Depois da vitória moralizadora em Vila Pouca, o Régua procurava continuar a senda dos bons resultados, que passava por tirar pontos ao líder, mas acabou por não ser eficaz no último terço do terreno.
O jogo começou por ser quezilento, com muitas picardias dentro e fora das quatro linhas, mas o árbitro rapidamente tomou as rédeas do jogo. Boas jogadas de futebol eram uma raridade no relvado sintético reguense, apenas ao minuto 17 surge a primeira situação de perigo, mas Nené resolveu bem o lance, depois de Fisga fugir a Peixoto e a Zé Diogo. O Vila Real sentia muitas dificuldades em impor o seu jogo, que era afunilado pelo centro do terreno, o que facilitava a tarefa defensiva dos donos da casa. Só à passagem da meia hora é que Dioguinho consegue furar na esquerda, coloca no segundo poste, com Bessa a fazer o ‘amorti’ para a entrada de Leandro que não chegou à bola, depois valeu o corte da defesa reguense. Como através de futebol corrido as coisas não estavam fáceis, o Vila Real aproveitava os lances de bola parada para colocar à prova os reflexos de Bolinha. Aos 39’, Schuster coloca a bola na área, mas Fred não acreditou no lance e assim se perdeu uma boa ocasião. Em cima do minuto 45, o Vila Real vai inaugurar o marcador. De livre, Dioguinho coloca a bola no segundo poste onde aparece livre de marcação Carreira que rematou forte para o fundo da baliza. Um bom golo do jovem lateral alvinegro, mesmo a fechar o primeiro tempo. Houve muitos protestos por parte das bancadas e dos jogadores reguenses, por suposta posição irregular de Carreira.
Na segunda parte, o jogo foi mais movimentado e houve muitas mais oportunidades de golo. O Vila Real criou situações mais que suficientes para aumentar a vantagem e ‘matar’ o jogo, mas os homens da frente estiveram muito perdulários, com falhas incríveis à boca da baliza. Com o decorrer dos minutos, os visitados começaram a acreditar que era possível roubar pontos ao líder.
Aos 51’, Schuster coloca na área de forma tensa e Fred, de cabeça, atira à trave. Pouco depois, novamente o perigo a rondar a baliza de Bolinha, desta vez foi a vez de Peixoto falhar de forma incrível. Aos 72’, Bessa remata forte, Bolinha não segura e Leandro com a baliza aberta atira à trave. Mais um falhanço incrível dos forasteiros. A 15 minutos do final, o Régua cresceu no jogo e foi procurar o golo do empate. Aos 76’, Nené faz a defesa da tarde, a negar o golo ao recém-entrado João Pinto. Três minutos volvidos, novamente o perigo a rondar a área alvinegra, com Peixoto a resolver a situação. Aos 87’, Eder aparece solto na área mas o cabeceamento saiu por cima do travessão. Já em tempo de compensação, o Vila Real vai fazer o segundo, depois de um erro defensivo. Há um mau atraso para Bolinha, Eduardo fica com a bola mas não consegue ultrapassar o guarda-redes, que largou a bola e Schuster aproveitou para atirar com tranquilidade para o fundo da baliza e fechar da melhor forma uma partida que não foi fácil para os pupilos de Abel Ferreira.
Num jogo nem sempre bem jogado, a vitória dos vila-realenses foi justa, pois criaram mais ocasiões de golo e tiveram maior posse de bola, no entanto, na parte final o Régua ameaçou por algumas vezes a baliza à guarda de Nené e acreditou que era possível outro resultado. A equipa reguense mostrou matéria-prima para fazer um campeonato interessante.
No sábado e domingo realizam-se os jogos da Taça das Regiões. O campeonato só regressa a 17 de novembro, e logo com jogo grande entre o Vila Real e o Ribeira de Pena. Já o Régua vai deslocar-se até Mondim de Basto, para defrontar a equipa local.
As reações dos treinadores
Abel Ferreira, treinador do Vila Real
“O resultado espelha aquilo que se passou em campo”
O técnico vila-realense realçou que a sua equipa mereceu a vitória apesar de não ter feito uma boa exibição.
“Os jogos entre estas duas equipas normalmente são muito disputados, com incerteza no resultado. Houve muita luta e sentimos muitas dificuldades, mas os campeões não se fazem só com jogos bons mas também com jogos de sacrifício, como foi aqui hoje. Depois de marcarmos o primeiro golo, pensamos que seria mais fácil mas o Régua reagiu bem e nós não conseguimos ultrapassar alguns obstáculos. Aliás, este foi um dos nossos piores jogos esta temporada. Mérito para o adversário que nos dificultou a tarefa ao máximo e teve uma boa fase perto do final do jogo, em que nos obrigou a defender a magra vantagem. Já em tempo de compensação, fizemos o segundo golo que acabou por ‘matar’ o jogo. Penso que o resultado espelha aquilo que se passou em campo, já que tivemos mais oportunidades de golo. Vi um Régua muito esforçado e um Vila Real que não conseguiu colocar todo o seu potencial em campo, mas mesmo assim mereceu a vitória”.
Sobre o próximo jogo frente ao segundo classificado, Abel Ferreira espera uma boa resposta da equipa como tem acontecido até agora. “Em nossa casa costumamos ser fortes e queremos continuar a ganhar jogos. Por isso, espero que a equipa faça um bom jogo e sobretudo que vença a partida, que é o mais importante”.
João Valente, treinador do Régua
No final do encontro, toda a estrutura reguense decidiu não falar aos órgãos de comunicação social, sem explicar as motivações para tal atitude.
Ficha Técnica
Jogo disputado no Estádio Municipal Artur Vasques Osório, em Peso da Régua.
Árbitro: Sérgio Jesus.
Auxiliares: Ricardo Pinto e Sérgio Gonçalves.
RÉGUA: Bolinha, Vítor Valente, Patrick, Daniel Valente, António, Cristiano (José Pinto, 75’), Luisinho, Márcio, Eder, João Nuno (Décio, 64’) e Fisga (Alex, 64’).
Suplentes não utilizados: Osório, Liberato e Ruizinho.
Treinador: João Valente.
VILA REAL – Nené, Carreira (Eduardo, 74’), Fred, Zé Diogo, Peixoto, Francis, Rui, Schuster, Leandro (Tiago, 86’), Bessa e Dioguinho (Paulinho, 68’).
Suplentes não utilizados: Marcelo, Topinha, Luís Carlos e Beja.
Treinador: Abel Ferreira.
Ao intervalo: 0 – 1.
Marcadores: Carreira (45’) e Schuster (92’).
Cartões amarelos: Márcio (17’), Daniel Valente (38’), João Nuno (45’), Fisga (63’), António (71’), João Pinto (83’), Luisinho (85’), Paulinho (89’), Schuster (93’).


