Sábado, 25 de Abril de 2026
Em FocoTénis de Mesa está a crescer “mais em Trás-os-Montes do que no resto do país”

Ténis de Mesa está a crescer “mais em Trás-os-Montes do que no resto do país”

A Associação Ténis de Mesa de Vila Real (ATMVR) nasceu a 25 de outubro de 1986, altura em que se pretendia emancipar da Associação de Desportos, que era liderada pelo capitão Fontinha. Membro fundador da ATMVR, António Minhava Peixoto está à frente da associação desde 1998.

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A ATMVR nasceu com a missão dirigir, promover, incentivar, regulamentar, na área da sua jurisdição a prática do ténis de mesa. Proteger e defender os legítimos interesses dos clubes filiados e respetivos atletas. Atualmente conta com oito clubes, espalhados por Vila Real (5), Mirandela (1), Chaves (1) e Régua (1). São 130 atletas federados, mas também têm atletas de lazer, mas num número bastante mais reduzido (cerca de 15).

A modalidade está a crescer no país, mas em Trás-os-Montes verifica-se um crescimento mais acelerado. A Associação tem um centro de treino a funcionar no pavilhão do Desportos, com nove mesas e todo o material necessário à prática deste desporto. As pessoas podem ali praticar ténis de mesa sem qualquer custo. Neste momento, a associação possui 20 mesas para realizar os torneios que organiza.

Esta evolução “significativa” é vista pelo presidente da ATMVR como o resultado de uma aposta cada vez maior dos clubes na modalidade e os resultados que os atletas portugueses têm alcançado a nível internacional também têm contribuído para o crescimento do ténis de mesa em Portugal. “Somos campeões europeus, vencemos no ano passado a Alemanha. Este ano, em Baku, vencemos a França na final. No entanto ainda falta maior atenção por parte dos meios de comunicação social, que são muito mais focados em outras modalidades. Recentemente, nos primeiros jogos europeus trouxemos a medalha de ouro de Baku, em que o João Geraldo esteve em destaque, o que nos deixa cheios de orgulho, uma vez que foi campeão regional de juniores há três anos”, pelo CTM de Mirandela.

Apesar deste aumento de praticantes, Portugal ainda está muito longe dos países mais evoluídos nesta matéria, como a Alemanha ou a França, na Europa, para não se falar da China (Ásia), que está no topo mundial da modalidade. Para conseguirem crescer, os melhores atletas são convidados a jogar em outros países, como aconteceu com João Geraldo, que está na Alemanha e esta temporada foi o melhor nas segundas categorias, o que lhe permite integrar as primeiras na nova época desportiva.

Para o próximo ano está já garantida a segunda edição do Torneio Transmontano, sendo que está também em cima da mesa a realização de um outro torneio só para seniores, que deverá acontecer na cidade de Peso da Régua, uma vez que a autarquia já mostrou interesse em realizar essa prova de classe A. “O Torneio Transmontano poderia ser rotativo, no entanto deverá continuar em Vila Real, isto porque os próprios clubes já manifestaram interesse em que fosse na capital de distrito”. A data ainda não está confirmada, mas deverá acontecer no mês de fevereiro. “Temos de jogar com as férias desportivas dos miúdos e com os estágios nacionais”, refere António Minhava, adiantando que vêm equipas de todo o país, incluindo Açores e Madeira. Além disso, a Federação prometeu realizar em Vila Real uma prova oficial do campeonato nacional. “Como só há cinco provas nacionais por época, há sempre associações a reclamar que também querem receber uma prova dessa categoria”.

Sobre algumas críticas que têm sido dirigidas à ATMVR, o responsável máximo da associação garante que todos os clubes são tratados de forma igual, independentemente de quem dirige o emblema.

Prova disso é que na última assembleia-geral “fomos agraciamos com um voto de louvor pelo trabalho desenvolvido por unanimidade e aclamação de todos os clubes presentes”, refere António Minhava, adiantando que houve apenas um clube que não marcou presença, o Club de Vila Real, que tem feito algumas críticas à política seguida pela direção da ATMVR. Críticas que António Minhava refuta veementemente porque “não correspondem à verdade”. Sobre o técnico Oleksandr Stanko, durante as primeiras quatro épocas de atividade (2008/2009 a 2011/20012), o Club Vila Real não teve qualquer encargo com o treinador. Apenas no início de 2012/2013, o referido clube decidiu contratá-lo em regime de exclusividade, tendo então terminado o vínculo que o ligava à ATMVR desde janeiro de 2004. Já relativamente ao facto da ATMVR ter deixado de emprestar mesas ao Club de Vila Real, o presidente sublinha que até final da época 2011/2012 “o referido clube utilizou cinco mesas da Associação, como facilmente se provará”. O Club refere ainda que “não tem mais atletas federados porque quem recebe as verbas significativas da federação é a Associação de Vila Real”. A ATMVR contrapõe com números. “Em termos brutos e pegando no exemplo de 2015, a Associação vai receber da Federação a verba de € 3.651,00. A este montante terá que ser deduzido o valor correspondente ao pagamento das inscrições dos atletas iniciados, infantis e cadetes, uma vez que a ATMVR isenta os clubes dessa taxa, numa medida de apoio direto à formação. Após este acerto de contas, o valor líquido rondará os € 2.800,00/ano, o que é uma insignificância tendo em atenção as atividades desenvolvidas. Quer isto dizer que se o Club Vila Real, ou qualquer outro clube da nossa Associação, tiver, por exemplo, mais 20 atletas cadetes inscritos, a Federação vai-nos aumentar o subsídio em € 211,09, mas, em contrapartida, a ATMVR vai pagar pela sua inscrição o valor de €250,00 o que, em termos finais, se reflete numa menos valia de €38,91”.

 

Secção de Ténis de Mesa Adaptado

 

Depois de a Federação ter apostado também neste desporto, a ATMVR é a única do país que tem um departamento próprio para o desporto adaptado. Para além da ANNDI, também a Federação está cada vez mais envolvida neste desporto adaptado. Mário Rodrigues é o responsável pelo departamento de desporto adaptado da ATMVR e poderá vir a ser escolhido para responsável da Federação na região Norte.

Em Vila Real há 15 praticantes de uma escola local, que treinam duas vezes por semana nas instalações da Associação de Ténis de Mesa de Vila Real. Mário Rodrigues foi o impulsionar desta equipa e conta como tudo se iniciou. “Começou por ser uma brincadeira, mas depois houve elementos que se evidenciaram e decidimos entrar no campeonato. Temos um atleta que está em segundo lugar do ranking nacional em síndrome de down, Ricardo Pires, logo a seguir ao atleta do Sporting CP João Gonçalves. Na região Norte está em primeiro do ranking”.

Este responsável assegura que estes atletas são “muito dedicados, gostam muito do que fazem e posso mesmo dizer que são uns viciados no ténis de mesa”.

As competições têm duas categorias: o Campeonato Nacional Norte, em que todas as quartas-feiras se disputa em diversas cidades do Norte do país. Há ainda os Campeonatos Nacionais, que por norma se realizam ao fim de semana.

Em setembro, Vila Real recebeu o torneio de abertura do campeonato de Portugal de Ténis de Mesa Adaptado em Síndrome de Down, o que “foi muito importante para a cidade vila-realense, em que estiveram presentes dez equipas e mais de quatro dezenas de atletas”, sustenta Mário Rodrigues, adiantando que a Federação promete trazer mais provas para a capital transmontana já no próximo ano, “com mais categorias”.

O futuro da modalidade parece estar assegurado na região transmontana, que continua a formar atletas de grande qualidade, como se comprova nos resultados obtidos nos campeonatos nacionais em que participa.


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