Cerca de 50 trabalhadores dos vários serviços da Autoridade Florestal Nacional (AFN) na região norte manifestaram-se, no dia 15, à porta do Governo Civil de Vila Real, contra o processo de “mobilidade especial” que vai “mandar para casa” 99 funcionários do distrito.
José Abraão, do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP), considera que “mobilidade especial”, que no sector das florestas atinge 99 trabalhadores na região norte e um total de 197 a nível nacional, vai provocar o aparecimento de uma “nova pobreza” e, por isso, o sindicato e os trabalhadores estão dispostos a “lutar pela manutenção dos seus postos de trabalho e avançar mesmo com a apresentação de uma providência cautelar para “travar todo esse procedimento”.
Garantindo que vão até ao fim para salvar os seus postos de trabalho, os funcionários começaram por se manifestar junto ao Governo Civil de Vila Real para pedir a António Martinho que interceda, a favor dos funcionários, junto do Governo.
“Ir para a mobilidade especial significa ir para casa. Durante os dois primeiros meses recebem o vencimento por inteiro, nos outros dez meses perdem um sexto do vencimento. Findo um ano, os trabalhadores passam a receber apenas 66 por cento do seu salário. Obrigados a descontar 11,5 por cento para a caixa de aposentações, ficam reduzidos a metade do que ganhavam, o que, para muitos, representa 250 ou 300 euros por mês”, contabilizou o dirigente sindical, lamentando que seja esta “a prenda de Natal que o Governo dá aos trabalhadores”.
Viveiristas, mecânicos, serralheiros e condutores de máquinas, são vários os funcionários convidados para a mobilidade, todos “essenciais” para a gestão e defesa do espaço florestal e todos necessários para o funcionamento dos serviços, considera José Abraão, antevendo que, como “alguém vai ter que fazer o serviços desses trabalhadores”, o Governo opte pela “externalização e privatização dos serviços, o que vai acabar por sair mais caro do que manter estes trabalhadores no activo”.



