Considerando que se trata de uma “infraestrutura importante para Vila Real”, a Câmara Municipal está “disposta a encontrar soluções em parceria com os atuais responsáveis pelo imóvel”, adiantou o autarca Rui Santos sobre a Pousada da Juventude da capital de distrito, que está encerrada há dois anos.
O presidente da Câmara adiantou inclusive que já foram encetadas conversações sobre o futuro da Pousada, no entanto, advertiu, perentoriamente, que a solução não passará pela subsidiação do serviço por parte do município. “Que fique claro, o município não substitui aquelas que são as competências do Estado Central”, sublinhou.
A Pousada da Juventude de Vila Real viu a sua atividade suspensa em fevereiro de 2012, tendo sido alegada a necessidade de reabilitação das suas infraestruturas.
Contando com um total de 52 camas e considerada como localizada numa zona de interesse, por estar sedeada numa capital de distrito, na altura do seu encerramento foi avançado que seria necessário um investimento na ordem dos 120 mil euros para a sua requalificação.
Segundo o estudo revelado pelo Governo sobre as taxas de ocupação, Vila Real liderou a tabela pela negativa, ao ser a unidade que apresentou a maior quebra da procura nos dois últimos anos em que esteve em funcionamento, com uma redução superior a 40 por cento.
De recordar que, no início do ano passado, o Estado apresentou um novo modelo de gestão, baseado num estudo da Deloitte, onde das 44 Pousadas da Juventude do país, cerca de 20 deveriam sair da rede, entre as quais a de Vila Real.
Miguel Relvas, na altura ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, assegurou então que não se trata de privatizar as Pousadas de Juventude, mas sim “concessionar algumas”. Sublinhando que “a propriedade manter-se-á no Estado” passando apenas a gestão para outras instituições, o mesmo responsável político explicou que a oportunidade será “aberta a entidades privadas e a entidades públicas”, sublinhando que as “autarquias serão bem-vindas” no processo.
No final da semana passada, a Câmara Municipal de Braga assumiu publicamente que irá atribuir um subsídio de mais de seis mil euros para garantir o funcionamento da sua Pousada, uma possibilidade afastada pela autarquia vila-realense.
Além de sublinhar que o município “não pagará aquelas que são competências do Estado Central”, Rui Santos acredita que o espaço, tal como está, “não permite a sua privatização de forma rentável a quem o venha a explorar”.
“O município está disposto a encontrar soluções em parceria com os atuais responsáveis pelo imóvel”, reforçou o autarca, deixando claro que a Pousada da Juventude é uma “infraestrutura importante para o município”.
Rui Santos, eleito pelo partido socialista depois de 38 anos de governo local social-democrata, lembrou que “as frentes têm sido múltiplas”. “Estamos a tentar encontrar soluções para cada um dos muitos problemas que vamos enfrentando”, mas “que fique claro que não é possível em quatro anos resolver problemas que não foram resolvidos em 38. Não somos super-homens”, concluiu.
De recordar que, além da Pousada de Vila Real, no mesmo processo, encerraram também, em fevereiro de 2013, as Pousadas de Setúbal, Leiria, Guarda e Portalegre, que, no conjunto, apresentavam, segundo informação veiculada na altura pelo Governo, saldos negativos na ordem dos 1,2 milhões de euros nos seus últimos oito anos de funcionamento.




