Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2025
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Vila RealRegadios espanhóis reduzirão em 14% o caudal do Douro

Regadios espanhóis reduzirão em 14% o caudal do Douro

Ao longo dos seus 208 quilómetros de extensão em território português, o Douro tem atualmente 11 aproveitamentos elétricos de grande dimensão e 43 pequenas centrais. Um potencial hídrico que ainda tem muito para dar mas que poderá ficar mais limitado com a redução do seu caudal, graças ao aumento da taxa de utilização das suas águas no lado espanhol.

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“Uma redução de 14 por cento das afluências provenientes de Espanha, entre 2015 e 2027, devido ao aumento dos regadios espanhóis”, é um dos “aspetos relevantes” sublinhados no diagnóstico do Plano de Gestão da Bacia Hidrográfica Douro, um documento que, elaborado pela Administração da Região Hidrográfica do Norte, encontra-se atualmente em discussão pública.

À mercê do olhar dos portugueses até ao início de Abril, o documento explica que, apesar do potencial hidroelétrico do Douro ainda ter muito a explorar, a redução prevista no caudal do rio pode ser considerada como “uma ameaça” a essa oportunidade de expansão, uma vez que afetará “a produção hidroelétrica da cascata do Douro”.

O “resumo não técnico” do documento considera mesmo que “a taxa de utilização dos recursos hídricos na parte espanhola da região hidrográfica do Douro ficará perto do limite considerado como internacionalmente aceitável”.

Na lista dos “aspetos relevantes” apontados no mesmo documento, prevê-se ainda “a escassez de água para consumo humano e atividades económicas devido ao insuficiente armazenamento, sendo os concelhos de Bragança, Carrazeda de Ansiães e Vila Pouca de Aguiar os mais afetados”.

No que diz respeito à qualidade da água, as afluências de Espanha também poderão deixar marcas, sendo “expectável que as pressões nas massas de água junto à fronteira com Portugal, sobretudo com origem na pecuária e exploração mineira, se mantenham ou possam mesmo agravar-se”.

O resumo refere ainda as questões ligadas à contaminação por poluição de origem urbana, industrial e agrícola, sublinhando a “fiscalização insuficiente das descargas de águas residuais” e prevendo a “eutrofização das massas de água e a perda da qualidade ecológica, nomeadamente na albufeira do Torrão, no rio Tâmega, e nas albufeiras de Carrapatelo, Miranda e Pocinho, no rio Douro”.

Com uma extensão total de 927 quilómetros (208 em território português), o Douro, que nasce na Serra de Urbion (Cordilheira Ibérica), é o terceiro maior rio da Península Ibérica, depois do Tejo e do Ebro.

A Região Hidrográfica do Douro (RHD) abrange 98 mil quilómetros quadrados, 19 por cento dos quais em Portugal, e engloba nove sub-bacias (Águeda, Coa, Costeiras entre Douro e Vouga, Douro, Paiva, Rabaçal/Tuela, Tâmega e Tua), 361 rios, 17 albufeiras, três massas de água de transição e duas massas de água costeiras.

“A produção hidroelétrica assume um significado relevante na RHD, existindo atualmente 11 aproveitamos hidroelétricos de grande dimensão e, em fase de construção, os reforços de potência de Picote e Bemposta. Em termos de pequenas centrais estão identificadas 43 unidades, sendo ainda de destacar a relevância da energia produzida nas centrais térmicas e, em especial, a central de ciclo combinado da Tapada do Outeiro)”, explica o mesmo documento.

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