Não passa despercebido a ninguém que Vila Real, nos últimos anos, tem sido das cidades do país que mais tem investido em equipamentos de cultura, educação, lazer e nas infra- -estruturas básicas que melhoraram, substancialmente, a qualidade de vida da população da cidade e, globalmente, do concelho. Porém, nem tudo está feito e a evolução na continuidade do ciclo de intervenções, até agora já realizadas, vai continuar.
Nos próximos dois anos, mais projectos, mais investimentos e um “pacote” de obras que irão concretizar, em pleno, “uma estratégia para o desenvolvimento e crescimento sustentado de Vila Real” que o Presidente da Câmara Municipal de Vila Real, Manuel Martins e a sua Vereação têm vindo a assumir como uma autêntica matriz, na gestão do Município.
O Nosso Jornal abordou, com o autarca vila-realense, o presente e o futuro desses projectos, sintetizando muitos deles.
“É evidente que, nestes 14 anos, tem havido uma estratégia para o desenvolvimento e crescimento de Vila Real. E tanto assim é que, no ano passado, em Janeiro de 2007, na revista de um jornal de grande credibilidade, em Portugal, como é o Expresso, a revista Única veio dizer, num estudo que fez com cinco jornalistas e com base em critérios que lhes foram propostos, por especialistas na matéria, consideraram que Vila Real era a 7.ª melhor cidade do país, para se viver. Acho que devemos ficar orgulhosos e felizes com isso e perceber que aquilo que nós fizemos, durante algum tempo, parece que foi acertado”.
Manuel Martins referiu, então, algumas das intervenções previstas, onde o Desporto assume uma grande evidência.
“Já foi lançado o concurso de Concepção/Construção, de um pavilhão gimnodesportivo com dimensões e características para provas de cariz regional, nacional e até internacional. Esperamos uma coisa com qualidade. O pavilhão terá 3 plataformas de jogos, bancadas fixas e retrácteis, com capacidade total para 1.500 lugares sentados, balneários, ginásio, bar, área administrativa e, ainda, um parque de estacionamento autónomo. Neste momento, foi lançado um concurso público internacional de Concepção/Construção. Prevê-se o início das obras para Outubro”.
O projecto para o Campo do Calvário também vai avançar.
“O Campo do Calvário é um espaço que tem o seu valor, no coração da cidade, mas tem muitas coisas que não são positivas. Por exemplo, é um campo pelado e não tem aparcamento, criando congestionamentos e situações complexas, na envolvente do espaço. Queremos fazer lá uma Piscina, com qualidade, onde se possam fazer provas de Natação de cariz regional e, até, nacional. Na outra metade do campo, será implementado um jardim que ficará ligado ao Jardim da Carreira. Por baixo, será instalado um parque de estacionamento, com cerca de 150 lugares, que não só apoiará esta estrutura desportiva como vai apoiar, também, o próprio Jardim da Carreira”.
Contudo, há condicionantes, para o arranque desta obra.
“Este projecto só pode ser feito quando nós tivermos dado, ao S.C. de Vila Real, um outro espaço desportivo que vamos fazer, no Monte da Forca, com dois campos de relva sintética. Portanto, só começaremos com esta obra, quando terminarmos a do Monte da Forca, cujo projecto está a ser ultimado. Neste caso do Monte da Forca, até ao final do primeiro trimestre do próximo ano pensamos estar com a situação resolvida. E estamos, também, a pensar iniciar a obra no Campo do Calvário, por essa altura. Trata-se de duas questões que, para nós, são essenciais, na área desportiva”.
Além disto, o Município irá completar a rede de polidesportivos, no concelho. Assim, Borbela, S. Tomé do Castelo, Nogueira, Torreslar (em colaboração com o IDP) e a requalificação do recinto do Bairro da Concha fazem parte do plano. Ainda no capítulo desportivo, o Circuito também é uma aposta. E, a nível competitivo, há muitas expectativas.
“Ainda há uma dúvida: se haverá uma prova, no dia 21 de Junho, e outra em Setembro, ou se haverá uma única, na primeira quinzena de Julho. Tudo porque as provas de Junho são provas nacionais e a prova de Setembro englobaria uma competição internacional. O nosso objectivo é internacionalizar, novamente, o Circuito de Vila Real. Pelos vistos, parece que há essa possibilidade, porque alguém vai falhar uma prova internacional e esta poderá ser transferida, para Vila Real. Se assim for, juntaremos as provas, para não perturbar tanto a população”.
A Central de Transportes é outra das prioridades e necessidades de Vila Real.
“No local onde, actualmente, param e estacionam as camionetas de carreira, além do novo pavilhão gimnodesportivo, vai haver um terminal de transportes, com o edifício respectivo, com os apoios necessários à chegada e partida de passageiros, toda a logística que isso envolve. Será dotada de um complexo circuito de movimentação interna e, por baixo dessas duas construções, vai haver um parque de estacionamento, para 250 lugares. O concurso de Concepção/Construção está lançado e acredito que, no Verão do próximo ano, estejamos a finalizar o pavilhão desportivo e a ultimar o terminal de transporte. Esta obra é fundamental, para Vila Real”.
A qualidade de vida da população da cidade será reforçada, com dois equipamentos de monta.
“A União Europeia recomenda que, por cada cidadão, haja 2,2 m2 de área verde. Em Vila Real, temos 4,5m2, por pessoa, o que quer dizer que estamos muito acima do que é recomendado. Mas queremos estar mais acima, ainda. Porque achamos que os cidadãos não podem esbarrar-se, sistematicamente, só com prédios. Estamos já a construir uma praça e um parque urbano, em frente à Igreja de Santo António da Araucária. Para aquele espaço, estavam previstas construções em U. Aquele espaço era para ser ocupado por habitações, era um loteamento que estava previsto desde os anos 80. Mas achámos que era de mais. Eu próprio propus, à Câmara Municipal, que adquirisse aqueles lotes e os transformasse em espaço verde, tornando-o, também, num espaço de recreio e lazer, para quem mora naquela zona. Espero inaugurar aquela praça no dia de Santo António, ainda este ano”.
“A obra, em Lordelo, terá que estar concluída até ao fim de Abril deste ano, altura em que a feira irá para aquela zona. Iremos oferecer, aos feirantes, um espaço como poucos haverá, em Portugal, para as feiras de levante. Eu diria, porque fui já informado disso, que haverá dois ou três, com esta qualidade”.
Para a inauguração da Feira de Levante de Lordelo já há ideias:
Na primeira semana, queremos que seja graciosa, em termos de transportes, para que as pessoas também percebam que não estão tão longe quanto isso e que têm forma de se deslocar. Estou convencido de que a Corgubus há-de criar uma linha de autocarros, nesses dois dias, para fazer esse movimento, desde as oito horas da manhã até ao meio-dia. No dia em que a parte de cima, onde, actualmente, está instalada a feira dos trapos, nesse mesmo dia entrarão as máquinas, para levantar aquilo tudo. O projecto está aprovado, será uma obra também feita pelos nossos serviços, aliás como a feira nova do levante, serão os serviços da Câmara a construir o parque de N. Sra. da Conceição. Este terá um jardim dotado de um café, um quiosque, um espaço para as crianças, relvados e, à volta, algum estacionamento. Será um espaço para as pessoas usufruir. Estes dois projectos estão concluídos e aprovados, o parque de N. Sra. Conceição vai-nos custar, globalmente, 628 mil euros e o parque urbano da Araucária, exceptuando a aquisição dos terrenos que foi muito grande, vai-nos custar 281 mil euros. A aquisição dos terrenos custou quase um milhão de euros. A feira do levante de Lordelo vai custar 945.000 mil euros”.
Em termos culturais, Manuel Martins projectou, também, alguns equipamentos em vias de inauguração.
“Estamos a ultimar, na Vila Velha, um edifício que será um outro museu, da autoria do arquitecto Belém Lima. Esse museu irá albergar o espólio arqueológico que foi ali encontrado. Penso que a inauguração se fará brevemente, se a memória não me trair, faremos a inauguração no Dia Internacional dos Museus, deixando o resto da intervenção da Vila Velha que também está, praticamente, acabada, para o dia 20 de Julho, o Dia da Cidade”.
Em obra está, de igual modo, o Centro Transfronteiriço de Serviços Logísticos de Vila Real e o Centro de Interpretação e Monitorização Ambiental. E está aprovado o projecto do Centro de Ciência Viva cujo concurso está feito. “Só não está adjudicado, porque, como sabe, o crédito atrasou-se. Esperemos que venha, para o fazer avançar”.
O Parque de Ciência e Tecnologia está na ordem do dia.
“Neste momento, estamos a trabalhar, com a UTAD e com a Associação de Parques Tecnológicos do Norte, sediada no Porto. Estamos a tentar encontrar o apoio do Instituto Politécnico de Bragança e da Câmara Municipal de Bragança, no sentido de ver se eles também querem juntar-se a nós, para terem lá um pólo, para concretizar este projecto. Nós gostaríamos que se juntassem a nós, mas, se isso não acontecer, avançaremos nós com este projecto”.
A empresa Marval vai avançar com a construção do novo parque industrial, numa zona próxima da actual.
Manuel Martins lembrou, ainda, o Projecto “Douro Aliance”.
“Houve 26 candidaturas, emitidas pela D.G.O.T., tendo sido aprovadas cinco, sendo uma de Vila Real, com a participação de Régua e Lamego”.
Por fim, o autarca salientou o investimento do Município, na Educação.
“No último ano, só para pequenas obras, em escolas que funcionam no concelho e para aumentar espaços como sejam bibliotecas, refeitórios ou espaços para as actividades de enriquecimento curricular, gastámos um milhão de euros. Estamos a concluir os projectos de requalificação da escola da Araucária, duplicando, praticamente, a sua dimensão actual. Faremos um novo polidesportivo, para apoio não só dos moradores, mas, também, do próprio complexo escolar que ali vai ficar sediado. O mesmo vai acontecer, na Senhora da Conceição e no Bairro de S. Vicente Paulo. Aí vamos requalificar e aumentar o que existe. Junto a Folhadela, vamos construir um Centro Escolar que vai servir toda aquela zona sudeste do concelho de Vila Real. Todas as crianças que vêm de Andrães, Ermida, Nogueira acabam por “desaguar” ali, esperamos cerca de quatrocentas. Terá jardim-de-infância (é evidente que existirá, depois, uma rede de transportes), cantinas adequadas, espaços para acções de enriquecimento curricular e novos espaços desportivos.
Vila Real pode assumir uma espécie de metrópole que começará por ter 120 mil habitantes e consubstanciada em três cidades: Vila Real, Régua e Lamego. Porque é que não podemos ter o tal sucesso que eu sonhei, para Vila Real? As outras duas cidades, por direito próprio, também assumirão o seu crescimento, o seu desenvolvimento, a sua afirmação, cada uma com a sua individualidade. Com isto, penso que possamos ser, de facto, uma grande urbe e sermos o pólo de atracção e desenvolvimento, para o interior. Vila Real, sozinha, tem muito sentido, mas integrada com mais duas pode conseguir aquilo a que Valente de Oliveira chamou, um dia, a Cidade do Douro. Acho que é bonito e vale a pena”.
José Manuel Cardoso






