Com cinco meses de salários em atraso mais o subsídio de férias do ano passado, os trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Chaves manifestaram-se, no dia nove, e prometeram desde logo que se não houver a regularização de, pelo menos, dois salários, dentro de duas semanas, vão marcar um novo protesto.
“Os trabalhadores estão fartos de promessas”, sublinhou Jorge Pinto, coordenador regional do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), referindo que a gota de água foi a direção ter falhado o último prazo que indicou aos funcionários, final de março, para o pagamento de dois meses.
Com os salários de novembro a março em atraso e ainda o subsídio de férias do ano passado, “já não é possível os trabalhadores aguentarem mais”.
“Para esta santa casa funcionar precisa de uma reestruturação profunda e os funcionários já deram o seu contributo. Mais de 70 trabalhadores rescindiram os seus contratos de uma forma amigável desde o início do ano”, lembrou Jorge Pinho, explicando que, já num estado de completo “desespero”, alguns sem condições “para ir para o trabalho, e mesmo sem dinheiro para comida”, os funcionários estão dispostos a fazer um acordo para receber o valor em dívida de forma faseada.
“Esta casa deve aos seus trabalhadores 1,2 milhões de euros, só 600 mil euros são de retroativos dos últimos três anos que os trabalhadores não estão neste momento a reclamar”, defendeu o sindicalista, reforçando a ideia de que os 215 funcionários da instituição com salários em atraso pedem “para já o pagamento de dois salários e que mensalmente se vá pagando parcelas do que está em atraso”.
Além da manifestação, os funcionários fizeram uma greve de dois dias (garantindo no entanto os serviços mínimos nas várias valências da misericórdia) e entregaram ao presidente da Câmara Municipal de Chaves uma moção que deverá ser reencaminhada ao Governo e na qual pedem uma intervenção rápida da administração central.
O Provedor da Misericórdia flaviense, João Paulo Abreu, confirmou o total de salários em atraso e, apesar de não avançar com novos prazos para a regularização da situação, deixou a garantia aos trabalhadores que a nova Mesa Administrativa da instituição está a desenvolver um plano de reequilíbrio financeiro da instituição que, segundo uma auditoria externa pedida pelos novos responsáveis, apresentava em setembro do ano passado um passivo de 8,2 milhões de euros.
“A mesa administrativa teve que encetar uma estratégia para recuperar de forma sustentada a santa casa. Um plano que envolveu por exemplo um contacto com o Governo, para fazer face às dívidas a fornecedores, e até a redução do quadro de pessoal”, que na altura envolvia um total de 286 funcionários.
João Paulo Abreu sublinhou que outras medidas estão a ser estruturadas, como por exemplo a redução dos custos mensais de funcionamento e até uma possível reestruturação ao nível das respostas sociais existentes.
“Vamos efetuar a regularização dos salários de forma gradual”, adiantou o provedor, referindo que o apoio financeiro, de 300 mil euros, concedido pelo Estado, permite reunir as condições “para que os trabalhadores possam ter o seu rendimento mensal”.



