InícioMurçaRegião acolhe projecto internacional de valorização da resina

Região acolhe projecto internacional de valorização da resina

Manter a extracção da resina como actividade silvícola rentável, contribuindo para o emprego rural, é o principal objectivo do projecto comunitário Sust-Forest, que está no terreno desde o início do ano e que se prolonga até Abril de 2013. A Associação Florestal do Vale do Douro Norte, Aflodounorte, conjuntamente com a Ourém Viva (Leiria), são as instituições nacionais parceiras nesta iniciativa, que engloba regiões de Espanha e França, mas há italianos e gregos com vontade de aderir.

Há alguns anos atrás, a resina foi uma mais-valia económica no contexto florestal. A sua extracção ocupou muitas pessoas, sendo uma das principais actividades do mundo rural. Porém, a desertificação, os incêndios, e principalmente a invasão nos mercados internacionais por resinas da China e do Brasil, de inferior qualidade e mais baratas, acabou por ser o golpe de misericórdia no sector. Para contrariar esta realidade, no âmbito do programa de cooperação transfronteiriço europeu, INTERREG, foi aprovado um projecto designado Sust-Forest, gerido por uma associação espanhola, Cesefor, mas que conta com instituições parceiras de Portugal e Espanha, e que visa recuperar a importância económica da resina. Neste contexto, a Aflodounorte, sedeada em Murça, é uma das associações parceiras.

Francisco Silva, presidente da Direcção da Aflodounorte, manifestou, ao Nosso Jornal, as suas expectativas sobre a candidatura aprovada. “Pode ter um potencial extremamente interessante para a floresta e, ao mesmo tempo, pode ser um desafio e uma oportunidade para o sector resineiro de Trás-os–Montes e Alto Douro. Tem como finalidade apurar a rentabilidade da resinagem nestas regiões. Se em qualidade nada temos a provar, uma vez que a nossa resina é uma das melhores do mundo, já nos custos de extracção, e como produto intermédio, há muito a fazer.

A Cesefor tem sido a grande impulsionadora desta candidatura ao INTERREG, onde entram como parceiros várias associações e instituições. “Em Portugal, somos nós e a Ourém Viva, embora num processo anterior, a própria UTAD também estivesse incluída”. A candidatura tem como principal objectivo estudar a viabilidade económica da resina, desde a sua componente técnica à extracção, e estudar todas as formas de obter o produto ao mais baixo custo possível. Subjacente a isto, existe a vontade de fazer nesta área de influência da Aflodounorte um interface da resinagem. No entanto, o projecto tem uma outra finalidade que passa pelo combate ou a prevenção aos fogos florestais, colocando mais gente na floresta. “Um dos grandes problemas para o abandono da floresta teve a ver com o desaparecimento dos resineiros. Temos de preservar o mundo rural, criando sustentabilidade económica. É isso que este projecto pretende”, sublinha Francisco Silva.

O aparecimento de resinas mais baratas em detrimento de resinas de maior qualidade contribuiu para a quase extinção do sector. “Era necessário que o Estado Português promovesse e valorizasse o nosso produto. Esse trabalho nunca foi feito, e isso implicou que a resinagem fosse decrescendo economicamente”, frisou o responsável.

O projecto irá incidir na zona do Norte do concelho de Alijó, englobando as freguesias de Vila Chã e Vilar de Maçada (2,900 hectares) e em Sabrosa (4,500 hectares), igualmente na sua zona Norte. O que não quer dizer que a experiência de extracção da resina à custa da nova máquina (ver caixa) seja feita em toda a área. Francisco Silva projectou para o futuro o reflexo deste projecto. “Se o método resultar, então o objectivo passará por criarmos candidaturas para fomentar a actividade e depois criar apoios para este novo processo de resinagem”.

Este responsável pormenorizou a execução dos trabalhos. A parte técnica e de estudos irá passar por provarmos que uma determinada área (chamada ‘piloto’), que irá ser resinada, obtenha determinada quantidade e qual o custo da mão-de-obra. Ao mesmo tempo, vamos ver a forma de controlar as produções e comparar com os métodos tradicionais, e com os diferentes métodos que vão ser aplicados pelos vários parceiros do projecto. Vamos começar a marcar parcelas e já em Junho começamos a operacionalizar. Esta participação envolve os meios da Aflodounorte e vamos ter a colaboração de resineiros”.

A Associação Florestal do Vale do Douro Norte é uma instituição particular, sem fins lucrativos e de duração indeterminada. Foi constituída a 4 de Junho de 1997, por escritura no Cartório Notarial de Vila Pouca de Aguiar. Inicialmente, tinha sede no concelho de Sabrosa, no lugar e freguesia de Parada do Pinhão, mas actualmente a sede funciona no concelho de Murça, na Casa Florestal de Mascanho/Carvas. Desde o ano de 2003, a Associação tem aberto um Núcleo a funcionar em Sabrosa.

A Aflodounorte pretende envolver os proprietários florestais, os Baldios, as Cooperativas Agrícolas, os municípios e toda a comunidade no sentido de melhorar a gestão e a defesa da floresta do Vale do Douro Norte.

A Cesefor é a associação da região de Castilla e Leon, promotora e líder do projecto, que promove o emprego rural no território do Sul da Europa, através da extracção de resina. Faz parte do INTERREG IV B e está enquadrado no âmbito dos projectos do Programa de Cooperação Territorial Europeia 2007-2013, Espaço Sudoeste. O valor do projecto internacional é de um milhão e cinquenta e sete mil euros.

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