Incentivar a comunidade estudantil, alunos, docentes e funcionários, a organizarem-se para a partilha de automóveis na deslocação para o “campus” é o objectivo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), que poderá assim, numa primeira fase, ver reduzido em 10 por cento o número de veículos que entram diariamente na Quinta de Prados.
Para a implementação do conceito de “carpooling”, dinamizado já em vários países da Europa, a Universidade, através do seu Grupo de Estudos Territoriais (GETER), vai encetar um estudo que, até ao final do ano, vai identificar quantas pessoas se deslocam para a universidade em viatura própria, dessas quantas viajam sozinhas e qual a disponibilidade da comunidade estudantil para aderir ao projecto.
Segundo Luís Ramos, docente da UTAD, pretende-se ainda calcular a pegada ecológica dos hábitos da população estudantil. “Vamos contabilizar os gastos ao nível do combustível, a poluição causada e todos os impactes do meio de transporte”, explicou o docente.
Citando um estudo realizado no Instituto Politécnico de Leiria (muito semelhante à UTAD em termos de dimensão da comunidade estudantil) no âmbito de uma tese de mestrado que está a orientar, o docente estima que cada pessoa que se desloque sozinha de carro para a UTAD gaste cerca de 600 euros por ano, sendo ainda de realçar que para compensar os impactes ambientais da utilização do automóvel, através do resgate do CO2, seria necessária a plantação de 10600 árvores.
“Ainda durante este ano, os alunos vão fazer um estudo profundo sobre os padrões de mobilidade na UTAD”, através do qual vão retratar o trânsito automóvel diário dentro da academia transmontana e entrevistar o maior número possível de pessoas, para analisar a disponibilidade que cada um tem em partilhar o seu veículo, referiu o investigador revelando que o passo seguinte, será a criação de uma plataforma digital onde os interessados poderão inscrever-se e organizar-se. Vai ainda realizar-se uma campanha de sensibilização para incentivar toda a comunidade estudantil a aderir à “boleia universitária”.
Entre 2000 e 2500 pessoas frequentam diariamente a UTAD, estimando-se que mais de 80 por cento se desloque em viatura própria, e dessas mais de 50 por cento o faça individualmente.
“Numa primeira fase poderemos reduzir em cerca de 10 por cento o número de veículos que entram na UTAD”, contabilizou Luís Ramos.
Segundo o Plano Nacional de Eficiência Energética, as empresas com mais de 500 funcionários já são obrigadas a desenvolver projectos de mobilidade sustentada para os seus trabalhadores, uma medida que, segundo Luís Ramos, deveria ser também implementada em universidades e escolas, representando não só ga-nhos exponenciais ao nível da protecção ambiental, mas também um impacte “enorme” a nível social.
A UTAD espera que já no próximo ano lectivo o “carpooling” comece a funcionar em pleno.




