Quem passa junto ao Regimento de Infantaria Nº 13 (RI13), em Vila Real, pode sentir-se algo intimidado pelos altos muros, o edifício central imponente e o portão principal sempre vigiado. Mas, na realidade, a unidade militar que chegou a capital de distrito há mais de 130 anos, tem as ‘portas abertas’ à população, empenhando muito do seu potencial nas Missões de Apoio ao Desenvolvimento e bem-estar da região.
Além do seu importante papel ao nível do apoio de defesa da floresta contra incêndios, na prevenção e combate às calamidades públicas (como por exemplo as cheias no Douro e os nevões), a unidade dá resposta a muitos pedidos que lhe chegam de autarquias, associações ou escolas.
Só no ano passado, o RI13, que tem na sua área de intervenção 16 concelhos, desde Armamar ao Freixo de Espada à Cinta, deu apoio a mais de 80 atividades de âmbito cultural, desportivo ou social. “Apoiamos, dentro das nossas capacidades, instituições locais com o empréstimo de materiais, prestação de serviços ou disponibilizando as nossas instalações”, sublinhou.
Entre as várias ações desenvolvidas, o comandante destacou algumas de cariz social, nomeadamente a organização, em colaboração com o município de Vila Real, no âmbito do projeto de Luta Contra a Pobreza e a Exclusão Social, do almoço convívio de Natal para idosos do concelho, uma iniciativa para a qual não só cede as suas instalações e recursos humanos, como garantea disponibilização de outros bens, proporcionando assim “um momento único de solidariedade” a centenas de idosos.
Outro exemplo da colaboração do RI13 com instituições locais dado pelo Comandante, foi o apoio ao Centro Distrital de Segurança Social de Vila Real, que utilizou este ano as instalações do quartel como base logística na distribuição de dezenas de toneladas de alimentos destinados às Instituições Particulares de Solidariedade Social do distrito.
Muito do apoio dado pelo Regimento a alguns dos grandes eventos do concelho poderá não ser conhecido da maior parte da população, como, por exemplo o papel fundamental que desempenhou na organização do último Circuito Automóvel de Vila Real. Além de ter recebido no quartel os veículos pesados das comitivas de vários pilotos que competiram, o RI13 também serviu de base a mais de uma centena de agentes de segurança que prestaram serviço no evento e ainda forneceu, diariamente, mais de 800 refeições para a vasta equipa de voluntários que trabalharam nos três dias das corridas.
Prova da sua abertura à comunidade são também os vários acordos de colaboração que mantém com várias instituições, como por exemplo, o Centro de Formação Profissional de Vila Real do Instituto de Emprego (realizando nas suas instalações cursos de pintor, cozinha e de bar e mesa), a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, a NERVIR e várias autarquias, entre as quais Vila Real e Sabrosa.
Também as cerimónias militares têm sido alargadas à comunidade local, “visando, desta forma, o fortalecimento dos laços existentes entre as populações e o Regimento”, garantiu o Comandante do RI13, recordando, por exemplo, as comemorações do Dia do Exército, que este ano decorreram em Vila Real e envolveram, entre outras iniciativas, uma grande exposição de meios na Alameda de Grasse e uma parada com a representação das várias áreas do Exército.
Gabinete de Atendimento traz maior proximidade ao voluntariado
Até ao final deste ano o RI13 vai abrir um Gabinete de Atendimento ao Público, uma estrutura que se vai localizar em Vila Real, fora do Quartel da Borralha, e garantir uma maior proximidade ao voluntariado e à população em geral.
Segundo o Comandante do Regimento vila-realense, o espaço, que será instalado na Rua de Santa Iria (Nossa Senhora da Conceição), vai substituir o Centro de Recrutamento de Vila Real, que será extinto.
“O novo gabinete será da responsabilidade direta do regimento”, ao contrário do que acontecia com o serviço que será extinto que, sedeado na zona do Seixo, era dinamizado a nível central pelo Exército Português, explicou o Coronel de Infantaria, Fernando Pereira de Albuquerque, comandante do RI13.
Segundo o mesmo responsável, o novo gabinete vai permitir uma “maior proximidade” à região e especificamente aos voluntários, sendo de sublinhar que, no âmbito da reestruturação em curso, que transformou todas as unidades do Exército espalhadas pelo país como formadoras, os novos militares poderão ter toda a sua formação inicial em Vila Real.
Mais de 10 mil jovens
Considerada já a terceira unidade do país com maior atividade no âmbito da organização do Dia da Defesa Nacional, o RI13 recebe anualmente milhares de jovens da região norte, somando, desde 2009, perto de 70 mil rapazes e raparigas que, ao atingir os 18 anos, foram convidados a participar na iniciativa do Ministério da Defesa Nacional.
Nas jornadas, que este ano decorreram entre os meses de julho e novembro, foram recebidos na unidade vila-realense uma média de 120 jovens por dia, num total de mais de 8.500, um número que, em 2016, deverá chegar aos 10 mil.
“A vida militar sempre me chamou a atenção. Acho que é uma experiência diferente. Dentro da instituição temos oportunidades que no mundo civil não conseguimos ter”, explicou Joana Alves, de 25 anos, natural do Porto, que está no RI13 desde 2010 e aconselha, “sem dúvida alguma”, aos jovens o ingresso no Exército.
Mais de 130 anos a preparar tropas
O RI13, designação que alternou com a de Regimento de Infantaria de Vila Real entre 1977 e 1993, teve a sua origem no Batalhão de Infantaria Nº 13 que, em 1842, é transformado em Regimento, passando a ter o seu quartel permanente em Vila Real, em 1883.
Em 1917, durante a 1ª Grande Guerra, o 1º Batalhão do RI13 integrou o Corpo Expedicionário Português, sendo louvado pela ação heróica de 9 de abril de 1918 (Batalha de La Lys), na defesa da aldeia de La Couture, na Flandres, e mais tarde concedida a Cruz de Guerra de 1ª Classe.
Durante a 2ª Grande Guerra cedeu, em 1940, uma Companhia de Atiradores para o Batalhão de Infantaria Nº 68 expedicionário a Moçambique e, em 1943, mobilizou o Comando do Regimento e um Batalhão para a região de Cartaxo, onde se manteve estacionado.
Ao longo da guerra colonial, o RI13 mobilizou para Angola e para Guiné, em 1961 e 1962 respetivamente, centenas de militares, através de duas companhias de Caçadores, uma de Comando e Serviços e um Pelotão de Morteiros.
No ano de 1963 passou a Centro de Instrução Nacional e recebeu a missão de incorporar e instruir várias gerações de jovens para o esforço de guerra do Ex Ultramar, proporcionando-lhes adequada formação técnica, militar e humana.
A partir de dezembro de 1992, o Encargo Operacional da Unidade, constituído por um Batalhão de Infantaria, integra a Brigada Ligeira de Intervenção (BLI) e posteriormente, no início de 1999, sobiu à categoria de Força Operacional de Projeção (FOP). Neste período, o RI13 afirmou-se pelo apoio administrativo-logístico a forças em exercícios combinados do âmbito da NATO e a outras forças nacionais em exercícios de preparação para atuação como Forças Nacionais Destacadas no quadro das Operações de Apoio à Paz.
Entre 1998 e 2012 foi responsável pelo aprontamento de mais de 2600 militares que integraram diversas forças que cumpriram missões de manutenção e de paz nos Teatros de Operações da Bósnia-Herzegovina, no Kosovo, em Timor-Leste e no Afeganistão.
Já este ano empenhou 245 dos seus militares numa força de reação rápida, preparada em Viseu, que integra a NATO Response Force e está pronta para atuar em qualquer teatro de operações e que poderá ser projetada em 2016.



