Quarta-feira, 4 de Agosto de 2021
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“Uma mina aqui, a céu aberto, é impensável”

População de Covas do Barroso, freguesia de Boticas, voltou a sair à rua para protestar contra a exploração da mina prevista para o local e sensibilizar o Governo para os impactos negativos que o projeto trará para o território

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Envergando t-shirts com a mensagem “Não à mina, sim à vida”, cerca de seis dezenas de pessoas partiram de Covas do Barroso, numa caminhada de 10 quilómetros até ao Vale do Cabrão, onde foram realizadas prospeções, para protestarem contra a exploração da mina de lítio, a céu aberto, prevista para o local, concessionada à empresa britânica Savannah. 

“Foi uma forma de, primeiro, protestarmos, e depois, de as pessoas se inteirarem da situação, de verem a proximidade da mina com a aldeia, com os rios e perceberem tudo o que vamos perder”, explicou Nélson Gomes, presidente da associação Unidos pela defesa de Covas do Barroso (UDCB), promotora da iniciativa que defende que “uma mina aqui, a céu aberto, é impensável” e que a manifestação serviu também para “mostrar ao Governo que esta não é a forma de sustentabilidade que queremos para a região”, classificada como Património Mundial Agrícola. 

Elisabete Pires, nascida e criada em Romaínho, uma das aldeias de Covas do Barroso, diz estar preocupada com a situação, visto que mora no limite de segurança da mina. “Eles dizem que não há riscos, mas a gente vê-se muito próxima e tem medo”. Com casa a 600 metros da mina, Elisabete explica que quando a empresa anda em trabalhos no local, “ouve-se as máquinas, os estrondos dos rebentamentos, que abanam a casa toda”, e teme que o incómodo vá piorar. “Se na prospeção é o que é, quando for a exploração vai ser pior, já que eles dizem que nessa fase vão trabalhar 24 horas”. De Romaínho, Elisabete diz que só sai “se tiver mesmo que ser”, mas mantém a esperança de que o projeto não vá para a frente. 

Mais descrente está o irmão, Paulo Pires, pastor de 46 anos a quem a ideia de ter uma mina como vizinha não agrada “nem um pouco”. Com 180 ovelhas, o pastor diz que a exploração da mina vai contaminar a água e os pastos e, assim sendo, não terá como alimentar os seus animais. “Esta é a minha forma de subsistência, se a perco, com esta idade, não vou conseguir arranjar emprego noutro lado”, referiu Paulo que não vai em cantigas da empresa responsável pelo projeto mineiro. “Eles dizem que isto vai ser uma maravilha e que vai ser bom para o turismo, já falam em passadiços e tudo, mas eu não acredito”. 

Fernando Queiroga marcou presença na iniciativa “legítima” por parte da população, que diz

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