A nível nacional foram admitidos 42.068 estudantes na 1ª fase do concurso de acesso ao ensino superior, cujos resultados foram divulgados no último domingo e ditaram para 1765 desses caloiros uma nova morada nos concelhos de Vila Real e Bragança.
Para a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) a primeira fase “foi um sucesso”, tendo “superado todas as expectativas” ao contar já nesta primeira “fornada” de colocações com cerca de 90 por cento das suas vagas preenchidas. “Numa região do interior, em que a população é escassa, julgo que é um resultado muito importante”, defendeu António Fontainhas Fernandes, reitor da universidade que no primeiro dia de matrículas, realizado na segunda-feira, dia 7, viu já serem oficializadas as inscrições de 341 alunos, dos 1176 que entraram.
“Devo dizer que pelos números que temos e pelos que hoje (segunda-feira) efetuaram a sua matrícula, a grande maioria são de zonas do litoral”, explicou o reitor, lembrando que, segundo dados do ano letivo anterior, 70 por cento dos alunos da UTAD são deslocados.
Não é o caso de Inês Ribeiro. A vila-realense de 18 anos optou por ficar “em casa” e entrou na sua primeira opção, mais exatamente Genética e Biotecnologia. “O objetivo nunca foi ficar obrigatoriamente em Vila Real. Queria entrar num curso que eu gostasse e que me pudesse dar alguma estabilidade futura. Entrar cá é uma ajuda para os meus pais e acho que também vai ser bom para mim”, explicou a estudante que escolheu de forma “ponderada” o curso e que “sofreu” até ao último momento com a expectativa se entraria ou não na sua primeira opção.
Já João Caldas, de 17 anos, será um dos que entrará para as estatísticas da academia transmontana como “deslocado”, isso se ficar mesmo a estudar na região, o que ainda não é certo. “A minha primeira opção era o Porto e vou tentar ir à segunda fase”, referiu o estudante de Fafe enquanto esperava, na manhã de segunda-feira, entre dezenas de jovens, para efetuar a sua matrícula na UTAD.
André Coelho, presidente da Associação Académica, sublinhou o grande esforço que está a ser feito por parte da comunidade universitária para “facilitar a integração” dos caloiros. “As primeiras duas semanas são fundamentais e é nesse sentido que queremos trabalhar, no acompanhamento exaustivo dos novos estudantes para que nenhum decida abandonar por não se ter integrado”, explicou o representante dos alunos referindo que mais de 40 voluntários estão empenhados no processo de apoio aos caloiros, dando resposta em especial aos que vêm de fora.
Mas o dirigente associativo está convicto que “quem entra na UTAD acaba por apaixonar-se pela universidade, por Vila Real, por Trás-os-Montes”. “Depois de se entrosarem, a vontade de ficar é inequívoca e, mais tarde, é a despedida que se torna difícil”, sublinhou.
Com a semana das “Barraquinhas” (primeira festa de receção aos novos estudantes) marcada para a semana de 14 a 17 de setembro, também a “Caloirada aos Montes” tem data decidida, mas à hora de fecho desta edição, ainda não tinha sido divulgada oficialmente.
No que diz respeito ao Instituto Politécnico de Bragança (IPB) os números da primeira fase não são tão risonhos, com apenas 589 vagas, das 1825 disponíveis, a ficarem preenchidas e vários cursos a ficarem “vazios” de candidatos. Ainda assim houve um aumento no número de colocados.
Em declarações à Rádio Brigantia, Sobrinho Teixeira, presidente do instituto brigantino, mostrou-se “satisfeito”, uma vez que “o IPB cresceu em número de alunos face ao ano transato em 26 por cento”. “São mais 120 alunos que vão ingressar no instituto e este efeito é bastante satisfatório”, sublinhou o mesmo responsável que está confiante que nas fases seguintes muitos mais alunos ingressarão.
A 2ª fase do concurso de acesso, que começou no dia 7, decorre até 18.
UTAD e IPB de portas abertas para o mundo
l Ao longo dos últimos anos a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) tem vindo a aumentar “de forma sustentada” o número de estudantes estrangeiros que recebe e que “envia” para outros países, no âmbito dos programas de mobilidade que desenvolve, estando previsto para o próximo ano letivo uma movimentação total de quase 400 alunos.
“A previsão para este ano é termos entre 150 a 170 alunos em ‘incomming’ (que vêm para Vila Real) e o mesmo número de estudantes em ‘outgoing’ (portugueses que vão estudar para outros países)”, explicou António Silva, vice-reitor e coordenador do Gabinete de Relações Internacionais e Mobilidade (GRIM) da UTAD.
Ao número de estudantes que se “movimentam” graças ao programa Erasmus, a universidade soma este ano mais cerca de duas dezenas de alunos brasileiros de mestrado que vêm ao abrigo de um projeto desenhado em parceria com a Universidade do Porto.
O sucesso ao nível do interesse de alunos internacionais pela academia deve-se, segundo o mesmo responsável, ao reconhecimento da qualidade de ensino, à empatia que existe entre a instituição e a cidade e ao efeito “boca a boca” verificado entre os próprios alunos.
“Escolhi Vila Real porque um colega da minha universidade esteve cá há dois anos e adorou. Disse-me que as pessoas são muito simpáticas e que a cidade é muito bonita”, explicou Paula Ruszczak, aluna polaca de 23 anos que chegou a Trás-os-Montes no dia 4 para frequentar o curso de ciências da comunicação.
Durante uma visita guiada à cidade, a estudante, que embarcou na aventura com uma colega, explicou à VTM que é a primeira vez que vem a Portugal e que espera poder conhecer outras cidades do país, em especial o Porto e Lisboa.
Também José Luís, estudante espanhol, está já na capital de distrito ao abrigo do programa Erasmus. “Viemos sete da minha universidade (León). É a primeira vez que estou em Portugal”, referiu o estudante explicando que pretende aproveitar ao máximo a experiência para, tal como pressupõe o próprio programa europeu de mobilidade, “conhecer novas culturas” e enriquecer ao nível académico e pessoal.
Em Bragança, o objetivo também é crescer quando se fala de internacionalização, prevendo-se mesmo um aumento de 300 por cento no número de alunos estrangeiros que estudarão no Instituto Politécnico.



