Milhões de pessoas já têm a sua “segunda vida”. A grande maioria, tal como acontece no mundo real, limita-se a viver no mundo virtual tridimensional. No entanto, muitas outras já descobriram o potencial do “Second Life”. Os portugueses também já ganham espaço, no mundo virtual. Aceda à www.secondlife.com, crie o seu Avatar e visite “Portugal Main Land”, onde poderá ver já representados, por exemplo, monumentos, edifícios e instituições, entre quais, em breve, estará a UTAD.
“Há cerca de uma semana, uma organização sem fins lucrativos cedeu um terreno (no mundo virtual) “Second Life”, para a que a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) possa aí desenvolver um trabalho que está agora a começar”, explicou, ao Nosso Jornal, no dia 8, Leonel Morgado, investigador do Grupo de Acessibilidade e Ambientes Virtuais (GAAV), e “Andabata Maldelbrot”, no mundo “Second Life”.
O investigador falou à margem de um seminário que, realizado na UTAD, reuniu cerca de 300 participantes, em torno das potencialidades do “Second Life”, como “uma plataforma de desenvolvimento, empreendedorismo e investigação”.
O “Second Life” permite “a qualquer pessoa agir em três dimensões, sem ter que ser especialista em programação ou modelação”, explicou o mesmo responsável, sublinhando, no entanto, que o espaço virtual que tem conquistado o mundo já ultrapassou, há muito, as fronteiras da sua utilização, no âmbito do lazer, mostrando ter um vasto potencial “para desenvolver actividades inovadoras de ensino e investigação, através da possibilidade de modelação de conceitos de difícil visualização, no mundo real, como é o caso de alguns conceitos abstractos de programação da Física ou da Matemática”.
O “Second Life” permite que “um grupo de amigos ou de colegas de trabalho se junte a outra pessoas, fisicamente distantes, na discussão do mesmo problema, sem ter que se estar a imaginar, apenas, a situação, mas sim a concretizá-la”, num mundo tridimensional, explicou Leonel Morgado, sublinhado, assim, a utilidade do mundo virtual, na investigação. É possível “simular, por exemplo, comportamento de clientes numa superfície comercial, sem ter clientes e sem ter superfície comercial”, retratou o docente da UTAD, adiantando que a academia transmontana já tem dado alguns passos no mundo virtual do “Second Life”, mas advertindo que “o importante é que os estudantes usufruam da Universidade que têm agora. A Internet não vem substituir a Universidade actual” e o “Second Life” também “não vai ser uma alternativa. Queremos é complementar, expandir a UTAD”.
O “Second Life” é já considerado o maior mundo virtual tridimensional e a obtenção de uma “segunda vida”, ou melhor, a criação de um Avatar, à imagem de cada utilizador, é um processo completamente gratuito, disponível em www.secondlife.com.
“Mais do que um jogo” o mundo virtual que, actualmente, já conta com milhões de utilizadores, espalhados por todo o mundo, permite um sem número de potencialidades que vão desde a simples interacção com outras pessoas até à criação de uma empresa, a construção de um edifício, tudo conquistado, negociado ou adquirido através da utilização de uma moeda própria, chamada “Linden Dollar” que não tem valor, na vida real, mas que pode ser convertida em dólares americanos reais, sendo que, para ganhar dinheiro, se poderá, mesmo, trabalhar ou vender serviços, como, simplesmente, pintar um quadro ou dançar numa discoteca.
Maria Meireles


