confiado pelos Bispos Portugueses, ajudando os necessitados das Comunidades e Igrejas de língua portuguesa.

 

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