Terça-feira, 19 de Outubro de 2021

Universidades Seniores a crescer

Esta nova oferta de ensino nasceu nos anos 70, em França, e tem vindo a ganhar espaço junto da comunidade educativa portuguesa. Hoje, já existem 15 mil e 27 universidades. No distrito de Vila Real, o processo está numa fase embrionária, mas o panorama está a mudar, graças à iniciativa do movimento rotário, cooperativas culturais e câmaras municipais

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Depois de Chaves, Vila Real e Valpaços, também a Régua conta, desde sábado, com a sua universidade sénior. Para o futuro, outras estão previstas, nomeadamente em Ribeira de Pena, Sabrosa e Vila Pouca de Aguiar. Estes estabelecimentos de ensino, que representam uma excelente oportunidade para o enriquecimento académico, visam desenvolver uma cultura de valorização permanente, mantendo as pessoas idosas activas e interessadas por assuntos e campos do saber. Tudo isto tem reflexo no aumento da auto-estima, concretizado através da relação quotidiana com a diversidade de disciplinas existentes em várias áreas.

Nos últimos anos, o movimento rotário tem assumido um papel crucial para a promoção e criação das universidades seniores. Neste âmbito, o Rotary Club de Chaves fundou há onze anos a primeira universidade sénior no distrito de Vila Real, que se situa na antiga da Escola da Estação. Ernesto Areias, presidente da Comissão Distrital das Universidades Seniores/Rotary Clube de Chaves, tem sido um dos grandes mentores e entusiastas do ensino superior sénior. Ao Nosso Jornal, abordou o assunto e pormenorizou a realidade do sector em termos nacionais e regionais, elencando o papel importante das autarquias no apoio aos vários projectos, que têm na sua base apenas o voluntariado. “Se muitos autarcas fossem como o Dr. João Baptista, de Chaves, ou Eng.º Nuno Gonçalves, da Régua, tenho a certeza absoluta que não tínhamos apenas 27 universidades criadas em Portugal”.

Neste momento, em Portugal, há 15 mil alunos nas universidades seniores, distribuídos por duas redes de estabelecimentos. Uma rede está ligada ao Rotary, que iniciou o seu processo de criação há doze anos, outra está ligada à RUTIS, Associação Rede de Universidades da Terceira Idade, fundada a 21 de Novembro de 2005. A diferença está que as universidades criadas pelo movimento rotário funcionam num regime de voluntariado. “As nossas universidades assentam essencialmente nesta componente, ou seja, os professores não são pagos”, assegurou Ernesto Areias.

Este dirigente traçou alguns objectivos futuros. “Pretendemos criar pelo menos 50 universidades seniores. Nesta altura, com a abertura da unidade da Régua, temos no país cerca de 3 mil alunos, não é muito, mas é já um número confortante. Este projecto caminha já para as 4 mil pessoas desde a universidade mais a Sul, a de Quarteira, e a Norte, a de Chaves, mas ainda há muito caminho a trilhar. Devemos caminhar para atingir a taxa de 1 por cento de alunos a nível do país, uma taxa que não é irreal. É um objectivo pelo qual devemos lutar permanentemente. Estes exemplos estão a surgir em localidades que não são grandes, em termos urbanos, como Chaves, Resende, Cinfães, Viseu, e agora na Régua”. O dirigente da comissão distrital das universidades seniores mostrou interesse na cooperação com a Associação de Municípios de Trás-os-Montes e Alto Douro no sentido de arranjar soluções para que a região seja o “reino maravilhoso” que Torga identificava.

No distrito de Vila Real, as universidades seniores, criadas pelo Rotary, são as de Chaves, Valpaços e Régua. “Em termos de futuro, temos a perspectiva de criar um Clube Rotary em Vila Pouca de Aguiar e criar também lá uma universidade. No distrito vila-realense, temos mais de 400 alunos nas três unidades de ensino. O quadro docente ultrapassa uma centena e todos são voluntários. Por exemplo, o Orçamento da Universidade de Chaves é de 11 mil euros, um número ridículo em relação ao que fazemos. Nesta altura, temos 23 turmas e 1815 horas de formação. Lançámos o desafio ao Rotary Clube de Vila Real mas decidiu não aderir ao projecto”, concluiu este responsável, que aproveitou ainda para deixar um apelo. “Não podemos desprezar a população sénior. Acima de tudo, devemos proporcionar-lhes condições para que possam continuar a ter uma cidadania activa, que tem repercussões fantásticas ao nível da saúde”.

No sábado, na Régua, decorreu a cerimónia oficial da inauguração da universidade sénior, que ficará situada nas antigas instalações da Escola E.B. nº 1, ao lado do Centro Escolar recentemente inaugurado. Esta iniciativa resultou da parceria entre o Rotary Clube da Régua e a Câmara Municipal, desta forma a cidade duriense passa a ser a comunidade portuguesa que apresenta a maior taxa de cobertura da população sénior, com 127 alunos. O presidente da Câmara Municipal de Peso da Régua, Nuno Gonçalves, ficou satisfeito com a criação da universidade. “Estamos a falar de 170 alunos que estão efectivamente inscritos, e que colocam a Régua no topo das universidades seniores em termos de participação. Facto que nos deixa muito felizes, porque é sinal que a comunidade responde às iniciativas que são feitas no seio do nosso concelho”.

O autarca deixou bem claro o interesse e o apoio do Município nesta nova disponibilidade de ensino superior na cidade. “A Câmara vai disponibilizar, para além da parte logística, tudo o que está ligado à própria instalação, nomeadamente meios audiovisuais e informáticos, a energia eléctrica, telefone, internet, aquecimento central, e toda a manutenção do espaço. Iremos ainda colocar à disposição outros equipamentos que a Câmara tem ao serviço da comunidade, como os ginásios dos próprios centros escolares, o polidesportivo e as futuras piscinas. Se nos solicitarem alguns transportes para fins pedagógicos, dentro da disponibilidade da Câmara, naturalmente estarão ao dispor da instituição”, concluiu.

Os objectivos gerais da universidade sénior passam por associar o direito à educação com o dever de aprender ao longo da vida, em ordem à participação social e ao desenvolvimento pessoal e cultural; reconhecer e valorizar os saberes e competências dos destinatários da aprendizagem; combater a solidão e contribuir para a inclusão no seio da comunidade; e compatibilizar realidades culturais locais com a vocação universalista da cultura, passando pela afirmação duma cidadania activa, aberta ao diálogo entre cultura.

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