O voo regular que partiu de Vila Real, rumo a Lisboa, na manhã da passada Segunda-feira, acabou por ser o último. Pelo menos, durante uma semana. A empresa indica que a interrupção se prolongará, apenas, até amanhã, mas o facto desta situação não ser nova preocupa as forças vivas da região. A grave crise financeira vivida pela Aerocondor poderá estar na base da suspensão do serviço. No entanto, muitas são as vozes que defendem que a região tem capacidade e precisa de manter as linhas aéreas em funcionamento.
Desde o início da semana que estão interrompidas as ligações aéreas entre os aeródromos de Vila Real, Bragança e Lisboa, uma situação “que não é nova” e que, segundo a empresa Aerocondor, responsável pelo serviço, se manterá, até amanhã.
Segundo fonte do Aeródromo de Vila Real, a informação foi veiculada, por fax, no qual a empresa justificou a suspensão dos voos, com “problemas técnicos”, sendo que já é do conhecimento geral “a grave crise financeira”, vivida pela transportadora aérea.
Ricardo Martins, deputado social-democrata na Assembleia da República, recorda que, desde de 2006, tem “alertado” o Governo para o “incumprimento”, ao nível dos serviços da empresa. Já em 2007, e depois de uma nova abordagem do deputado transmontano, o Governo deixou a garantia de que “relativamente à hipótese de a ATA – Aerocondor Transportes Aéreos – romper o cumprimento das suas obrigações contratuais” procuraria, “por todos os meios ao seu alcance”, encontrar uma solução, para assegurar a continuidade dos serviços, “nomeadamente recorrer, em simultâneo, ao lançamento de um novo concurso e ao ajuste directo para o período de tempo que mediar a sua conclusão”.
“Pois bem, estamos perante essa situação”, alega Ricardo Martins, defendendo que, “se a empresa não tem condições para continuar a operar, o Governo e o Instituto Nacional de Aviação Civil (INAC) têm que encontrar uma solução de recurso”.
Domingos Madeira Pinto, Vice- -Presidente da Câmara Municipal de Vila Real, também sublinhou que a interrupção não constituí “uma surpresa”, visto “não ser a primeira vez que acontece”, mas lamentou a situação, lembrando que “a região precisa da proximidade à capital, garantida pelas ligações aéreas. O que iremos fazer é exercer pressão, perante o Ministério, para que o serviço se regularize”, explicou o Vice-Presidente.
Recentemente, a autarquia de Vila Real tem investido, tanto em termos humanos como financeiros, para garantir uma melhor operacionalidade e segurança no Aeródromo Municipal, tendo sido mesmo atribuída, pelo INAC, a certificação daquela infra-estrutura.
“Com todos os investimentos, aumentámos o nosso grau de exigência”, refere Domingos Madeira Pinto, voltando a frisar que “Vila Real precisa desse serviço, até por uma questão social de combate ao isolamento”.
Um estudo, elaborado em 2002, aquando da elaboração do Plano Director do Aeródromo, perspectivava que, actualmente, as ligações aéreas, em Vila Real, contassem com o transporte de cerca de 4.000 pessoas. No entanto, segundo a mesma fonte do Aeródromo, em 2007, os números ficaram-se pelos 2.714 passageiros embarcados.
“O estudo previa um crescimento anual exponencial, tendo como base o desenvolvimento da região, o que não se verificou, exactamente por causa das falhas nos serviços”, revelou.
Maria Meireles



