Depois da aldeia de Abreiro, a tuberculose voltou a aparecer, no concelho de Mirandela. Desta vez, foi num infantário da cidade, onde duas funcionárias tiveram de receber tratamento. Autoridades de Saúde estão a fazer os respectivos rastreios.
“Enquanto a situação da tuberculose não ficar esclarecida, o João não vai para o Jardim- -de-infância do Mercado”. Esta é a posição de João Moreira e de vários encarregados de educação das crianças do “infantário da Praça” de Mirandela, quando souberam, na semana passada, da existência de dois casos de tuberculose que afectaram, em Novembro, duas funcionárias, uma delas da cantina. Na Sexta-feira já vinte e cinco crianças não compareceram no estabelecimento de ensino e o medo está instalado, nos pais. Em causa está a “falta de informação”.
“Fomos apanhados de surpresa, os pais de uma outra criança é que me avisaram. Pedi logo à minha mulher que fosse buscar o nosso filho” – diz João Moreira, que lamenta: “Não se compreende que os pais não fossem avisados. O meu aborrecimento não é com o pessoal da escola, até porque já andou lá a minha filha mais velha e nunca tivemos nada a dizer, além de que o menino vai sempre feliz para a escola. Mas esconderem esta situação, não está certo”. Uma outra mãe, Elvira Moreira, confessou que “são crianças, todas elas entre os 3 e os 5 anos. Se tivesse sido feita uma reunião com os pais, se a informação fosse transmitida como deve ser não estaríamos agora a viver esta situação”, acrescentando: “Quando cheguei à escola, para ir buscar o menino, a professora disse-me que não havia motivo para alarme, visto as crianças estarem todas vacinadas. Se a ideia de ocultar esta informação era para não criar alarme, o efeito foi precisamente o contrário. Lá diz o povo: onde há fumo, há fogo”, sublinhou.
João Carlos Azevedo, responsável pelo Agrupamento Vertical de Escolas Luciano Cordeiro, de Mirandela, que abrange o Jardim-de-infância, reconhece que “na altura do registo dos casos de tuberculose, os pais e encarregados de educação deveriam ter tido acesso a alguma informação”. Contudo, adianta que “não fechou o Jardim-de-infância, porque o Delegado de Saúde disse que não havia motivos e nem há para o seu encerramento”.
Entretanto, Conselho Executivo, Delegado de Saúde e Centro de Saúde estão a tomar medidas no sentido de clarificar todo o processo.
Soubemos, junto de Carlos Azevedo, que “dentro de dois a três meses, as crianças serão sujeitas a um terceiro rastreio, depois dos funcionários e professores”. Este período de tempo, no que respeita às crianças, tem a ver com o intervalo necessário entre o último exame realizado (Novembro de 2007) e o seguinte.
Jmcardoso





