Vila RealReceptividade das autarquias traz novo “ânimo” à Casa do Douro

Receptividade das autarquias traz novo “ânimo” à Casa do Douro

“Aqueles que estão mais próximos dos cidadãos estão sensíveis às problemáticas vividas no Douro”, considerou Manuel António Santos, Presidente da Casa do Douro, depois de um encontro com vários autarcas da região, no âmbito da manifestação agendada para o dia 1 de Maio. Quanto aos viticultores, as vozes levantaram-se, pedindo justiça para a região que, […]

“Aqueles que estão mais próximos dos cidadãos estão sensíveis às problemáticas vividas no Douro”, considerou Manuel António Santos, Presidente da Casa do Douro, depois de um encontro com vários autarcas da região, no âmbito da manifestação agendada para o dia 1 de Maio. Quanto aos viticultores, as vozes levantaram-se, pedindo justiça para a região que, como garantem, “já bateu no fundo”.

Cerca de dois mil vitivinicultores durienses fizeram-se ouvir pelas ruas de Vila Real, no dia 1 de Maio, numa manifestação convocada pela Casa do Douro e que culminou com uma reunião com vários autarcas da Associação de Municípios do Vale do Douro Norte (Vila Real, Peso da Régua, Santa Marta de Penaguião, Murça e Alijó).

No final do encontro, Manuel António Santos, Presidente da Casa do Douro, mostrou-se satisfeito com a receptividade.

“Verificamos que há preocupação, que as autarquias estão sensíveis e que já houve mesmo uma tomada de posição, junto do Ministro da Agricultura. Vamos satisfeitos, porque há pessoas e instituições que estão do nosso lado”, explicou.

Nuno Gonçalves, Presidente da Câmara Municipal da Régua, confirmou o sentimento de preocupação geral nos autarcas do Douro, recordando que, depois da criação de uma Comissão de Acompanhamento da Vitivinicultura, “em Fevereiro, foi enviada uma carta ao Ministro, para que fossem ouvidos os autarcas”, e, em Março, foi pedida uma audiência, à qual ainda não obtiveram resposta. “Lamento dizer que, até à data, não recebemos qualquer reflexo, por parte do Governo”, referiu o edil, frisando que os autarcas continuam “junto dos agricultores”.

“Estamos a passar por um período difícil, no sector do vinho e da vinha. Apesar de ser um sector que não está directamente ligado às autarquias, interfere no desenvolvimento da região e na qualidade de vida dos nossos munícipes”, referiu Nuno Gonçalves.

Reconhecendo que, para grande parte dos agricultores, a situação já tenha tomado contornos “insustentáveis”, o edil reguense lembra que, para além dos graves efeitos sociais e económicos, as dificuldades vividas no sector da vitivinicultura terá ainda reflexos, na paisagem duriense.

“Se deixarem de ser trabalhadas, as nossas vinhas ficarão a monte e o nosso património mundial ficará em perigo”, sublinhou.

Manuel António Santos adiantou que a Casa do Douro e os vitivinicultores exigem “diálogo e negociação”, para que o futuro do Douro “inclua toda a população”. “Queremos que sejam restituídas as competências da Casa do Douro, que haja contrapartidas no processo de alteração do modelo de gestão, contrapartidas como a manutenção de aspectos como a capacidade de escoamento dos vinhos”, referiu o mesmo responsável, recordando que a Casa do Douro deve continuar a representar “uma protecção, para os viticultores”.

“As pessoas que hoje ficaram nas varandas a ver-nos passar deviam descer e juntar-se à nossa luta, porque, quando o Douro acabar, toda a região o vai sentir na pele, toda a economia se vai ressentir”, defendeu José Veríssimo, lavrador natural de Sanfins do Douro, sublinhando que “o povo tem que ser forte, porque esta é uma causa justa”.

“Tudo depende da velha videirinha”, sublinhou o manifestante, lamentando que o Governo queira “acabar com o Douro” e garantindo que “pior a situação não poderia estar”, havendo, já, situações de “fome, no Douro”.

Antes de percorrem as principais artérias da cidade de Vila Real, os vitivinicultores reuniram-se, num convívio, na área de lazer do Parque do Codessais, com um almoço que incluiu perto de 300 quilos de febras, mais de dois mil pães e, como não poderia deixar de ser, uma pipa de vinho do Douro.

Maria Meireles

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