Vila Real“Record” de vendas, em 2007

“Record” de vendas, em 2007

Nunca tanta carne maronesa certificada foi vendida pelo Agrupamento de Produtores da Cooperativa Agrícola de Vila Real. 2007 ainda não acabou, mas a perspectiva de “record” de vendas já é uma certeza. Os números não enganam. Um milhão e meio de euros é o valor estimado da sua comercialização. A procura é tanta que o […]

Nunca tanta carne maronesa certificada foi vendida pelo Agrupamento de Produtores da Cooperativa Agrícola de Vila Real. 2007 ainda não acabou, mas a perspectiva de “record” de vendas já é uma certeza. Os números não enganam. Um milhão e meio de euros é o valor estimado da sua comercialização. A procura é tanta que o problema passa por dar resposta ao mercado, cada vez mais solícito.

As características sensoriais nutritivas e higio-sanitárias de elevada qualidade da carne maronesa projectam este produto, sendo uma das mais apreciadas, a nível nacional, como o seu estatuto de Denominação de Origem Protegida, DOP, sustenta. Uma boa novidade, para 2008, destinada aos produtores/criadores passa pelo aumento da compensação, no preço/quilo, em cinquenta cêntimos.

 

Atingido um montante que nunca antes se verificou

 

Virgílio Alves, Director da Cooperativa Agrícola de Vila Real, abordou o aumento da comercialização da carne maronesa e a perspectiva máxima das suas vendas.

“Neste momento, estamos a perspectivar uma facturação que rondará, só na carne maronesa, cerca de um milhão e meio de euros, o que é muito positivo, importante para todos, mas que é natural, porque temos vindo a crescer, gradualmente, ao longo destes sete anos e já esperávamos esta cadência. Mas este ano foi aquele em que se cresceu mais, em termos percentuais. Há um volume de negócios que ultrapassa todos os valores de comercialização do Agrupamento de Produtores”.

Virgílio Alves adiantou que poderá haver uma melhoria de preços, junto dos criadores.

“Janeiro vai ser a altura de melhoria, no que se refere aos preços ao agricultor. Por outro lado, o próprio consumidor vai ter de pagar um pouco mais, uma vez que o preço da carne maronesa já não sobe, desde há três anos, com o valor a rondar os cinco euros/quilo, por carcaça. O produtor, assim, vai passar a receber cinco euros e meio que é um montante nunca atingido por carne nenhuma, em Portugal”.

O dirigente cooperativo fundamenta este aumento do preço, do junto do consumidor:

“Há razões para isto. Fundamentalmente, porque os preços dos factores de produção subiram imenso. Os cereais e o problema do biodiesel levaram à subida do preço. Mas achamos que também esta carne, mesmo assim, continua a ter qualidade suficiente para justificar este novo preço”.

A região demarcada de Produção de Maronês foi alargada, com a junção de mais algumas freguesias.

“Nós fizemos o reajustamento do caderno específico da Região Demarcada de produção. Havia freguesias de alguns concelhos do Distrito de Vila Real que não estavam incluídas, nomeadamente em Boticas, Chaves, Valpaços e Montalegre, para além dos de Amarante e Lousada, o que nos levou ao alargamento da área. Estes locais mantêm as condições agro-ecológicas ideais, o que determina a área de qualidade da carne. Isto foi aprovado, em Assembleia-Geral, esperamos que nos traga um aumento da produção”.

 

Início da comercialização de produto transformado

 

Uma outra novidade, referida, ao Nosso Jornal, por Virgílio Alves, prende-se com a comercialização do produto.

“Passamos a comercializar mais produto transformado. Anteriormente, tal não sucedia. Já comercializamos o novilho e a vaca maronesa que transformamos em almôndegas, carne picada e hambúrgueres. São produtos novos que estão a ter muita aceitação, no mercado”.

Outro dado que ficou a ser conhecido é a evolução do consumo de carne maronesa, na região.

“O nosso grande objectivo é que a maior parte do produto seja comercializado na região. Neste momento, temos vindo a melhorar este consumo, ao ponto deste representar um valor muito próximo dos 55%. Isto explica-se pela grande aceitação e por uma maior adesão dos restaurantes, sobretudo em Vila Real. Alguns deles tinham ficado para trás, neste processo, verificando-se, agora, uma gradual adesão. Por outro lado, com o alargamento a outras áreas de Trás-os-Montes e de zonas vizinhas, esta tendência mais se acentuou, ao nível do consumo”.

A Associação de Criadores de Maronês, ACM, está a certificar, a identificar e a registar 4.200 animais jovens, passando para o livro dos adultos 800 animais.

“Podemos dizer que a raça maronesa é das poucas que, nos últimos cinco anos, não vê reduzido o seu efectivo, bem pelo contrário” – disse Virgílio Alves. Porém, também deixa uma preocupação: “Temos de ter em conta o abandono das terras e o êxodo rural. Notamos, com alguma mágoa, mas isto é um processo que não podemos parar, a diminuição de criadores. Podemos dizer que, neste momento, activos, existem 1.400 criadores, o que significa, de facto, uma redução”.

 

A ideia de abrir uma “loja gourmet”

 

O efectivo maronês ronda, neste momento, as 6.200 vacas adultas e, destas, mil andam em cruzamento, para produção de mais carne, em termos industriais. O concelho que possui mais gado maronês ainda é o de Vila Real. Depois, seguem-se Vila Pouca de Aguiar, Ribeira de Pena (que ultrapassam as mil vacas) e Mondim de Basto. Estes quatro concelhos constituem o “núcleo duro” da produção.

A Associação de Criadores do Maronês, ACM, é uma instituição sem fins lucrativos, funciona por delegação de competências do Ministério da Agricultura e faz o trabalho da conservação, preservação e melhoramento da gestão do Livro Genealógico da Raça. O Agrupamento é uma Cooperativa que se rege pelo respectivo Código, compra e vende. Nem todos os produtores de maronês são integrados no Agrupamento, se não cumprirem as regras. O controlo de qualidade da carne e a autenticidade do produto servido nos restaurantes é feita por uma entidade independente, a “Tradição e Qualidade”. Esta empresa analisa a carne servida nos restaurantes e confronta-a com as suas características.

“É fácil saber-se se se está perante alguma fraude. Temos de defender os interesses dos consumidores” – observou Virgílio Alves que nos adiantou alguns locais onde há restaurantes a servir a carne maronesa : “Vila Real, a região do Douro, Vila Pouca de Aguiar e, também, em Amarante, Paços de Ferreira, Fafe, Vizela, Grande Porto, Lisboa e no distrito de Santarém”.

Para o futuro, fica um desejo: “Nós temos a ideia de abrir uma loja gourmet que pudesse não só comercializar a carne maronesa, como, também, outros produtos típicos da região, nomeadamente outras carnes certificadas, o cabrito, o mel e os vinhos. É nossa intenção partirmos para esta iniciativa, criando um cabaz que inclua as frutas e as hortícolas, tudo produtos de alta qualidade. Tudo isto depois da resolução financeira da Cooperativa, com muito profissionalismo, porque, se assim não for, será o fracasso. E disso estamos já muito cheios e fartos”.

 

José Manuel Cardoso

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