VTM – Ao fim de cinco anos na liderança de Vila Real, sente que já fez muito ou ainda há muito mais a fazer?
Rui Santos – Sinto que ambas as opções são verdadeiras. Já fizemos muito, mas há muito mais que queremos e vamos fazer. No primeiro mandato à frente da autarquia, cumprimos escrupulosamente todos os compromissos que havíamos assumido com os vila-realenses. Desde pôr em funcionamento o Regia Douro Park ou a Loja Interativa de Turismo, passando pela instalação de três campos de futebol de relva sintética, a diminuição do preço da fatura da água, o regresso das Corridas, a conclusão do Centro Escolar do Douro e do Terminal Rodoviário, até à dinamização económica do concelho. Penso ser inegável que realmente fizemos muito. Repare que estes poucos exemplos que acabei de dar não existiam há 5 anos, e há dezenas de outros exemplos que eu poderia dar. Hoje há uma nova realidade com expressões como JOM, Aldi, Call Center da Altice, Decathlon, Critical Software, Hospital da Luz, Hospital da Trofa, que representam centenas de postos de trabalho novos. No IEFP há menos 30 por cento de desempregados inscritos, tendo o número baixado de 3.869 em outubro de 2013, para 2.692, no mesmo mês de 2018.
Agora, a ambição de querer sempre mais para Vila Real leva-nos a nunca estar satisfeitos. Há novas e velhas necessidades e anseios em Vila Real e, portanto, há ainda muito por fazer. Essencialmente, penso que se começa a sentir uma nova mentalidade e uma grande dinâmica.
Dê-nos um exemplo, um caso concreto, de um projeto que gostaria de ver concretizado a breve prazo e outro a longo prazo.
A breve prazo, sentimos uma grande necessidade de uma nova zona empresarial. Temos várias dezenas de empresas em lista de espera para investir em Vila Real e precisamos de terrenos infraestruturados para as receber. Foi uma pena o Município perder cerca de 10 milhões de euros, em 2012, para esse fim, mas infelizmente o executivo anterior não teve capacidade para concretizar. Imagine-se a quantidade de empregos que poderiam ter sido criados. Agora já temos um novo projeto, a candidatura está praticamente aceite e esperamos brevemente avançar para obra.
A médio/longo prazo, o projeto é mais imaterial. Através do trabalho que temos desenvolvido em parceria com a sociedade, gostaria de ver Vila Real reconhecida como um dos mais importantes centros do Norte, atrativo, dinâmico, capaz de reter e atrair população, invertendo a tendência de perda demográfica do interior.
Alguns projetos para a cidade serão estruturantes, com o investimento previsto no PEDU dotado com 16 milhões de euros. Que obras serão concretizadas?
Na verdade, já não são 16, porque fruto da boa candidatura apresentada, foi majorado para 17,2 milhões de euros. O PEDU já está na rua, com obras de requalificação rodoviária concluídas, como a da Rua de Sto. António ou da Av. D. Dinis. Já começamos também a requalificação da Rua D. Afonso III. Toda a zona do quartel do RI13, a zona circundante ao Mercado Municipal e a zona circundante à estação dos caminhos de ferro terão obras profundas de requalificação e será construída uma via ciclável que ligará a cidade à UTAD. Também haverá intervenções materiais e imateriais nos Bairros Sociais, serão instalados meios mecânicos no Bairro dos Ferreiros e na subida para o Pioledo, enfim, são dezenas de projetos que melhorarão a mobilidade e prepararão Vila Real para o futuro. Talvez, o mais emblemático e polémico de todos seja a intervenção de requalificação da Av. Carvalho Araújo.
Um dos projetos contempla a colocação de elevadores no Bairro dos Ferreiros e na zona do Pioledo. Como vai funcionar na prática?
Esse é um projeto muito inovador e que vai ao encontro de um dos pilares do PEDU: a mobilidade. É inegável que a nossa sociedade está a envelhecer. Não é um problema de Vila Real, nem sequer de Portugal. Toda a Europa está a braços com um aumento de população idosa e diminuição de população jovem. Temos, portanto, que preparar os espaços urbanos para essa realidade. Vila Real tem uma orografia complicada, em patamares. Imaginar população idosa, mas também pessoas com dificuldades de locomoção, ou até empurrando um carrinho de bebé, a ter que vencer a subida do Bairro dos Ferreiros até ao Pioledo, é impossível. Assim, através destes meios mecânicos, complementando as intervenções nas ruas e passeios, consideramos que estaremos a dar um passo na direção certa.
As ruas da cidade também estão a ser requalificadas. No entanto, muitas pessoas não compreendem bem este tipo de intervenção, sobretudo quando implica o corte de árvores. O que tem para dizer aos munícipes sobre esta questão sensível?
Começo por responder a essa pergunta com outra pergunta: alguém imagina que o Município corta árvores por prazer? É óbvio que não. Há essencialmente dois tipos de problemas que levam ao corte de árvores: a sanidade das mesmas e a adequação das espécies à utilização em espaço urbano. Quanto à sanidade penso não ser necessário dar grandes explicações. Se uma árvore está doente ou morta, colocando em perigo quem passa debaixo dela, deve ser retirada e/ou substituída. Quanto à adequação ao espaço urbano, é mais complicado. Há árvores plantadas há dezenas de anos que foram mal escolhidas. As copas entram pelas casas das pessoas, as raízes destroem passeios, saneamento e infraestruturas enterradas, enfim, prejudicam o espaço público e a nossa vida. Há pessoas que, mesmo assim, têm uma visão da árvore como um valor absoluto, intocável. Não faz sentido. Felizmente, Vila Real é uma cidade verde, rodeada de inúmeras paisagens naturais, com parques, o Parque Corgo e o Parque Florestal, no centro da cidade e, portanto, a substituição ou remoção de algumas árvores, sendo necessário, tem mesmo que ser feita. Claro que, no meio disto tudo, há sempre uma tentativa de aproveitamento político de alguns, que apenas agora, oportunisticamente, acordaram para as questões ambientais.
Avenida Carvalho Araújo. Qual é o ponto da situação? Quando se iniciarão as obras?
A Avenida tem o projeto pronto, aprovado e com financiamento definido. Foi amplamente discutido com a sociedade civil, foram incorporadas algumas das sugestões recebidas e avançará para obra em meados do ano que vem.
Este é um projeto muito sensível e há muitas pessoas que temem que fique idêntico ao que aconteceu no passado, em frente à câmara, em que se cortaram as árvores e foi colocado granito… O que nos pode garantir sobre a intervenção?
Posso garantir que haverá quem goste tanto de Vila Real como eu, mas ninguém gosta mais do que eu. Se eu sentisse que este era um mau projeto para Vila Real, ele não avançava. É natural que quem sempre conheceu assim a avenida tenha uma certa ligação emocional a esta configuração, mas considero que hoje a avenida, apesar da sua beleza própria, não está funcional. Com a requalificação, a avenida continuará bonita, mas passará também a poder ser usufruída por quem cá vive e por quem nos visita. Haverá sombras, haverá esplanadas, segurança para os peões, espaços para eventos e para passear. E para além disso, também faremos uma pequena intervenção na zona em frente à Câmara Municipal, corrigindo no possível a intervenção de há 20 anos. Peço que nos seja dado o benefício da dúvida e que se avalie a obra no final.
Mercado Municipal. O projeto foi apresentado, mas os comerciantes dizem que as obras ainda não arrancaram. O que falta para estarem no terreno?
Dizem e dizem muito bem, porque as obras realmente ainda não começaram. Mas o projeto está pronto, já foi apresentado aos comerciantes e o financiamento também está assegurado. Em 2019, as obras arrancarão, reabilitando totalmente aquele edifício. Mas para além do próprio mercado, toda a zona envolvente será também requalificada, criando melhores condições de acessibilidade e mobilidade. Também será construído um novo estacionamento automóvel na zona do Seminário, que servirá toda aquela parte da cidade e a baixa. Eu compreendo a impaciência de quem gostaria, como nós, que tudo fosse feito com um estalar de dedos, mas infelizmente estes projetos têm burocracias e tempos próprios, que temos que respeitar.
No próximo ano, há intervenções previstas para as freguesias? Há alguma que mereça maior destaque em particular?
Sim, claro que há intervenções previstas para as freguesias, tal como tem havido todos os anos. Só em saneamento básico já investimos cerca de 13 milhões de euros, a que se somam mais sete milhões em curso, na zona do vale da Campeã. Por todos os sítios onde passou o saneamento, as estradas foram pavimentadas de novo e não remendadas. E anualmente gastamos também mais de um milhão de euros em pacotes de pavimentações no mundo rural, um pouco por todo o concelho. Fomos requalificando vários polivalentes desportivos e temos muito cuidado em apoiar associações culturais e recreativas na construção e melhoramento dos seus espaços. Percebemos que são muito importantes para as comunidades locais. Penso que a articulação destas com a Câmara tem corrido bastante bem. Se tivesse que destacar obras, talvez o novo Centro Escolar em Lordelo e a requalificação da Escola do Prado, em Borbela.
Na última assembleia municipal, o executivo foi “criticado”, sobretudo por autarcas do PSD, que dizem “não haver isenção” na distribuição de verbas dos Contratos Programa para as freguesias, que tem um valor de 305 mil euros. O que tem a dizer aos munícipes sobre esta situação?
Sim, e criticaram o executivo na mesma assembleia em que duas das três Juntas de Freguesia do PSD celebraram contratos programa connosco. Repito, das três Juntas de Freguesia do PSD, duas trabalham lindamente connosco. No anterior mandato, das 13 Juntas de Freguesia do PSD, 11 fizeram vários contratos programa com a Câmara. A pergunta que eu faço é: se nos últimos 5 anos conseguimos fazer contratos programa com todas as Freguesias menos uma, o problema estará do nosso lado? Para além disso, esse discurso de vitimização tem outro problema. Não encaixa na realidade! O PSD deve pensar que nós fazemos o que eles faziam quando estavam na Câmara Municipal. Quer um número engraçado? Em 2013, ano de eleições autárquicas e último ano do PSD na Câmara, as freguesias do PSD receberam 451.370€ para investimentos e as do PS apenas 31.500€. Isso sim, era discriminação partidária, com intenções eleitoralistas. Quer outro número? Nos últimos quatro anos, connosco, a Freguesia de Parada de Cunhos teve investimentos superiores a 333.000€. Veja-se a estrada de Relvas, o Polivalente da Telheira, a nova Ponte dos Machados, as pavimentações no Bairro da Telheira, nos acessos ao Monte da Forca, a envolvente ao complexo do Monte da Forca, enfim, são vários. Quem vive em Parada de Cunhos sabe bem que a Câmara Municipal não os esquece nem trata mal. A atitude da Junta de Freguesia, de alinhar nesta conversa de discriminação partidária, que não é verdadeira, talvez ajude o partido político deles, mas não ajuda a normalizar as relações com a Câmara Municipal. Parada de Cunhos não tem que se preocupar. Seja qual for a atitude do presidente de Junta de Freguesia, continuaremos a investir naquele território.
Ao nível do trânsito, que soluções estão a ser pensadas para resolver alguns congestionamentos? A solução encontrada agora para a ponte metálica é a que melhor serve os vila-realenses?
Começando pelo fim, sim, penso que dos três cenários testados até este momento na Ponte Metálica, este é o melhor. A configuração original criava muitos problemas de manhã, o sentido único criava muito problemas à tarde, e esta solução, com apenas um sentido de manhã e com dois sentidos à tarde e noite, equilibrou a fluição do tráfego. De qualquer forma, estamos atentos e sempre disponíveis para melhorar, se a monitorização que estamos a fazer apontar nesse sentido. Deixe-me recordar que já em 1997, numa entrevista a Manuel Martins, o jornalista afirmava que o trânsito em Vila Real estava um caos! Mas fomos nós, 20 anos depois, que encomendamos um estudo de tráfego à Universidade de Coimbra, que propõe algumas soluções. Essas soluções estão a ser ponderadas e começarão brevemente a ser implementadas. Acreditamos que terão um efeito benéfico. Mas voltando um pouco atrás na entrevista, não é possível termos mais dinâmica, mais empregos, mais empresas, mais pessoas e mais carros, sem termos maior pressão no trânsito. É impossível. A cidade é o que é, o planeamento urbano no passado não previu este crescimento da cidade e não é possível desmontar edifícios ou alargar estradas para cima de prédios ou passeios. Temos que trabalhar com aquilo que temos, lamentando que não se tivesse feito melhor planeamento no passado. Já agora, aos partidos políticos que agora criticam o trânsito, nunca os ouvi no passado a criticar o fraco planeamento urbano.
Qual o projeto previsto para o Hotel do Parque, que foi recentemente adquirido por um empresário de Bragança?
Aí está mais um exemplo dos últimos 5 anos que permitirá resolver um problema com mais de 30. Deixe-me, já agora, recordar também o centro transfronteiriço ao lado do Hotel Miracorgo, que será inaugurado daqui a dias como unidade de saúde familiar e o Hotel Tocaio, que é agora um hospital privado. Eram três mamarrachos de Vila Real, mas dois deles já não são. O projeto do Hotel do Parque ainda não deu entrada no Município, mas as conversas que temos tido com o investidor fazem-nos acreditar que será um projeto residencial. Dizem-se muitas coisas na rua e percebemos que em Vila Real também já há especialistas em “fake news” à mesa dos cafés e redes sociais, mas a resolução daquele problema tinha sido um compromisso meu e vai ser cumprido, como os outros. Custe a quem custar.
O que nos poderá avançar sobre projetos hoteleiros que a cidade poderá vir a ter a curto prazo?
Apenas que felizmente existem e são vários. Vila Real está muito carenciada de camas hoteleiras. Os números das entidades oficiais dizem-nos que tem crescido exponencialmente o número de visitantes, mas que nos faltam hotéis. A aposta em eventos de visibilidade mundial, como o WTCC/WTCR, começa a ter os seus frutos.
Há um projeto já em construção, no Pé do Cavalo, há o anúncio de interesse de um promotor em instalar-se no Seminário, há a decisão das infraestruturas de Portugal de intervir na antiga estação para aí concessionar um hotel, há a vontade firme de ampliar um hotel já existente na cidade, há um outro projeto, muito central, mas sobre o qual ainda há pouco de concreto, enfim… peço desculpa por não ser mais claro, mas não quero ser acusado de prejudicar os negócios que estes investidores pretendem fazer. Apenas asseguro que, desde que cumpridas as leis e regulamentos, estes investidores serão tão bem tratados, como todos aqueles que têm apostado em Vila Real.





