Vila RealRui Santos, um potencial candidato à autarquia de Vila Real

Rui Santos, um potencial candidato à autarquia de Vila Real

A poucos dias de mais um importante passo para as concelhias de Vila Real do Partido Socialista (PS), com a realização de mais um momento eleitoral, Rui Santos, Presidente da Federação Distrital do partido, foi o convidado do programa “Pontos J´s”. E mais do que colocar os “pontos nos j´s”, o socialista comentou, explicou, enalteceu […]

A poucos dias de mais um importante passo para as concelhias de Vila Real do Partido Socialista (PS), com a realização de mais um momento eleitoral, Rui Santos, Presidente da Federação Distrital do partido, foi o convidado do programa “Pontos J´s”. E mais do que colocar os “pontos nos j´s”, o socialista comentou, explicou, enalteceu e criticou mesmo as políticas do seu Governo. Discordante, por exemplo, sobre algumas medidas na área da Saúde, mas aplaudindo a “revolução” na Educação, Rui Santos reconhece que, em Vila Real, não vivemos num distrito “cor-de-rosa”, mas que muito tem sido feito, pelo actual Governo.

O Presidente da Federação levantou o véu, ainda, sobre os possíveis candidatos socialistas à autarquia da capital de distrito, incluindo, no rol “das possibilidades”, o seu próprio nome.

Em colaboração com a Rádio Universidade, o Nosso Jornal deixa aqui alguns excertos sobre o encontro que será retransmitido, na íntegra, em 104.3 FM, pelas 10.30 horas, no próximo Domingo.

“Subo, hoje, a esta tribuna, para denunciar, em concreto, a política de marginalização e abandono social a que este Governo Socialista tem votado o Distrito de Vila Real. Este Governo Socialista tem sido, mesmo, o campeão da injustiça, da clivagem social e territorial, da desertificação, da insensibilidade social, do autoritarismo e da mentira”. Como Presidente da Federação Distrital do PS, o que tem a dizer, em relação às palavras do deputado Ricardo Martins, proferidas, recentemente, na Assembleia da República?

 

“O que o deputado diz é regra ser dito quando se está na oposição, quando não se tem responsabilidades, quando não se querem analisar os factos.

Os factos são absolutamente claros e demonstram bem que este Governo tem cumprido com os compromissos, a nível distrital. Concluiu a A24 e, sobretudo, manteve-a sem portagens. É bom lembrar que o PSD, aquando da sua passagem pelo Governo, defendia a introdução de portagens, na A24. Lançou a obra definitiva que será inaugurada, ainda em 2008, do Museu do Douro. Considerou o projecto da UNICER, no complexo das Pedras Salgadas, como sendo de potencial interesse nacional. Viabilizou a construção do recém inaugurado Casino de Chaves que vai criar, no total, 220 postos de trabalho, bem como as receitas de jogo que vão ser distribuídas, no Alto Tâmega. Apoiou a Universidade, em dois ou três projectos de referência, como o restaurante universitário e o complexo das Veterinárias e, noutros momentos, com o reforço de verbas, como aconteceu no último mês de 2007, em que atribuiu um valor superior a cinco milhões de euros. Abriu concurso para a construção de três centrais de biomassa, na região. Criou a Estrutura de Missão para o Douro. Investiu em saneamento e abastecimento de água, no ano passado, trinta milhões de euros e prevê, para este ano, mais 33 milhões de euros. Lançou o espaço Miguel Torga. Abriu concurso para a A4, uma obra emblemática que tantos prometeram, mas que ninguém se predispôs, realmente, a realizar e que será adjudicada ainda no primeiro trimestre deste ano.

Também na área social, fez investimentos muito significativos. Anunciei, recentemente (na qualidade de Presidente do Centro Distrital de Segurança Social), que vão ser realizadas 35 respostas sociais, em termos de infra-estruturas que permitirão apoiar mais 952 utentes, num investimento que, só em obras, significa 10 milhões de euros e, depois, representará uma despesa corrente, na manutenção da estrutura, de qualquer coisa como meio milhão de contos, por ano”.

 

Há cerca de um ano e meio, concedeu uma entrevista, em que dizia, concretamente, que iria tirar as suas ilações no caso do Governo prejudicar o nosso distrito, do âmbito do Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE). O PRACE está a acabar… Quais são as suas consequências e que ilações tira?

 

“As dúvidas que eu levantava, há um ano atrás, bem como algumas preocupações que tinha com a colocação dos serviços, no distrito, ficaram salvaguardas. Para além da Direcção Regional da Cultura do Norte que se manteve, em Vila Real, foi reforçada, também, a Direcção Regional do Norte do Instituto de Desporto de Portugal e a Direcção do Instituto Portuário do Norte ficou no distrito. O Instituto do Vinho do Douro e Porto, a Unidade de Missão do Douro e as Direcções Regionais de Florestas e de Finanças ficaram em Vila Real. Estamos, hoje, no segundo distrito do Norte onde há mais serviços (o primeiro é o Porto). Isto é importante e demonstra bem que o Governo tem preocupações, em concreto, com o interior. Além disso, também no âmbito fiscal, o Governo criou incentivos para as empresas que estão no interior e para aquelas que aqui venham a instalar-se, tendo em linha de conta as reduções significativas de âmbito fiscal.

Tenho bem a noção de que nem tudo está feito. Mas o caminho faz-se andando…

Que fique claro que eu não vendo um distrito cor-de-rosa, eu tenho bem a noção de que doze dos nossos 14 concelhos vivem na designada morte social, ou seja, o índice de poder de compra é inferior a 75 por cento da média nacional e, portanto, há um grande trabalho a fazer. Tenho bem presente que, entre 1981 e 2004, o distrito perdeu 40 mil habitantes e que o índice de envelhecimento passou de 71 para 147 por cento. Mas não é em dois anos que isso se resolve, é, sim, criando infra-estruturas, como as que já explicitei e outras. Devem ser criadas as condições para que se possa inverter essa lógica. Acho que todos, o Governo incluído mas também os empresários devem investir e deixar de se lamuriar, para podermos inverter essa situação.

Relativamente às ilações, o Congresso do partido ainda não está marcado, mas, se fosse hoje, eu seria candiato a um novo mandato. O trabalho que desenvolvi não agradará a todos, provavelmente há membros do partido que não estarão satisfeitos, sei que, em muitos casos, não pude corresponder a todas as expectativas, mas noutros fomos muito além do que era expectável. Se as eleições para a Federação Distrital fossem hoje, eu seria candidato”.

 

Mas o comum dos cidadão não sentirá que há coisas que lhe estão a fugir? Como vê toda esta “histeria”, em torno da Saúde? Consegue, de alguma forma, perceber a lógica do que está a ser feito?

 

“O Centro Hospitalar de Vila Real, Régua, Lamego e Chaves vai ser um hospital de referência, a nível nacional, abrangendo uma região de 270 mil pessoas. Para que isso seja possível, tivemos que ir buscar muita gente ao lado de lá, ao distrito de Viseu. Pergunto: se fosse ao contrário, se fosse a Régua ou Alijó que passassem a drenar para Viseu, o que é que nós diríamos? Mas é exactamente o contrário, são pessoas do lado de lá do Douro que estão a drenar, para Vila Real, o que vai permitir um investimento muitíssimo considerável, no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD), sendo que algum desse investimento já está feito. Muito em breve, será inaugurado o novo refeitório no Hospital de Vila Real e o Serviço de Oncologia e vai haver a duplicação da área de internamento e novos serviços de urgência. Eu pergunto: Isso é bom ou mau para o distrito? É verdade que houve encerramento de serviços, é verdade que, nalguns desses encerramentos, não houve os cuidados que seriam desejáveis, é verdade que estamos preocupados, em concreto, com as pessoas e temos que encontrar soluções, mas também não vamos fazer demagogia! Há casos e casos. Vila Pouca está a 15 minutos de Vila Real, Alijó está a 45, portanto, a mesma medida não deveria ser aplicada, em simultâneo, nos dois concelhos. Esse tem sido o grande erro: não se conseguir separar o trigo do joio, não se conseguir adoptar as medidas fundamentais para fazer um fato à medida de cada pessoa e não um fato, em geral.

Tudo faremos, no sentido de demonstrar, de forma clara, que há um erro, aliás tentámos alertar para que esse erro não fosse cometido e, agora, temos que encontrar soluções que permitam essas rectificações”.

 

Apesar de não vender uma realidade cor-de-rosa, a verdade é que é Presidente da Federação de um distrito cor-de-rosa, já que, pela primeira vez, há dois anos e meio, o Partido Socialista venceu as eleições legislativas. Parece-lhe possível que a Distrital possa intervir, de forma mais directa, nas concelhias mais “difíceis”, em termos políticos, para almejar resultados ainda mais altos?

 

“Em Vila Real, nas últimas eleições, observou-se um fenómeno que foi muito além da subida geral do partido, no todo nacional. A nível nacional, subimos 7,2 por cento e, no distrito, subimos 12 por cento. Resultados que aumentaram, obviamente, as responsabilidades dos militantes e de todos os dirigentes e responsáveis pelo partido, no distrito. Na Federação, temos que agir em conformidade com a responsabilidade que esses resultados nos trouxeram, credibilizando a política, as acções e exercendo uma magistratura de influência, junto do Poder Central, levantando problemas, mas, também, apresentando soluções.

Estamos a meio do percurso do Governo e, por isso, temos que reflectir no que se passou, projectando o que temos pela frente, corrigindo o que fizemos de menos bem, mas, também, realçando o que fizemos bem. E é bom lembrar que o PS, quando assumiu o Governo, tinha um défice de 6,2 por cento e, neste momento, tem um défice abaixo dos três por cento, o que se conseguiu sem receitas extraordinárias, apostando na redução da despesa primária. Temos que perceber porque se tomaram certas medidas.

No fundo, os portugueses têm entendido esse trabalho. Apesar de haver aqui uma ou outra situação que levantam um ou outro foco de protesto, a verdade é que as sondagens têm mostrado que os portugueses entenderam o alcance das medidas”.

 

E na Educação?

 

“Entre 1995 e 2005, a despesa pública duplicou, o número de alunos diminuiu, o número de professores cresceu, os números do insucesso e do abandono escolar também aumentaram. Acham que não devíamos fazer nada, nessa área? Foram encerradas 3 mil escolas com menos de 10 alunos! Na minha lógica, foi um encerramento virtuoso. Essa foi uma medida que muitos anunciaram, muitos o pretenderam fazer, mas não tiveram coragem. Valorizámos o Ensino Profissional, avançamos com o Centro Novas Oportunidades. Eram medidas que, há muitos anos, eram defendidas, mas que ninguém teve coragem de as implementar”.

 

O PS já marcou as eleições concelhias. Sabemos que há algumas candidaturas e que, de alguma forma, têm como objectivo liderar as campanhas às autárquicas. Quem poderá ser esse líder? Fala-se muito no seu nome…

 

“Hoje, o concelho de Vila Real tem uma série de potenciais candidatos. Eu poderei ser um candidato à Câmara… Mas temos mais potenciais candidatos: o Ascenso Simões, um antigo e actual Secretário de Estado que tem um currículo que todos reconhecem; o Artur Lourenço Vaz, o anterior candidato, que somou 44 por cento dos votos, nas últimas autárquicas, o melhor resultado de sempre, do PS, em Vila Real; o António Martinho, actual Governador Civil, também pode ser candidato. Portanto, aquilo que deve ser feito, na Comissão Política Concelhia é desenvolver um trabalho sustentável e credível que envolva todas essas pessoas e muitas outras que não citei, no sentido de, na altura certa, obviamente, dentro daquilo que é o nosso calendário, vermos aquele que está mais bem posicionado, para ganhar a autarquia”.

 

Será que o PSD poderia falar dessa forma desassombrada, sobre potenciais candidaturas?

 

“O Município de Vila Real é, desde as primeiras autárquicas, dirigido pelo PSD e o primeiro, o principal e o mais constante responsável por esta governação tem um rosto, tem um nome, é o actual Presidente da Câmara Municipal, Manuel Martins. Ao fim destes anos todos, existe alguma claustrofobia, alguma acomodação, alguns tiques de autismo, por parte do actual executivo, por parte de quem lidera os destinos da Câmara Municipal.

Faço um balanço negativo e acho extraordinário que alguém que se candidata, inicialmente, sobre o lema da “renovação”, ao fim de todos estes anos (e sendo o Presidente mais idoso da região de Trás-os-Montes e Alto Douro), seja o único rosto que o PSD vislumbra, para voltar a ser candidatado à autarquia. Na altura, era a renovação. Passados 20 anos…”.

 

Maria Meireles

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