Quinta-feira, 11 de Agosto de 2022

UTAD homenageia dois homens que “muito contribuíram” para a evolução do Douro

João Nicolau de Almeida e Luís Braga da Cruz foram as personalidades distinguidas, numa cerimónia em que a emoção esteve patente no rosto dos homenageados

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A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, UTAD, atribuiu na sexta-feira o doutoramento ‘honoris causa’ a João Nicolau de Almeida e a Luís Braga da Cruz pelo contributo dado na evolução do Douro nos últimos 30 anos, a nível do vinho e do território.

Para o reitor da UTAD, Fontainhas Fernandes, esta é uma justa homenagem a duas personalidades que colocaram grande empenhamento nos seus projetos, nas suas causas, sendo um exemplo para todos os que acreditam no território e nas suas gentes, e que estiveram na génese e desenvolvimento de projetos preponderantes para a região, como o ensino superior, a navegabilidade do rio Douro, o Projeto de Desenvolvimento Rural Integrado de Trás-os-Montes, a reconversão da vitivinicultura duriense, a classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património da Humanidade e o Plano de Desenvolvimento Turístico do Vale do Douro.

No final da cerimónia, Luís Braga da Cruz referiu que foi com “grande emoção” que recebeu esta distinção, uma vez que “não estava à espera” deste gesto por parte da universidade. Realçou também que vê esta distinção como uma forma de evocar 30 anos de empenhamento do projeto de desenvolvimento de Trás-os-Montes e Alto Douro, que é uma região que está mais afastada dos centros de decisão, mas que “tem uma paisagem deslumbrante”, que tem sido protegida sobretudo a partir da classificação pela Unesco em 2001. O atual presidente da Fundação de Serralves sublinhou ainda que acredita no potencial desta região, única no mundo. “Acredito que o Douro terá um futuro promissor, em que a beleza da paisagem e a produção vinícola trarão riqueza à região e prosperidade às pessoas que aqui trabalham e vivem”.

Luís Braga da Cruz nasceu em Coimbra e é professor catedrático da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Começou a sua carreira política como presidente de uma junta de freguesia e chegou a ministro da Economia. Foi deputado, presidente da Comissão de Coordenação da Região Norte (1998/2001) e esteve ligado ao setor da energia, entre outros cargos.

Já o enólogo João Nicolau de Almeida é natural do Porto e administrador delegado da empresa Ramos Pinto, do grupo internacional Roederer. A sua família sempre esteve ligada aos vinhos e por isso desde criança que manteve uma forte ligação ao Douro. Deixou um curso de economia para trás e foi estudar enologia para Bordéus. Em 1976 veio trabalhar para o Douro, que considerou ser na altura uma região “semimedieval”, em que o vinho era vendido a granel e a baixo preço. Numa altura em que ninguém sabia muito bem o que era um enólogo, decidiu dedicar-se ao estudo das castas durienses, sobretudo a Touriga Nacional, e à modernização da vitivinicultura duriense, em que mostrou um estudo pioneiro de micro vinificação mono varietais, cujos resultados estabeleceram a Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Barroca, Tinta Roriz e Tinta Cão como as principais castas da região, o que veio a contribuir para a reconversão total da vitivinicultura duriense.

Teve ainda grande influência no desenvolvimento dos vinhos de denominação Douro, criando em 1990 o “Duas Quintas”. É considerado um dos mais brilhantes enólogos portugueses.

“É uma honra muito grande ter recebido esta homenagem ao lado de um homem como o engenheiro Luís Braga da Cruz”, destacou João Nicolau de Almeida, que referiu ainda que está satisfeito com o papel que a UTAD tem vindo a desenvolver ao longo dos últimos anos no Douro. “Em 30 anos o Douro mudou muito. Antigamente já havia bons vinhos, mas agora há muitos mais e de melhor qualidade. Esta juventude colocou o Douro a fermentar, todos os dias há ideias novas, numa região que está em constante ação”. No entanto, em tom de desafio, o homenageado sublinhou que apesar de a universidade já ter feito muito, tem “capacidade para fazer muito mais”.

Por último destacou a “engraçada coincidência” da homenagem ao homem que planeou a construção da Barragem de Foz Côa (Luís Braga da Cruz) e a ele próprio (João Nicolau de Almeida) que sempre se opôs à construção do empreendimento, que arrasaria a Quinta de Ervamoira. “Já disse ao engenheiro que fiz algumas gravuras do paleolítico para que a barragem não avançasse”, finalizou em tom de brincadeira.

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