A encenação tem o seu início no adro da igreja e corre as ruas de Torre de Dona Chama, enquanto os caçadores tentam ultrapassar a barreira criada pelos Caretos, acompanhados pelos bombos e as mouriscas. Tudo culmina com a vitória dos cristãos sobre os mouros, com o castelo queimado e o povo em festa.
Em 2022, a Festa dos Caretos, dos Rapazes e de Santo Estêvão de Torre de Dona Chama, passou a estar inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, após a candidatura promovida pela Associação Dona Flâmula e o apoio técnico e financeiro do município de Mirandela e da Junta de Freguesia da Torre de Dona Chama.
Leonídia Fernandes foi uma das mouriscas, que tentam não deixar passar os caçadores. “É uma tradição que gosto muito”, diz a participante à VTM, acrescentando que o faz há 18 anos. “Toda a vila se junta para festejar a queima do castelo”, assume, recordando que o mesmo cenário pode ser encontrado no “cortejo da Ciganada, de 25 para 26, onde, depois, passamos toda a noite a tocar bombos”.
Um dos Caretos é André Fernandes, jovem de 24 anos que tem esta missão há 13 anos e com “orgulho”. “Cumpri a missão, perdemos a luta como reza a história e cumpriu-se a tradição”, afirma o careto, que assume que este evento é para manter em honra “dos antepassados” e, por isso, deve ser mantido.
Viriato Pires, “nascido e criado em Torre de Dona Chama” e membro da comissão de festas dos Caretos, assume que a iniciativa faz “parte de uma grande reunião simbólica da nossa terra e era bom que não desistissem. Mas é um pouco difícil”. A encenação é “importante e significativo para esta festa, porque é o grande momento. Representa a luta dos mouros e dos cristãos e a queima do castelo é a vitória destes”, sublinha Viriato Pires.
O presidente da Câmara Municipal de Mirandela, Vítor Correia, que esteve presente, realça que é importante “manter o espírito milenar e as pessoas gostam de se rever neste tipo de eventos, que são diferenciadores e do território”. O autarca garante que a festa traz um “sentido de pertença muito importante. É preciso cativar os mais novos e mostrar-lhes que também podem ser caretos”. Por isso, o município tem “uma palavra a dizer”, assume Vitor Correia, afirmando que, com a inscrição da festa no Inventário Nacional do Património Imaterial, “é preciso alavancar esse desígnio, porque há caretos em muitos sítios, mas só os nossos e os de Podence estão registados no inventário”.



