A Sé encheu-se de fiéis, uns ligados por vínculos familiares aos dois jovens, e outros vindos das suas paróquias de origem, e de Alijó e de Sanfins do Douro onde o P Ricardo estivera até agora a trabalhar como Diácono. Presentes o Vigário Geral de Vila Real, Dr. António de Castro Fontes, o Vigário Episcopal do Clero, Mons. Silvério José Guimarães, o Reitor do Seminário de Vila Real, Dr Manuel Linda, o Reitor e outros padres do Seminário da diocese do Porto de cuja comunidade fizeram parte até concluírem o curso teológico na Universidade Católica, vários arciprestes e muitos padres de toda a diocese, desde Montalegre ao Douro.
A celebração iniciou-se ás 15.30, tendo o cortejo litúrgico saído do Conservatório de Música, antigo convento de S. Domingos.
Presidiu o Bispo da Diocese, D. Joaquim Gonçalves, e concelebraram o Bispo Coadjutor D. Amândio José Tomás, e todos os presbíteros presentes. Proclamou o Evangelho o diácono permanente Dr. Paulo Santos, que assistiu ao altar com o diácono Dr. António Matos. A comunhão seria distribuída por esses dois diáconos e ainda pelo diácono António Augusto Ferreira, pelo Acólito Ivo, instituído nesse dia, e pelo neo presbítero.
Na homilia, o presidente chamou a atenção para o lugar de Maria na obra da Encarnação do Verbo de Deus, «um facto histórico único na história das religiões, em que Deus se faz verdadeiro homem sem deixar de ser Deus. Maria torna-se assim a «morada viva de Deus», a «casa», a «arca da Aliança», o «templo» vivo. «O sacerdócio católico está directamente ligado à Páscoa de Jesus, mas tem algo do mistério da Encarnação, alguém a quem é concedido de modo definitivo um ministério sagrado. O padre não se torna divino, mas não é um mero executor de actos do culto, que se afasta quando quer e se reforma volvidos alguns anos, mas alguém perenemente unido a Jesus Cristo, ainda que, em casos gravíssimos, possa ser dispensado do exercício do ministério pela legítima autoridade que o admitiu». Referiu depois que «a atitude de Maria pode ser o ícone e a educadora das atitudes do candidato ao ministério e do seu exercício: «teve medo» ao receber o convite, e «alegrou- -se» depois, ao tomar consciência de poder «servir» os planos de Deus. Desde então viveu a intimidade com seu Filho, aceitando com generosidade as surpresas do ministério que lhe era pedido. O jovem cristão adulto tem sempre receio de não ser capaz do ministério e essa humildade radical permanente diante do ministério concedido que o há–de segurar ao longo da vida». A terminar, lembrou a figura de Paulo para destacar o «dever de ensinar» citado no interrogatório da Ordenação: «num mundo culturalmente perturbado, mais dado às sensações que à reflexão sobre as grandes perguntas da vida, é difícil anunciar o Evangelho e levar as pessoas à reflexão, do que resulta, nuns, a prática de um culto sem cultura e, noutros, uma cultura sem culto». É a este mundo algo contraditório que o padre é enviado como homem da Palavra de Jesus Cristo. A eficácia do ministério requer a formação de grupos de proximidade, como fez exemplarmente Paulo de Tarso»
No final os fiéis saudaram efusivamente o novo sacerdote e o Seminário ofereceu a refeição da noite aos seus familiares, aos sacerdotes e aos seminaristas.
O canto litúrgico foi dignamente sustentado por um coro constituído por elementos dos coros paroquiais de Alijó e de Sanfins do Douro.


