Partindo do reconhecimento da importância do Património Cultural enquanto recurso turístico, constituem objectivos centrais de um projecto, apresentado em Lamego, contribuir para a estruturação da Rota Transfronteiriça do Património Mundial da Bacia do Douro.
Dez sítios classificados pela UNESCO, ao longo da bacia do rio Douro, fazem parte da Rota do Património da Humanidade da Bacia do Douro, lançada, na Segunda-feira, em Lamego, pela Fundação Rei Afonso Henriques.
A Rota do Património Mundial tem como ponto de partida a invulgar concentração, ao longo da Bacia do Douro Transfronteiriço, de bens inscritos na lista do Património da Humanidade da UNESCO: os centros históricos do Porto, Salamanca, Ávila e Segóvia; os monumentos e sítios de Arte Rupestre do Vale do Côa, a Catedral de Burgos e o Jazigo de Atapuerca, e as paisagens culturais do Alto Douro Vinhateiro e de Las Medulas.
Arlindo Cunha, Presidente da Fundação, adiantou que o projecto agora avançado “foi financiado pela Operação ON-Douro da CCRN, ainda no anterior QCA. Foi a última sessão da Comissão de Acompanhamento, iremos, em breve, fazer a apresentação do livro”. Este responsável ainda anunciou que o concurso para a elaboração técnica do trabalho apresentado foi ganho por um consórcio luso-espanhol.
O Comissário Científico do Projecto, Fernando Bianchi Aguiar, deu a conhecer alguns pormenores da iniciativa.
“Neste trabalho, estão referenciados dez sítios e bens identificados, embora haja um outro, fora da bacia, Santiago. Dos dez, quatro bens são portugueses e seis são espanhóis. O objectivo da Fundação foi conseguido, graças à constituição de uma rede que agora está a ser feita, tendo sido já criada uma monografia muito próxima do formato de um roteiro”.
Bianchi de Aguiar realçou que esta Rota pode ter um efeito positivo, na divulgação do Douro Património da Humanidade.
“O Douro Vinhateiro, por si só, não mobiliza suficientemente um mercado turístico longínquo e de grandes deslocações. Com este trabalho, chegamos à conclusão que nós podemos dar um contributo para esta visão mais global, assente numa divulgação de conjunto”.
O Comissário Científico do Projecto referiu ainda que “foi proposto um Plano de Acção, com cinco medidas” e que “a Fundação Rei Afonso Henriques gostava que, a médio prazo, pudessem ser validados cada um dos sítios e bens, pelas suas entidades gestoras”.
As duas mais importantes foram salientadas: “uma passa pela edição de um guia de boas práticas e a outra a concretização de uma plataforma de entendimento institucional que pode ser pelo recurso à Internet, como forma de divulgação e comunicação com o público e operadores turísticos”.
O Presidente da Câmara Municipal de Lamego, Francisco Lopes, considerou o Projecto “interessante” e concordou que a constituição de uma Rede é o caminho a seguir: “um produto turístico, para ser vendável em grandes mercados, tem de ter dimensão. O Douro vale, em termos turísticos, 1% do mercado internacional. Projectos de abrangência são sempre bem vindos. Se não, arriscamo-nos a perder turistas para outros destinos. Lamego tem um papel de centralidade, neste processo”.
Ricardo Magalhães, Encarregado de Missão do Douro, também frisou a importância da criação desta Rota e deixou um recado: “nós não queremos que o Douro tenha mais rotas no papel. Temos de trabalhar, para concretizar, no território, esta Rede e esta Rota. Não é uma tarefa fácil, isto vai-nos obrigar a tentar encontrar um modelo de gestão coerente e consequente”.
Jmcardoso



