Quarta-feira, 4 de Agosto de 2021

Sindicato quer que sejam feitos testes a todos os trabalhadores das barragens do Tâmega

O Sindicato da Construção de Portugal reivindicou hoje ao Ministério da Saúde que proceda à realização de testes à covid-19 a “todos os trabalhadores” afetos às obras do Sistema Eletroprodutor do Tâmega (SET).

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“Este sindicato não defende a paragem da obra, mas sim que sejam feitos testes a todos os trabalhadores […]. O perigo quanto ao coronavírus espreita a cada segundo”, afirmou a estrutura sindical, em comunicado.

O Sistema Eletroprodutor do Tâmega é formado por três centrais hidroelétricas e três barragens, duas situadas no rio Tâmega (Daivões e Alto Tâmega) e a terceira no rio Torno (Gouvães).

Para o Sindicato da Construção de Portugal, o rastreio deve ser “realizado com a maior celeridade possível porque muitos trabalhadores são espanhóis e estão a trabalhar lado a lado com os portugueses”.

Segundo informações dadas hoje à agência Lusa pela concessionária do SET, a espanhola Iberdrola, “atualmente as obras avançam praticamente ao ritmo normal com aproximadamente 1.000 trabalhadores”. Deste número, “apenas 5% são trabalhadores transfronteiriços”.

A empresa disse ainda que, “até ao momento, não existe nenhum caso positivo de covid-19 registado no Sistema Eletroprodutor do Tâmega” e que elaborou um plano de contingência para fazer face à pandemia no âmbito das obras.

Acrescentou que cada uma das empresas contratadas para executar a obra preparou, simultaneamente, um plano de contingência semelhante. “Existe uma coordenação diária entre a Iberdrola e as ditas entidades executantes, a fim de se garantirem as condições de segurança dos colaboradores”, apontou.

O Sindicato da Construção de Portugal disse ainda que “muitos trabalhadores portugueses estão a telefonar para sindicato a dizer que pedem aos subempreiteiros máscaras e luvas e pura e simplesmente os mandam embora”.

Por fim, a estrutura sindical reivindicou à ministra da Saúde a criação de uma “comissão constituída por médicos e especialistas para realizarem os testes aos trabalhadores”.

A Iberdrola disse que “está atenta, sensível e reativa a todos os eventos e desenvolvimentos relacionados com esta pandemia” e que tem cumprido as orientações emanadas pelas entidades públicas competentes e determinadas pela declaração do estado de emergência.

“Este é um projeto de interesse nacional, mas que também cumpre, atualmente, um importante desígnio no funcionamento da economia local. Estamos conscientes dos riscos atuais, mas também sabemos que estamos à altura das nossas responsabilidades e, neste momento, acreditamos que todas as ações devem ser pautadas pela necessária ponderação, reflexão e equilíbrio”, afirmou a empresa.

Entre as medidas implementadas estão o teletrabalho, a redução da concentração de trabalhadores nas frentes de trabalho, nas deslocações dentro das obras e nas áreas comuns, não apenas nos refeitórios.

Foram ainda estabelecidas rotinas de desinfeção em áreas comuns e aumentados os pontos de lavagem e desinfeção das mãos.

“Incentivar, como sempre aconteceu até agora, ao estrito cumprimento de todas as medidas de segurança e ao uso de equipamentos de proteção individuais e coletivos, nomeadamente máscaras e luvas que a Iberdrola disponibilizou-se a oferecer, por parte de todos os trabalhadores que coabitam na obra”, acrescentou ainda a elétrica espanhola.

Nas últimas semanas, o presidente da Câmara de Ribeira de Pena, João Noronha, tem demonstrado preocupações com a mobilidade semanal de centenas de trabalhadores das barragens do Tâmega e com as condições de trabalho na obra, queixando-se da falta de respostas do Governo.

O autarca pediu, inclusive, ao primeiro-ministro e ministros da Administração Interna e da Saúde, no dia 25 de março, a declaração da situação de calamidade no concelho e a suspensão temporária, mas imediata, das obras nas três barragens.

O SET é dos maiores projetos hidroelétricos realizados na Europa nos últimos 25 anos e representa um investimento de 1.500 milhões de euros.

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