Depois de uma pequena briga com um militar da GNR, foi multado e condenado, em Tribunal. Por fim, teve “direito” a um “brinde”: um colete da Brigada de Trânsito da GNR.
Além de pagar as contas da Justiça, José Simões, de 59 anos, foi obrigado, por decisão do Tribunal Judicial de Vila Real, a ficar com o colete de um cabo da GNR da BT de Trânsito que ele próprio tinha rasgado, mas que nunca lhe pertenceu. Tudo começou, em 26 de Abril de 2006, quando José Simões estava com um amigo, num café, em Lordelo.
“Tínhamos já bebido uns copos e tinha o meu carro estacionado, perto do bar. Porém, senti que não estava muito bem e pedi ao meu amigo Manuel para me dar boleia., para minha casa que fica em Borbela e que, depois, no dia seguinte, viria buscar o carro. E assim foi. Todavia, junto à Quinta do Amaral, em Borbela, apareceu a Brigada de Trânsito da GNR que mandou parar o carro. Na altura em que o militar se pôs à frente, o condutor fugiu, deixou o carro e fiquei eu. Comecei a chamar por ele, só que nunca mais o vi. A Guarda pediu-me, então, os documentos do carro e eu disse que a viatura não era minha. Eles não acreditaram e começaram por agarrar-me, para me levarem e eu reagi, deitei a mão e rasguei, um bocadinho, o colete de um cabo”.
Por isso, José Simões foi levado ao posto de Vila Real. E foi aí que registaram a matrícula ao carro e identificaram o proprietário.
O assunto foi para inquérito do Tribunal. José Simões teve de pagar cerca de 1200 euros, incluindo as custas judiciais, advogado e indemnizações aos dois militares da GNR. Só que, em Outubro, depois de, no princípio de Julho do ano passado, ter conhecido a sentença, recebeu uma carta do Tribunal Judicial de Vila Real, a avisá–lo de que tinha, para levantar, objectos contidos nos autos.
“Como não tinha nada, apenas a carta apreendida, pensei que fosse este documento a levantar. Para surpresa minha e quando fui lá, uma funcionária disse-me que era um colete. Quando dei conta desse facto à minha advogada e lhe levei a carta, ela confirmou-me que, afinal, o colete era do cabo da Guarda da BT. Para o levantar, fui ao Tribunal cinco vezes, pois diziam-me sempre que nunca estava disponível. Quase no fim do mês de Fevereiro, é que me mandaram uma outra carta. Cheguei lá e disse-lhes que o colete não era meu, que me iam entregar uma coisa que não era minha. Uma colega da funcionária chegou, mesmo, a dizer-lhe para olhar para o que estava a fazer, porque eu podia pedir uma indemnização, por causa de tantas deslocações, para levantar uma coisa que não era minha. E foi então que abri o colete e perguntei-lhes se era da BT ou não”.
José Simões ficaria mais indignado, quando a própria funcionária lhe sugeriu que fosse ele próprio entregar o colete ao militar da GNR.
Jmcardoso



