Domingo, 1 de Agosto de 2021

“Uma data negra que fica para a história”

Foi desta forma que a associação “Arquivo de Memórias” classificou a intervenção da Empresa Águas do Norte numa calçada romano-medieval existente na freguesia da Campeã.

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A associação lamentou, na sua página de Facebook, que “em tempo útil não se conseguisse um desvio de alguns metros no traçado das obras de saneamento que estão a decorrer no local, de maneira a salvar da destruição este importante património”.

“São cerca de dois milénios de história postos em causa num único dia: 3 de agosto de 2020”, vinca.

AUTARQUIA ASSEGURA LEGALIDADE

Tendo em conta as acusações dos últimos tempos, a câmara municipal de Vila Real decidiu esclarecer a situação em conferência de imprensa.

Aos jornalistas, Rui Santos começou por dizer que “esta obra é da responsabilidade da Águas do Norte, mas está no território de Vila Real e, por isso, motiva

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width="350"/>o nosso interesse e acompanhamento”, acrescentando que “no momento em que tomámos conhecimento de que a mesma ia afetar um caminho muito antigo, eventualmente romano, em articulação com a junta de freguesia, com a Águas do Norte e com a Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN), procurámos perceber o que poderia ser feito para minimizar o impacto nesse caminho, de eventual interesse arqueológico”.

Na conferência esteve também presente a arqueóloga que acompanhou todo o processo. Sandra Pereira explicou “inicialmente, a execução dos trabalhos ia passar precisamente no caminho da calçada existente, mas houve a preocupação de efetuar um desvio”.

O caso estava a ser acompanhado há um ano e “não havia outra solução”. “O atravessamento era imprescindível para ligação dos ramais já concluídos e não havia outra solução”, indicou, realçando que “tivemos parecer favorável da DRCN que, inclusive, acompanhou de perto o desenrolar dos trabalhos e realizou uma visita de verificação no final da intervenção”.

A arqueóloga deixou ainda bem claro que “a lavagem, registo, retirada e recolocação das lajes foi feita de forma minuciosa e cautelosa, sempre dentro da lei”, acrescentando que “não podia ser de outra forma, porque se assim não fosse arriscava-me a perder a minha carteira profissional”.

Ao longo da sua intervenção, Sandra Pereira foi apresentando registos fotográficos e topográficos recolhidos durante a intervenção que documentam, passo a passo, a evolução dos trabalhos.

PONTE DE PISCAIS

Questionado pela VTM sobre a situação da Ponte Romana de Piscais, mais conhecida por ponte das Flores, e que há muito pede obras, Rui Santos diz que, pelo facto de estar provado ser “uma ponte romana”, a DRCN “não deixa que sejam feitas intervenções”.

“Imaginem que fazíamos alguma intervenção nessa ponte. Éramos sovados por fazê-lo”, frisa, acrescentando que “a ponte traz óbvias dificuldades à circulação, mas se repararem não há ali outra forma de dar a volta à situação, como aconteceu em Mondrões, onde construímos uma ponte ao lado da que já existia”.

“Temos estado em diálogo com a DRCN para encontrar uma solução, acreditem que não é por questões financeiras que não fazemos intervenções na ponte das Flores, é porque temos que respeitar a lei”.

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