Terça-feira, 16 de Junho de 2026
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Ritual do Velho e da Galdrapa leva no domingo folia a São Pedro

A aldeia de São Pedro da Silva, no concelho de Miranda do Douro, viverá no domingo tempo de folia e animação com a saída à rua do recuperado ritual do solstício de inverno do "Velho e da Galdrapa".

"Este é o primeiro ritual do seu género a sair à rua no território do Planalto Mirandês antes do solstício, o que deita por terra algumas teorias do passado que referem que o período destas festas pagãs se desenvolve entre o dia de Natal e os Reis [06 de janeiro]", indicou à Lusa o investigador Alfredo Cameirão.

A festa do "Velho e da Galdrapa" (em língua mirandesa, L Bielho i la Galdrapa) esteve "adormecida" desde a década de 60 do século XX, apareceu de novo na década de 90 do mesmo século, fruto de empenho de um grupo de pessoas, que recuperou durante dois anos esta tradição ancestral.

Contudo, com o empenho de alguns investigadores ligados à temática das máscaras no Nordeste Transmontano, o ritual ganhou em 2016 nova vida, com a saída à rua do conjunto de mascarados.

Segundo Alfredo Cameirão, com a revitalização da festa do "Velho e da Gualdrapa", a teoria de que estes rituais só se realizavam no designado "período dos 12 dias", ou seja, o tempo que vai do Natal aos Reis, "cai por terra".

"Esta afirmação deixa, assim, de fazer sentido, já que o ritual acontece muito antes desse período dos 12 dias", refere o investigador que é um dos responsáveis pela recuperação desta tradição, considerada como "uma das mais genuínas do Nordeste Transmontano, e também um dos exemplares únicos do património imaterial de uma região".

Esta celebração pagã tem como um dos dois atores principais o Velho, que é encarno por rapaz, com barba negra feita de lã de ovelha e uma máscara de cortiça. Na cabeça leva um chapéu preto e ao pescoço um boneco de cortiça preta, que o dá a beijar às pessoas, com o intuito de as "tisnar".

A outra figura é a Galdrapa, que é outro rapaz disfarçado de mulher que é a esposa do velho. Veste uma blusa, uma saia mirandesa enfeitada com muitos lenços coloridos e na cinta prende uma bolsa para recolher "as esmolas". Já na mão leva uma estaca para recolher peças de fumeiro.

Os rituais do solstício de inverno, também conhecidos por Festa dos Rapazes, são manifestações pagãs que se vivem um pouco por todo o Nordeste Transmontano e que simbolizam a emancipação dos jovens que neles participam.

Estas festas solsticiais, e dada a proximidade com a fronteira, atraem cada vez mais curiosos vindo de Espanha e França, para celebrarem em conjunto estes rituais pagãos e autênticos e fazer o seu registo para diversos estudos.

Estes rituais do solstício de inverno ainda se vivem com intensidade nos concelhos de Bragança, Mogadouro, Miranda do Douro e Vinhais.


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